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[Opinião] A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo, de Stieg Larsson

Autor: Stieg Larsson
Título Original: Flickan Som Lekte Med Elden (2006)
Série: Millennium #2
Editora: Oceanos
Páginas: 611
ISBN: 9789892303451
Tradutor: Mário Dias Correia (do inglês)
Origem: Comprado

Sinopse: Neste segundo volume da trilogia Millennium, Lisbeth Salander é assumidamente a personagem central da história ao tornar-se a principal suspeita de dois homicídios. A saga desenvolve-se em dois planos que se complementam e só a solução do primeiro mistério trará luz ao segundo: há que encontrar os responsáveis pelo tráfico de mulheres para exploração sexual para se descobrir por que razão Lisbeth Salander é perseguida não só pela polícia, mas por um gigante loiro de quem pouco se sabe.

Opinião: Felizmente, a sinopse disponível na internet é bem mais reduzida do que a que vem na contracapa do livro…  tive a infeliz ideia de a ler, pelo que os acontecimentos de um bom pedaço do livro não revelaram grandes surpresas. Mas, porque tinha gostado tanto do primeiro livro, foi com enorme entusiasmo que parti para a leitura da continuação. Este segundo volume pega na história algum tempo depois dos acontecimentos do livro anterior e Lisbeth passa para o centro da história.

Antes de entrarmos na acção propriamente dita deste livro, acompanhamos Lisbeth durante algum tempo, e temos oportunidade de viajar com ela para fora da Suécia, no final de uma série de viagens que fez após conseguir obter um grande volume de recursos financeiros. E é nesta fase que descobrimos que a personagem que encontrámos no primeiro livro fez algumas mudanças no seu aspecto físico: tirou piercings, apagou uma tatuagem e fez um implante mamário. Sim, leram bem. Aquela rapariga completamente anti-social, que não ligava nenhuma ao que os outros pensavam dela, fez um implante mamário por questões estéticas. Na minha opinião, estas alterações, que me pareceram querer aproximar Lisbeth de alguma normalidade ou consistir numa forma de reagir ao desgosto no final do livro anterior, acabam por descaracterizar a personagem e retirar-lhe um pouco daquilo que cativou antes, precisamente o facto de ser diferente. Se a isto juntarmos descrições quase intermináveis, e completamente desnecessárias, dos passos da personagem (lembro-me, por exemplo, de uma incursão ao IKEA e do relato pormenorizado de itens que ela comprou no supermercado), ao chegar ao primeiro terço do livro não augurava nada de bom para o resto.

Entretanto, Mikael Blomqvist continua o seu trabalho na revista Millenium, que se prepara para publicar uma reportagem explosiva sobre o tráfico sexual de mulheres na Suécia. Mas o assunto é sensível e os interesses por detrás desse negócio obscuro fazem vítimas e o nome de Lisbeth Salander é associado ao crimes que ocorrem. O resto do livro decorre em ritmo elevado, com Stieg Larsson a manter o suspense sobre o envolvimento de Lisbeth no caso e sobre quem cometeu os crimes e porquê. O final do livro é quase de cortar a respiração tal é o rumo dos acontecimentos e eu, que pretendia ler outra coisa entre este e o terceiro volume, para poder aliviar um pouco, vi-me “obrigada” a pegar neste último para poder saber o que se passaria de seguida.

Apesar deste alento final, foi um livro que me pareceu algo desequilibrado. O primeiro terço teve coisas que não me agradaram, e que me chegaram mesmo a irritar, como referi acima, mas tanto as mudanças de Lisbeth como as descrições desnecessárias foram algo que esteve praticamente ausente dos dois terços finais, que apresentaram uma dinâmica que quase nos impede de pousar o livro. 

Classificação: 3/5 – Gostei

Livro n.º 99 de 2010


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.