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[Opinião] Deixa o Grande Mundo Girar, de Colum McCann

Autor: Colum McCann
Título Original: Let the Great World Spin (2009)
Editora: Civilização
Páginas: 432
ISBN: 9789722631617
Tradutor: Helena Lopes
Origem: Comprado

Sinopse: Numa madrugada do final do Verão, os habitantes de Manhattan observam incrédulos e em silêncio as Torres Gémeas. Estamos em Agosto de 1974 e um misterioso funâmbulo corre, dança e salta entre as torres, suspenso a quatrocentos metros do chão. Em baixo, nas ruas da cidade, vidas banais tornam-se extraordinárias através deste retrato impressionante e complexo de uma cidade e dos seus habitantes.

Opinião: Se há um acontecimento artístico que me fascina é este. Pela coragem, pela irreverência, pelo concretizar de um desejo quase impossível de realizar, pela sua valentia, pelo desafiar dos limites da vida, enfim, tudo o que Phillippe Petit fez nas Torres Gémeas, considerado o “crime artístico do século”, é para mim uma lição de vida para todos nós.

O livro de Colum McCann reflecte bem essa analogia entre o que Petit fez e o que nos acontece quando somos confrontados com algo que nos leva para além dos limites, mudando a nossa vida para sempre. O livro é um conjunto de histórias, sempre passadas em 1974, num ano importante na História dos EUA, em que este acontecimento está, implícita ou explicitamente, envolvido na trama do romance.

Acompanhamos, sobretudo, a vida de um padre irlandês que se dedica, quase obsessivamente, aos mais desfavorecidos, ao seu irmão cuja vida irá mudar quando ele aterra nos EUA, a uma prostituta que vê a filha tornar-se também numa prostituta. Assistimos ao sofrimento das mães de soldados que lutam no Vietname, ao juiz que se prepara para dar a sentença a Petit, enfim, a toda uma variedade de situações que marcam o leitor.

O livro é bastante descritivo, dando uma imagem perfeita do que eram os EUA naquela altura, num ano de plenas fragilidades, com uma enorme crise política e com os EUA envolvidos numa guerra sem razão, que viriam a perder, reflectindo tudo isso nas páginas deste romance surpreendente. Apesar de em alguns momentos ser um livro forte, com situações bem dramáticas, há sempre uma ternura na escrita do autor e cuidado para abordar as coisas sem querer chocar o leitor.

E no final, o autor brinda-nos com uma frase maravilhosa: “A literatura faz-nos lembrar que a vida não está já toda escrita: existem ainda muitas histórias para serem contadas.” Por mim, gostava de ler mais histórias contadas por este escritor. – Ricardo

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.