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[Opinião] Anjos Pistoleiros, de Paul McAuley

Autor: Paul McAuley
Título Original: Cowboy Angels (2007)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 390
ISBN: 9789896371876
Tradutor: Fernanda Semedo
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: O primeiro portal Turing, pouco maior do que um grão de pó, é aberto em 1963. Três anos depois, o primeiro americano viaja para um mundo alternativo. E assim nasce um império. Durante quinze anos, a América que se auto-denomina “a Real” utiliza os portais Turing para infiltrar Américas alternativas, incentivando revoluções para libertar as que estão sob regimes fascistas ou comunistas e reconstruindo as que foram destruídas por guerras nucleares. Mas quando Jimmy Carter chega ao poder, esgotada por esses combates infindáveis, a América Real decide que chegou a hora de trocar a guerra pela paz. Mas alguns acreditam que o destino da América Real é impor os seus ideais em todas as realidades alternativas e estão preparados para reverter a doutrina pacifista de Carter. Quando Adam Stone, um dos anjos pistoleiros da CIA que trabalhou noutras Américas, se voluntaria para apanhar um velho amigo que cometeu uma série de crimes em várias realidades alternativas, descobre uma terrível conspiração com os portais Turing. Uma conspiração que pode mudar a história de todas as Américas… incluindo a sua.

Opinião: Imaginem que existiam portais que nos permitiam “viajar” para realidades alternativas do nosso país. De momento, dava um grande jeito viajar para um Portugal alternativo, onde não houvesse crise económica, não dava? Pois é com esta realidade que se deparam as personagens deste livro. A descoberta dos portais Turing, em 1963, permitiu que fossem encontradas várias outras Américas alternativas, para além da Real, que divergiram da mesma em determinado ponto do tempo, durante o último século. O desejo de que esses feixes fossem tão poderosos como o Real, e não sociedades subjugadas ao comunismo ou ao anarquismo, faz com que seja criada uma força especial, por uma organização similiar à CIA , conhecidos como Anjos Pistoleiros, que tinham como missão ajudar a aproximar essas Américas da sua. A subida ao poder de Jimmy Carter, no início dos anos 80, traz consigo promessas de paz e, ao mesmo tempo, ameaça os interesses da Companhia nas Américas alternativas.

Adam Stone e Tom Waverly são dois ex-Anjos Pistoleiros. O primeiro encontra-se a viver pacatamente numa das Américas alternativas, até que é chamado pela Companhia porque o segundo assassinou os duplos da mesma mulher, em vários feixes. Stone inicia assim a busca pelo seu amigo, juntamente com a filha deste, para tentar descobrir quais as intenções de Tom.

Este acontecimento é apenas o início de uma história cheia de acção e reviravoltas, que raramente dão espaço a que possamos respirar. O enredo decorre em vários feixes, e essas várias visitas permitem-nos conhecer detalhes muito curiosos dos mesmos. Desde o feixe Nixon, curiosamente semelhante à realidade que conhecemos, até outros feixes onde existem reality shows, onde celebridades são confrontadas com os seus duplos de outras realidades, onde não são famosos.

Foi uma leitura que me agradou, principalmente pelas possibilidades proporcionadas pela existência de mundos paralelos. Acredito que não seja um elemento propriamente original, mas como para mim era quase novidade, acabei por achar bastante interessante. A história inclui ainda elementos de thriller e policial, que acabam por, a certa altura, sobrepor-se à componente de ficção científica. De resto, a história é cativante q.b., acabando por falhar um pouco, na minha opinião, no que respeita ao desenvolvimento das personagens. No entanto, fica a curiosidade por ler mais deste autor no futuro. 

Classificação: 3/5 – Gostei

Livro n.º 97 de 2010


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.