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[Opinião] Um Erro Inocente, de Dorothy Koomson

Autor: Dorothy Koomson
Título Original: The Ice Cream Girls (2010)
Editora: Porto Editora
Páginas: 448
ISBN: 9789720041005
Tradutor: Irene Ramalho
Origem: Recebido para crítica 

Sinopse: Durante a adolescência, Poppy Carlisle e Serena Gorringe foram as únicas testemunhas de um trágico acontecimento. Entre aceso debate público, as duas aparentemente glamorosas adolescentes viram-se a braços com os tribunais e foram apelidadas pela imprensa de “As Garotas-gelado”. Anos mais tarde, tendo seguido percursos de vida muito diferentes, Poppy está decidida a trazer ao de cima a verdade sobre o que realmente sucedeu, enquanto Serena, esposa e mãe de dois filhos, não pretende que ninguém do presente desvende o seu passado. Mas é impossível enterrar alguns segredos – e se o seu for revelado, a vida de ambas voltará a transformar-se num inferno… Emocionante e enternecedora, esta história fará com nos perguntemos se alguma vez poderemos conhecer verdadeiramente aqueles que amamos.

Opinião: Depois de A Filha da Minha Melhor Amiga, O Amor está no ar, e ainda com The Chocolat Run para ler, regressei à escrita de Dorothy Koomson. E, mais uma vez, fiquei completamente arrebatada. Poder-se-á dizer que a autora descobriu uma fórmula de sucesso, que apela muito às emoções, mas nem por isso as suas obras perdem interesse, porque nelas está sempre subjacente algo que nos leva a reflectir sobre muito do que nos rodeia.

Em Um Erro Inocente, a acção decorre nos dias de hoje e é contada a duas vozes pelas protagonistas Poppy e Serena. Elas foram intervenientes num assassínio que aconteceu há alguns anos e que chocou a opinião pública da época. São os contornos deste crime, as suas motivações e o percurso dos envolvidos que vão sendo desvendados, pouco a pouco, ao longo das páginas. De forma inteligente, a autora intervala os capítulos/narração das personagens principais, permitindo-nos não só conhecer ambas as perspectivas como também cada uma delas preenche algumas lacunas da história da outra.

O facto da obra se focar sobretudo em Poppy e Serena não invalida que a autora explore outras personagens. Há grande ênfase no ambiente familiar para que o leitor consiga perceber as consequências (e os danos) que o crime causou na vida das pessoas que as rodeiam. Algumas das situações retratadas são bastante reais e, por vezes, não consegui resistir à emoção. A forma como a autora descreve as mesmas faz-nos encarnar ou Poppy ou Serena e, inevitavelmente, estabelece-se uma forte empatia, pelo que as suas dores, as suas dúvidas, as suas solidões, as suas amarguras nos pesam também.

Entre o Presente e os flashes do Passado, o leitor vai desvendando pormenores e situações sobre os acontecimentos pré e pós-assassínio, percebendo que, muitas vezes, nem sempre o que parece é. O equilíbrio entre a emotividade, o retrato de uma realidade que, muitas vezes, ainda nos dias de hoje, nos entra pela casa adentro através dos noticiários, e o mistério tornam a obra cativante e as páginas lêem-se em catadupa. O final, apesar de serem dadas algumas pistas, é ainda assim surpreendente. Definitivamente, a obra literária desta autora é para continuar a seguir. – Cristina

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.