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As velas ardem até ao fim

Thursday, December 16, 2010 Post de Estante de Livros

Autor: Sándor Márai
Título Original: A gyertyák csonkig égnek (1942)
Editora: Dom Quixote
Páginas: 153
ISBN: 9789722020626
Tradutor: Mária Magdolna Demeter

Sinopse
Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de Chopin, mudou radicalmente de aspecto. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um, passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se um segredo de uma força singular…

Opinião
Este pequeno livro do autor húngaro tem tido grande sucesso em Portugal desde que foi publicado, em 2001. Do mesmo autor, este ano já tinha lido A Herança de Eszter, que me deixou bem impressionada, por isso decidi pegar neste para confirmar (ou não) essa impressão.

Já que falei no outro livro que li do autor, são curiosas algumas semelhanças: a personagem principal recebe uma carta de alguém que não vê há muitos anos, carta essa que se transforma no elemento que despoleta uma série de recordações sobre o passado. Neste caso, um velho general que vive num castelo na Hungria recôndita vê-se perante a perspectiva do regresso de um amigo de longa data, quando recebe uma carta deste avisando-o de uma visita em breve.

O primeiro terço do livro apresenta-nos as memórias do general em relação à sua família e a Konrad, o tal amigo, bem como de alguns acontecimentos que decorreram antes da sua súbita partida deste último, 41 anos antes. O resto do livro decorre após o reencontro e consiste, basicamente, num monólogo do general, em que este discorre sobre tudo o que aconteceu entre os dois e as suas interpretações e sentimentos em relação à amizade de ambos.

Tal como já me tinha apercebido no livro anterior, Sándor Márai tem uma escrita limpa, que embala o leitor. Aqui, achei-a mais profunda e cativante. Apesar de pouco ou nada acontecer neste livro, somos levados a reflectir sobre o valor da amizade, a solidão e a ambiguidade das nossas interpretações face aos acontecimentos que vão (des)construindo a nossa vida. Por vezes, parece um pouco monótono, para o que não contribui o facto de apenas estarmos a “ouvir” um dos lados da barricada, mas gostei muito, mas mesmo muito, da forma como o autor nos faz pensar na nossa própria vida e no relacionamento com os outros. Existem tantas passagens citáveis que é quase impossível escolher só uma.

Termino dizendo que é um livro cuja leitura se adequa melhor a um determinado estado de espírito, e se este for encontrado, pode tornar-se no livro perfeito. – Célia M.

4/5 – Gostei Bastante






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6 Responses to “As velas ardem até ao fim”

  1. Paula says:

    Olá Célia, este é um dos meus livros preferidos de sempre :)
    As frases fazem-nos reflectir, uma narrativa que não é mais do que um diálogo…mas que diálogo. Profundo o suficiente para nos por a pensar seriamente!
    Este foi o primeiro que li do autor, depois li a Herança de Heszter (achei razoável), e os Rebeldes (este confesso que não gostei)

    Abraço

  2. Laranjinha_ says:

    Concordo plenamente. Já li este livro, no início do ano, essencialmente por duas razões: a primeira, era o período histórico que a narrativa contemplava; a segunda, era haver tanta gente a opinar favoravelmente à obra. Resultado: eu tinha mesmo de ler e perceber o que tinha diante mãos.
    Gostei muito de algumas passagens em que eram focadas cidades como Viena (se bem me recordo), mas reconheço que apesar de na generalidade ter gostado do livro, considerei-o por vezes aborrecido. Mais pesado, quando narrativa ficava demasiado focada na perspectiva de uma das duas personagens apenas. No entanto, a mensagem principal, a da amizade, que o autor pretende fazer passar. Sai perfeita. E dá que pensar. *

  3. Filipe de Arede NUnes says:

    É um excelente livro. É de destacar a capacidade incrivel de transformar um monólogo em algo de interessante.

    Cumprimentos,
    Filipe de Arede Nunes

  4. Jorge Gomes says:

    “Nós somos melhores pelos livros que lemos” Mario Vargas Llosa na entrega dos prémios Nobel.

    Independentemente das opiniões que foram e serão dadas. Este livro é um vendaval de emoções, sentimentos,… ! E, pessoalmente, fez-me sentir melhor!
    Cumprimentos,
    Jorge Gomes

  5. Ricardo says:

    Adorei este livro, o qual consegui lê-lo mesmo num fôlego, foi numa tarde chuvosa, mas este livro ficou-me para sempre.

  6. Neide says:

    Confesso que comecei o livro um pouco desiludida porque a história não me estava a agradar, no entanto e como sou persistente decidi lê-lo até ao fim. Fico contente por tê-lo feito porque valeu bem a pena! Um diálogo sincero e comovente que acabou por me tocar profundamente!! Gostei imenso!! :)


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