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[Opinião] Kafka à Beira-Mar, de Haruki Murakami

Autor: Haruki Murakami
Título Original: Umibe no Kafuka (2002) – traduzido do inglês
Editora: Casa das Letras
Páginas: 589
ISBN: 9789724616469
Tradutor: Maria João Lourenço
Origem: Comprado

Sinopse: Kafka à Beira-Mar narra as aventuras (e desventuras) de duas estranhas personagens, cujas vidas, correndo lado a lado ao longo do romance, acabarão por revelar-se repletas de enigmas e carregadas de mistério. São elas Kafka Tamura, que foge de casa aos 15 anos, perseguido pela sombra da negra profecia que um dia lhe foi lançada pelo pai, e de Nakata, um homem já idoso que nunca recupera de um estranho acidente de que foi vítima quando jovem, que tem dedicado boa parte da sua vida a uma causa – procurar gatos desaparecidos.
Neste romance os gatos conversam com pessoas, do céu cai peixe, um chulo faz-se acompanhar de uma prostituta que cita Hegel e uma floresta abriga soldados que não sabem o que é envelhecer desde os dias da Segunda Guerra Mundial. Assiste-se, ainda, a uma morte brutal, só que tanto a identidade da vítima como a do assassino permanecerão um mistério.
Trata-se, no caso, de uma clássica (e extravagante) história de demanda e, simultaneamente, de uma arrojada exploração de tabus, só possível graças ao enorme talento de um dos maiores contadores de histórias do nosso tempo.

Opinião: Depois de ter lido há muito tempo “Sputnik, meu amor“, essa belíssima história de amor, fiquei ainda mais curioso para conhecer mais a fundo a obra de Haruki Murakami. Após a leitura do romance “Kafka à Beira-Mar“, aquele que é reconhecido mundialmente por ser um dos mais famosos e premiados romances de Murakami, apenas me questiono o porquê de ter esperado tanto tempo para voltar a ler uma obra do autor japonês.

Na verdade, quando entramos no mundo literário de Murakami, ele cativa-nos e envolve-nos de tal forma que deixa-nos uma vontade de lá não sair, ou de voltar o mais rápido possível, tal é a sua escrita encantatória e tão agradável para o leitor. Apesar dos livros serem grossos, e neste caso são 589 páginas, há um prazer imenso em não largar as suas histórias o mais rapidamente.

O livro narra, intercaladamente, as vidas de Kafka Tamura, a personagem que vai ganhando importância ao longo do romance ao ponto de se tornar na principal e que está no centro da acção de toda a obra – um adolescente de 15 anos que foge de casa, apaixonado por livros e curioso em conhecer a vida fora do seu mundo – , e também de Nakata, um estranho, e ao mesmo tempo fascinante, homem cujas qualidades são um pouco fora do comum das pessoas normais, como por exemplo, ser capaz de perceber e falar com os animais, mais principalmente com gatos ou então perceber quando irá ocorrer uma coisa inesquecível.

O livro tem o seu quê de policial intercalado com alguns momentos de fantasia, nunca fugindo da realidade do mundo. A história vai-se subdividindo em sub-histórias, vamos percorrendo labirintos, tentando desvendar os enigmas que a história nos vai deixando sempre ansiosos por encontrar a luz ao fundo do túnel.

Por último, tenho que dizer que adorei o final, um final aberto, esperançoso, e que com a mensagem bonita de, apesar da melancolia e da tristeza que uma vida pode ter, haver sempre uma esperança em que tudo possa melhorar. Não me posso esquecer de também elogiar o excelente trabalho da tradutora, Maria João Lourenço que conseguiu captar a mensagem que Murakami tentou transmitir, assim como procurou ensinar ao leitor mais alguma coisa da cultura japonesa. – Ricardo

Classificação: 5/5 – Adorei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.