O Físico
Autor: Noah Gordon
Título Original: The Physician (1986)
Editora: Biblioteca Sábado
Páginas: 520
ISBN: n.d.
Tradutor: Maria José Santos
Sinopse
No século XI, Rob Cole abandona com apenas onze anos a pobre e doente cidade de Londres para vaguear pela Inglaterra. Durante as suas deambulações, fazendo malabarismos e vendendo curas para os doentes, vai descobrindo a dimensão mística da sanação. E é através dessa peregrinação que descobre o seu verdadeiro dom, que o levará a converter-se em médico num mundo violento, cheio de superstições e preconceitos. Tão forte é o seu sonho que decide empreender uma insólita e perigosa viagem à Pérsia, onde estudará na prestigiada escola de Avicena. Aí dar-se-á uma transformação que modificará para sempre a sua vida e o seu destino…
Opinião
Mais uma vez se confirma que as colecções de livros publicadas pela revista Sábado são uma excelente fonte de leituras. Pela módica quantia de 1€, pude comprar este livro, que se revelou um romance histórico muito interessante e recompensador. A leitura conjunta no nosso fórum foi a oportunidade perfeita para pegar nele, depois de o ter debaixo de olho há já algum tempo.
O contexto em que a história se inicia é a Inglaterra de princípios do século XI. O jovem Rob Cole vê-se subitamente órfão e separado dos irmãos, e torna-se aprendiz de um barbeiro-cirurgião. Percorrendo várias localidades do país, esta figura era uma mistura entre entertainer, montando espectáculos com malabarismos e outras diversões, com um médico de conhecimentos bastante precários, quase no fim da hierarquia dos conhecimentos medicinais, que ganhava a vida vendendo uma espécie de elixir que curava todas as maleitas. Cedo Rob descobre o seu fascínio pela medicina e pelos mistérios das doenças, e através de algumas pessoas que atravessam o seu caminho ao longo da adolescência, toma conhecimento de uma famosa escola de medicina na cidade de Ispahan, na antiga Pérsia (actual Irão), onde o famoso Ibn Sina, o mais famoso dos físicos, leccionava. É, por isso, sem surpresas, que a sede de aprendizagem de Rob o leva a perseguir o seu sonho e a rumar à Pérsia, numa viagem perigosa e cheia de peripécias.
Na minha opinião, a maior qualidade deste livro é a riqueza da informação histórica e da contextualização de época, a vários níveis. Acho que o autor faz um grande trabalho na descrição de aspectos da cultura inglesa, mas especialmente da persa, no que toca à religião, ao direito, aos costumes da sociedade, à política, à evolução médica, política, etc. Mais notável se torna ainda se considerarmos a escassez de informação que existe sobre esse período da História. Em relação à medicina, foi interessante saber que já à época se faziam operações às cataratas e que a proibição, devido a questões religiosas, de dissecar cadáveres, levava os estudiosos a considerarem o corpo humano igual ao do porco, baseando-se as curas em conhecimentos transmitidos já há vários séculos. Esta quantidade razoável de informação é oferecida ao leitor sem a leitura se tornar chata; pareceu-me que existe uma boa interligação entre contexto e enredo ficcional.
No que ao enredo diz respeito, posso dizer que mantém quase sempre o leitor preso à história, com a curiosidade de saber o que o destino reserva a Rob e também a várias das personagens secundárias que vamos conhecendo e que dão um colorido especial ao desenrolar dos acontecimentos. É importante também referir um tema que o livro aborda, e que continua bastante actual, que é a verdadeira vocação para o exercício da medicina e, em última análise, de qualquer outra profissão.
Foi, pelo que já referi, um livro que me agradou bastante. Houve apenas dois aspectos que me impediram de o apreciar ainda mais: por um lado, o facto de nem sempre ter sentido uma ligação forte à personagem principal e, por outro, alguma desilusão que senti com o final. Em relação ao primeiro, senti que, por vezes, o autor se “esquece” um pouco dos dilemas interiores e da evolução pessoal de Rob em detrimento da contextualização; quanto ao segundo, e apesar de considerar que o final que o livro nos oferece é, talvez, o mais provável e adequado, não consegui evitar algum sentimento de frustração, tendo em consideração todo o “caminho” que Rob percorreu.
Recomendo este livro sem reservas, em especial para quem gosta de romances históricos. – Célia M.
4/5 – Gostei Bastante
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ora aí está um à espera… como quase todos os dessa coleção – mas um dia destes devoro-os
Quanto ao livro já referi que tem realmente uma história muito boa e a tua excelente opinião mostra isso muito bem!
Concordo contigo relativamente aos livros da colecção da revista Sábado. Não tenho adquirido todos, mas os que já li têm sido leituras bastante agradáveis e a maioria deles uma grande surpresa! Além do que se não fossem estas colecções, muitos destes autores provavelmente não chegaria a lê-los!
Fiquei muito contente com esta vossa opinião, sobretudo porque também sou uma adepta incondicional dos magníficos livros que a Sábado publica a uma quantia irrisória. E este, curiosamente, aguarda por mim na estante. Obrigada pela opinião, estou muitíssimo curiosa. Bjs