O Evangelho do Enforcado
Autor: David Soares
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 368
ISBN: 9789896371883
Sinopse
Nuno Gonçalves, nascido com um dom quase sobrenatural para a pintura, desvia-se dos ensinamentos do mestre flamengo Jan Van Eyck quando perigosas obsessões tomam conta de si. Ao mesmo tempo, na sequência de uma cruzada falhada contra a cidade de Tânger, o Infante D. Henrique deixa para trás o seu irmão D. Fernando, um acto polémico que dividirá a nobreza e inspirará o regente D. Pedro a conceber uma obra única. E que melhor artista para a pintar que Nuno Gonçalves, estrela emergente no círculo artístico da corte? Mas o pintor louco tem outras intenções, e o quadro que sairá das suas mãos manchadas de sangue irá mudar o futuro de Portugal. Entretecendo História e fantasia, O Evangelho do Enforcado é um romance fantástico sobre a mais enigmática obra de arte portuguesa: os Painéis de São Vicente. É, também, um retrato pungente da cobiça pelo poder e da vida em Lisboa no final da Idade Média. Pleno de descrições vívidas como pinturas, torna-se numa viagem poderosa ao luminoso mundo da arte e aos tenebrosos abismos da alienação, servida por uma riquíssima galeria de personagens.
Opinião
Do escritor português David Soares, já tinha lido o Lisboa Triunfante, de que na altura gostei bastante. O seu romance seguinte, O Evangelho do Enforcado, tem tido críticas muito positivas em vários blogs que consulto e por isso foi com as expectativas em alta que parti para esta leitura.
Em linhas gerais, trata-se de um livro que pretende desvendar um pouco do que esteve por trás da execução e concepção dos famosos Painéis de S. Vicente, com data de pintura estimada para meados do século XV, na época pré-Descobrimentos, e onde figuram as três principais classes: povo, clero e nobreza. Actualmente, os Painéis encontram-se no Museu Nacional de Arte Antiga e sem dúvida que a minha curiosidade em vê-los aumentou bastante após a leitura deste livro.
A personagem central da história é o presumível pintor dos Painéis, Nuno Gonçalves. Acompanhamos o seu crescimento e desenvolvimento, até se tornar pintor do reino e ter executado a sua obra mais conhecida. Como existe muito pouca informação sobre a sua vida, o autor aproveitou para “contar” a sua versão, sempre tendo em atenção o contexto histórico em que o enredo se desenvolve. E é também na caracterização e na narração dos acontecimentos que acompanham a vida de Nuno Gonçalves que o romance adquire contornos fantásticos/de horror. Nuno demonstra desde cedo tendências necrófilas, o que dá azo a vários momentos gore, que poderão impressionar os mais sensíveis. Sempre presente também é a morte, elemento encarado com uma certa naturalidade na época descrita.
Ao mesmo tempo que seguimos Nuno, vamos também acompanhando as vicissitudes que rodeiam as principais figuras do Reino, a Ínclita Geração, que ganhou este epíteto pela (suposta) grande contribuição para o desenvolvimento da nação e da sua visibilidade mundial. Digo suposta porque o livro mostra-nos estas personagens de forma bastante diferente da percepção geral – principalmente D. Duarte I (no livro chamado Eduarte; desconheço se Duarte é uma actualização desse nome) e o Infante D. Henrique. Este último é apresentado como um homem ambicioso, irresponsável e com tendências homossexuais. De uma forma resumida, deparamo-nos com esta parte da História de Portugal contada de uma forma bem diferente daquilo que nos ensinam na escola, o que me agradou particularmente porque sou da opinião que as factos históricos que nos são transmitidos enquanto crescemos estão algo deturpados e sofrem do mal do unilateralismo.
Tenho a dizer que fiquei impressionada pelo nível de detalhe histórico e do notório trabalho de pesquisa que servem de base à história que o livro nos apresenta. O autor mostra um domínio quase perfeito sobre as características da sociedade portuguesa do final da Idade Média, o que empresta ao livro uma sensação de verosimilhança notável, pelo nível de rigor necessário para o alcançar. Os Apontamentos Finais são muito interessantes e mostram ao leitor um pouco da pesquisa efectuada e vários detalhes históricos e outros relacionados com a construção do enredo.
Para mim, o único senão deste livro foram as descrições demasiado gráficas dos elementos de horror, que confesso me terem deixado desconfortável algumas vezes, mas já compreendi, até pela leitura anterior, que é este o estilo do autor. Fora isso, considerei-o uma excelente leitura. – Célia M.
4/5 – Gostei Bastante
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Também já acabei de ler, mas a minha opinião foi mais negativa que a tua. Mesmo assim se surgir oportunidade para comprar “A conspiração dos antepassados” em livro de bolso não hesitava. Penso que o terror de David Soares não é para o meu bico. Ainda não vi escritor de terror como o Poe
Esse sim ficava enjoada e com medo de dormir à noite. Eu comecei só este mês os livros temáticos: o que se segue é a Susana Almeida