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O Bom Inverno

Monday, October 11, 2010 Post de Estante de Livros

Autor: João Tordo
Editora: Dom Quixote
Páginas: 292
ISBN:9789722041379

Sinopse
Quando o narrador, um escritor prematuramente frustrado e hipocondríaco, viaja até Budapeste para um encontro literário, está longe de imaginar até onde a literatura o pode levar. Coxo, portador de uma bengala, e planeando uma viagem rápida e sem contratempos, acaba por conhecer Vincenzo Gentile, um escritor italiano mais jovem, mais enérgico, e muito pouco sensato, que o convence a ir da Hungria até Itália, onde um famoso produtor de cinema tem uma casa de província no meio de um bosque, escondida de olhares curiosos, e onde passa a temporada de Verão à qual chama, enigmaticamente, de O Bom Inverno. O produtor, Don Metzger, tem duas obsessões: cinema e balões de ar quente. Entre personagens inusitadas, estranhos acontecimentos, e um corpo que o atraiçoa constantemente, o narrador apercebe-se que em casa de Metzger as coisas não são bem o que parecem. Depois de uma noite agitada, aquilo que podia parecer uma comédia transforma-se em tragédia: Metzger é encontrado morto no seu próprio lago. Porém, cada um dos doze presentes tem uma versão diferente dos acontecimentos. Andrés Bosco, um catalão enorme e ameaçador, que constrói os balões de ar quente de Metzger, toma nas suas mãos a tarefa de descobrir o culpado e isola os presentes na casa do bosque. Assustadas, frágeis, e egoístas, as personagens começam a desabar, atraiçoando-se e acusando-se mutuamente, sob a influência do carismático e perigoso Bosco, que desaparece para o interior do bosque, dando início a um cerco. E, um a um, os protagonistas vão ser confrontados com os seus piores medos, num pesadelo assassino que parece só poder terminar quando não sobrar ninguém para contar a história.

Opinião
O romance As 3 Vidas foi dos livros de autores portugueses que mais me mexeu comigo, como digo aqui; a partir daí e depois de ler todas as suas restantes obras, sigo com atenção e bastante admiração a carreira de João Tordo, sem dúvida um dos escritores nacionais com mais talento.

O próprio João Tordo definiu-se numa entrevista recente como um escritor que gosta de contar histórias, e efectivamente quanto mais lemos a sua obra, mais poderemos afirmar que as histórias, e consequentemente as personagens que habitam dentro nelas, são o ponto central nos seus livros, não dando espaço para quaisquer preocupações em dar lições morais ou filosóficas implícitas.

Há coisas transversais em todos os seus livros, como a escrita cinematográfica, em particular nas descrições de situações/personagens/locais que são feitas com uma enorme minúcia, ou a tentação pelo fantástico e pelo policial – aliás Tordo afirma que Poe é uma das suas grandes influências. Neste livro temos uma mistura de diversos géneros: não é bem um policial, mas tem aquela tensão tão presente nos mesmos, não é fantástico, mas tem um final como se fosse, não é um thriller de terror e suspense, mas, ao fim e ao cabo, acaba por ter enormes influências; acima de tudo, é uma mistura de géneros que acaba por agradar ao leitor.

Neste livro, a trama gira à volta de um escritor frustrado, um sósia do Dr. House, que depois de ir, contrariado, a um encontro literário, conhece um grupo de pessoas curiosas que o obrigam a acompanhá-los numa ida conjunta a uma casa em Sabadia, na Itália, de um famoso produtor de cinema. Mas essa ida torna-se inesquecível pela negativa quando o próprio dono da casa aparece, depois de uma noite de festa, morto no lago. A partir daqui assistimos a uma busca pelo assassino, mas não é uma busca à moda antiga, onde existem várias pistas e no final encontra-se o assassino, aqui assistimos a um desfilar de acontecimentos estranhos, deixando-nos sempre na expectativa para ver o que se irá passar a seguir.

É com sofreguidão que lemos este livro, a mesma sofreguidão que Tordo consegue encarnar nas suas personagens. Aqui, Tordo dá um passo em frente na sua consagração, pois sente-se uma cada vez maior maturação na sua escrita, se bem que, particularmente, o livro As 3 Vidas seja aquele que mais me marcou. Agora venha o livro sobre a história da Catarina Eufémia que eu já estou ansioso por começar a ler mais obras deste escritor. – Ricardo

5/5 – Adorei






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4 Responses to “O Bom Inverno”

  1. oasaas says:

    Andava ansioso por ler a vossa crítica quanto a este livro para ter a certeza se o comprava ou não. Escusado será dizer que fiquei cheio de vontade de o ler! :b

  2. Rui Bastos says:

    Acho que nunca tinha lido uma crítica a um livro deste autor… Estou agradavelmente surpreendido e curioso!

    Só tinha ouvido dizer que o autor era assim pró arrogante :p

  3. Sandra says:

    Também gostei muito de ler a tua opinião. Já li umas entrevistas com o autor e não tinha ficado convencida, mas agora fiquei com vontade de comprar e ler este autor.
    Já percebi que pessoalmente preferes o outro livro, 3 Vidas, mas qual aconselharias como sendo o melhor livro dele?

    Sandra

  4. Ricardo says:

    Sandra, eu diria mesmo “As 3 vidas” se bem que a “critica” generalizada diz que é este. Existe um arrojo neste, principalmente no fim que é muito “fantástico” quase terror, mas a história, a maneira como a construiu, as personagens, o fim inesperado, continuo a achar que os ” As 3 vidas” é meu preferido e, talvez, seja o melhor. Existe uma certa relação entre os 4, como eu digo, e acredito que ele irá dar um passo à frente no próximo livro até porque, segundo o que ele afirmou, ele vai alargar os horizontes e agora que está numa editora maior pdoerá alargar os seus leitores. Acima de tudo, é um autor de “histórias” e isso agrada-me imenso.


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