Home / 3/5 / [Opinião] Revelação, de C.J. Sansom

[Opinião] Revelação, de C.J. Sansom

Autor: C.J. Sansom
Título Original: Revelation (2008)
Série: Matthew Shardlake #4
Editora: Porto Editora
Páginas: 601
ISBN: 9789720045102
Tradutor: Victor Cabral
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Primavera de 1543. Enquanto em Inglaterra se vivem momentos de grande tensão religiosa e convulsão social, Henrique VIII planeia um sexto casamento, sob o olhar atento do vigário-geral, Cranmer. Desta vez, o seu alvo é Lady Catherine Parr, conhecida na Corte pelas suas simpatias reformistas. Entretanto, Matthew Shardlake, afasta-se dos assuntos da Corte e trabalha no caso de um adolescente maníaco-religioso encerrado no hospital psiquiátrico de Bedlam. Porém, a sua tranquilidade é subitamente interrompida quando um velho amigo e colega advogado, Roger Elliard, é brutalmente assassinado. Shardlake promete à viúva levar o culpado à justiça, mas o que pensava ser um caso de homicídio isolado é, na verdade, parte integrante de uma melodia diabólica que se propaga a uma velocidade louca pela cidade de Londres. À medida que novas mortes, fruto de um ritual macabro, se vão sucedendo, as investigações de Shardlake conduzi-lo-ão ao jovem de Bedlam, a Catherine Parr – e às profecias do obscuro Livro da Revelação.

Opinião: Revelação é já o 4.º volume que relata as aventuras do detective Matthew Shardlake; os três anteriores, Dissolução, Fogo Negro e Soberano (por esta ordem), tinham sido anteriormente publicados pelas Edições ASA. Não costumo – nem sequer gosto muito – de começar séries a meio, mesmo aquelas cujos volumes podem ser lidos separadamente por não serem propriamente a continuação dos anteriores (como é o caso de Revelação), mas a oportunidade de ler este livro surgiu e, portanto, decidi arriscar.

O contexto é a Inglaterra do séc. XVI e Henrique VIII encontrava-se de novo sem esposa, depois de Catherine Howard ter, à semelhança de Anne Boleyn, ficado sem cabeça. Matthew Shardlake é um reputado advogado que, apesar disso, trabalha em casos “menores” provenientes do Tribunal de Demandas. Não tendo lido os volumes anteriores, tive a sensação que Matthew teve problemas com as altas esferas políticas e, por isso, decidiu exercer a sua profissão longe das luzes da ribalta. A morte de um amigo chegado, Roger Elliard, em circunstâncias macabras e aparentemente sem explicação, lança Matthew na perseguição do seu assassino e à descoberta que esta morte faz parte de um quadro muito mais complexo do que à partida se poderia supor.

Estamos, portanto, perante um policial histórico. Policial não é um género que leia com muita frequência, e tenho a impressão que foi o primeiro que li não contemporâneo. O facto de conter elementos históricos agradou-me bastante, com destaque para a influência da religião e da forma como era encarada no dia-a-dia do cidadão comum e do governo de Inglaterra. Suscitou-me também alguma curiosidade saber como iria o autor colocar o seu detective no rasto de um assassino metódico e implacável, numa época em que encontrar pistas de um crime seria muito mais complicado do que é hoje.

Normalmente, os policiais costumam ser livros mais curtos, mas neste caso, e apesar da inevitável perseguição ao assassino, o autor aposta no desenvolvimento das suas personagens e na interacção entre elas. Se, por um lado, isto pode tornar o livro mais interessante, por outro contribui para o abrandar do ritmo e dinâmica da história. Não que alguma vez a leitura se tenha tornado desinteressante, também não o torna tão empolgante como poderia ter sido. Quanto ao desenvolvimento de personagens de que falei, senti algumas vezes que me faltava informação, background, mas isso foi um risco que decidi correr ao pegar no 4.º livro da série. Não será um aspecto relevante para boa parte dos leitores e não me estragou a leitura, mas penso que poderia ter retirado mais das personagens caso já as “conhecesse”.

Apesar de não ter adivinhado a identidade do culpado até este ser revelado, confesso que esperava algo mais surpreendente e rebuscado, um pouco à semelhança do que fazia Agatha Christie. Ainda assim, uma leitura que me agradou. 

Classificação: 3/5 – Gostei

Livro n.º 76 de 2010


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.