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[Opinião] Revista Bang! n.º 8

 

Finalmente, consegui terminar a leitura do último número da revista Bang!; depois das expectativa criadas, posso dizer que foram correspondidas. A primeira coisa a reter é que gostei mais de ler a parte de não-ficção da revista, isto é, os artigos e ensaios, do que os contos. Mas vamos por partes.

 

No que diz respeito à parte de não-ficção, destaco o ensaio de António de Macedo, Os mundos imaginários do fantástico português – 1.ª parte, que traça a história das publicações do género no nosso país desde a Idade Média e descreve a forma como a sua produção foi imensamente influenciada pela Inquisição e pela forte presença da religião em Portugal. É bastante informativo e interessante, e fico curiosa por ler a continuação. Também gostei do artigo de Jorge Candeias, tradutor do Duna de Frank Herbert para português, sobre a sua relação com a obra, especialmente por causa da ideia subjacente de que se pode analisar objectivamente a qualidade de uma obra, e da capacidade de elogiá-la, sem se ser necessariamente um grande fã do livro em causa. A Távola Redonda, onde autores portugueses falam das suas experiências de publicação de um livro, e Nova Vaga, Novas Capas, de Pedro Piedade Marques, sobre as capas de ficção científica desde os anos 60, foram outros dois artigos que gostei imenso de ler. O primeiro confirma algumas ideias que tenho sobre a publicação de autores portugueses e acrescenta também alguns detalhes interessantes; o segundo é um texto que aborda um assunto de que pouco sei, mas que aproveitei para aprender. Por fim, Fantasia Urbana ou Romance Paranormal?, de Safaa Dib, explica um pouco mais sobre este fenómeno recente e ajuda-nos a perceber melhor em que consistem estes sub-géneros. Confesso não ser particularmente fã dos mesmo (talvez com a excepção da Charlaine Harris), mas o artigo fez-me ter vontade de explorar alguns novos autores.

 

Quanto à parte de ficção, e apesar dos nomes sonantes, tenho a dizer que, à excepção do conto de George R.R. Martin, não me entusiasmou por aí além. Mas Com a manhã chega a neblina voltei a recordar-me porque gosto tanto deste autor. Em linhas gerais, o conto fala do Planeta Espectro, conhecido assim por estar constantemente cheio de neblina, onde corre a lenda que existem perigosos espectros. É contado na primeira pessoa por um jornalista que acompanha uma expedição que tem como objectivo confirmar (ou não) a existência desses espectros e desmistificar a questão.  A moral do conto é a que o próprio autor explica quase no final:

 

[…] O homem precisa de saber.
– Talvez – disse Sanders. – Mas será essa a única coisa de que o homem precisa? Não acho. Acho que também precisa de mistério, de poesia e de romance. Acho que precisa de algumas perguntas por responder para o fazer sonhar e imaginar.

 

Dito isto, fico com bastante curiosidade para ler o número seguinte da revista, esperando que se mantenham os padrões de qualidade. A revista encontra-se disponível no site da Saída de Emergência para download, aqui

 


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.