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[Opinião] A Vida Nova, de Orhan Pamuk

Autor: Orhan Pamuk
Título Original: Yeni Hayat (1995)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 293
ISBN: 9732336703
Tradutor: Filipe Guerra
Origem: Comprado

Sinopse: «Um dia li um livro e toda a minha vida mudou.» Osman, um jovem universitário de Istambul, descreve assim o assombro da sua iniciação à idade adulta. Obcecado com este livro mágico, que lhe parece mostrar a sua própria vida num outro universo, Osman lê-o com fervor, noite após noite, e apaixona-se por uma lindíssima jovem, Janan. Este livro promete revelações luminosas e terríveis, para além da compreensão de Osman. Movido por um impulso incontrolável, o jovem abandona tudo, para reencontrar a sua amada e descobrir os segredos mais obscuros que o livro encerra, viajando de autocarro em autocarro, até ao coração inóspito da Turquia rural. Num país suspenso entre o Oriente e o Ocidente, as personagens deste livro vivem aventuras quase míticas numa demanda que reflecte com talento a visão do mundo do autor.

Opinião: Pamuk é um mestre na maneira como consegue atrair atenção dos leitores para os seus livros. “Um dia li um livro e toda a minha vida mudou”: a primeira frase deste livro, tão belo como triste, agarra-nos e transporta-nos para uma história que poderia ser de qualquer um de nós, apaixonados por livros. Osman, a personagem principal, apaixona-se por um livro e, consequentemente, pela mulher que o fez ler aquela obra tão inquietante, pela primeira vez.

Osman, movido pela sua imensa curiosidade, vai tentando descobrir o que o livro tem de tão especial, para mudar a vida a todos aqueles que o lerem, conseguindo desvendar alguns segredos e conhecer histórias de vida de pessoas misteriosas. Também vai atrás da sua paixão, enquanto faz algumas reflexões mais ou menos filosóficas sobre a Vida.

Pamuk constrói uma estória verdadeiramente envolvente, com algumas influências de policiais, uma vez que existe um assassinato que muda a vida de todos os intervenientes e várias reflexões acerca do mesmo. Livro belo, recheado de frases cheias de sentido, mas bastante melancólico, pois existe sempre uma “nuvem negra” na história e no desenrolar da acção, sendo um dos livros mais tristes de Pamuk; não é por isso aconselhado a mentes que não estão dispostas a ler coisas tristes.

Do escritor turco que já venceu o Prémio Nobel, conseguimos reconhecer as suas histórias tristes, mas ao mesmo tempo, bastante bonitas e o fascínio pelo seu país de nascimento e toda a sua cultura, fascínio esse que partilho. Neste livro consigo também reconhecer um dos escritores que mais admiro, apesar de não ser dos mais aconselháveis para quem quer começar a conhecer melhor a sua obra. – Ricardo

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.