Home / 2/5 / [Opinião] O Quarto Arcano – O Anjo Negro, de Florencia Bonelli

[Opinião] O Quarto Arcano – O Anjo Negro, de Florencia Bonelli

Autor: Florencia Bonelli
Título Original: El Cuarto Arcano (2007)
Série: O Quarto Arcano #1
Editora: Porto Editora
Páginas: 544
ISBN: 9789720041920
Tradutor: Isabel Fraga
Origem: Comprado

Sinopse: No princípio do século XIX, diferentes processos revolucionários espalham-se pelas colónias espanholas da América, desejosas de se tornarem independentes da Coroa de Espanha. Buenos Aires será uma das primeiras capitais a concretizar esse sonho. É nesse contexto que decorre o romance de Florencia Bonelli, a mais popular autora histórico-romântica do panorama literário latino-americano. Roger Blackraven é um abastado homem de negócios inglês, com interesses particulares em Buenos Aires, onde é amo e senhor de terras e gentes, que o temem e respeitam. Mas a sua vida vai cruzar-se com o Anjo Negro. O Anjo Negro é Melody Maguire, uma exótica crioula ruiva, filha de um pai irlandês evadido do seu país para escapar à justiça inglesa. Assim apelidada pelos escravos, Melody luta pelo fim da escravatura. Roger representa para ela tudo o que mais odeia: é inglês, mulherengo, dono de escravos, um déspota – e, no entanto, não consegue evitar a atracção escaldante que nasce entre os dois.

Opinião: Tendo em conta as opiniões entusiastas que se encontram sobre este livro (inclusive aqui neste blogue), era normal que partisse para esta leitura com boas expectativas. Infelizmente, estas foram goradas e o livro acabou por revelar-se uma desilusão.

O enredo principal tem lugar na Argentina do início do século XIX. Roger Blackraven é um conde inglês com grandes posses e interesses em várias partes do mundo; uma viagem à sua propriedade em El Retiro proporciona o seu encontro com a jovem Melody, uma mulher bastante fora do comum não só a nível físico, mas também por ter ideais bastante revolucionários para a época – a sua constante preocupação com os escravos valeu-lhe inclusivamente a alcunha de Anjo Negro. Os dois acabam por se apaixonar e diria que cerca de dois terços do livro gira em torna da sua relação. Ao mesmo tempo, vários enredos secundários vão-se desenvolvendo, não só à volta de outras personagens mas também tendo em atenção o contexto histórico, com o domínio da Europa por Napoleão a dar o mote para a instabilidade política nas colónias de países europeus e o tema da escravatura sempre presente.

Devo dizer que achei o contexto e tudo o que não inclui o casal protagonista da história o mais interessante do livro, até porque dá ao leitor algumas luzes interessantes sobre o que se ia passando naquela época. Mas tendo em conta o “tempo de antena” dado à relação de Melody e Blackraven, não foi o suficiente para me fazer gostar deste livro. Ponderei um bocado sobre o que, para mim, fez com que a história destas duas personagens não funcionasse e cheguei à conclusão que foi a falta de subtileza e os lugares-comuns. Não me refiro à subtileza na narração de cenas mais explícitas, porque isso não me incomoda quando são bem escritas e um complemento importante à história, mas sim à subtileza que a autora não tem para nos explicar o que as suas personagens sentem e o que as motiva. Eu não preciso de ler página sim, página não “‘És minha”, “Amo-te”, “Não consigo viver sem ti” ou qualquer outra variação destas expressões para perceber o que as personagens sentem. Chega a ser exasperante de tão meloso e enjoativo. Todos estes sentimentos podem ser tão melhor transmitidos através de gestos, acontecimentos ou subterfúgios… este exagero é completamente desnecessário e estragou-me a leitura.

Mas mesmo saindo um bocado fora da relação amorosa: a autora esforça-se por ir dando a conhecer ao leitor factos do passado das personagens principais, que supostamente ajudariam a perceber melhor as suas motivações presentes. Sendo um objectivo legítimo, não me fez gostar nem mais um pouco delas. Sinceramente, pareceram-me distantes e nunca cheguei realmente a preocupar-me com elas ou com o que lhes acontecia – até porque não é difícil adivinhar que nunca seria algo muito mau. A escrita de Florencia Bonelli não me pareceu nada de especial; senti-a mais como narradora do que propriamente como escritora.

Foi um livro que, apesar de ter alguns pontos de interesse, de um modo geral não me cativou. Se não tivesse comprado já o segundo e último volume, sem dúvida que não o faria. Assim sendo, irei lê-lo em breve mas sem grande entusiasmo. 

Classificação: 2/5 – OK


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.