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[Opinião] A Fragrância da Flor do Café, de Ana Veloso

Wednesday, September 8, 2010 Post de Célia

Autor: Ana Veloso
Título Original: La Fragancia de la Flor del Cafe (2007)
Editora: Difel
Páginas: 564
ISBN: 9789722908375
Tradutor: Marta Paixão

 

Sinopse: Vitória ambiciona mais, muito mais. Vita, como toda a gente lhe chama, é filha de um dos mais ricos «barões do café». Possui uma beleza extraordinária, é inteligente, habilidosa nos negócios, com uma personalidade forte e independente, é já considerada o melhor partido do vale.
Brasil, ano 1884. No vale do rio Paraíba, os latifundiários e as suas famílias têm uma vida luxuosa e despojada de preocupações graças ao trabalho dos seus escravos nas plantações de café. Quando Vita conhece Leão Castro, um jornalista muito atraente e enigmático, a sua vida muda completamente. Leão é abolicionista e luta fervorosamente contra a escravatura e, como tal, contra os interesses da família de Vita. Apesar destas divergências intransponíveis, os dois apaixonam-se perdidamente. Desde o início que o amor dos dois jovens está marcado por desencontros. Uma e outra vez os caminhos de Vita e Leão cruzam-se e separam, mas nem o tempo, nem as voltas do destino podem com a sua paixão.
Perante a transformação do paradisíaco vale do rio Paraíba e do pitoresco empório do Rio de Janeiro, da época dourada das plantações de café e da sua ruína depois da abolição da escravatura, têm lugar a saga de uma família de fazendeiros e a história de um grande amor.
A Fragrância da Flor do Café é um romance tão delicioso como o aroma do café acabado de moer: sensual e cheio de força, excitante e agridoce.

 

Opinião: Há já algum tempo que A Fragrância da Flor do Café, de Ana Veloso, me atraía e, aproveitando o meu recente amor pelo café, deixei-me enredar por esta obra. Poder-se-á pensar que o livro é o típico romance, mas a verdade é que a autora conseguiu alargar horizontes e misturar o amor com temas sociais e políticos fortes e de elevado interesse. A minha saga para comprar este livro – e alguns sabem o quanto o queria – valeu a pena. E, no final, essa é a melhor impressão que uma obra nos pode deixar.

 

O ponto central da acção é, como não podia deixar de ser, a exploração do café nas fazendas imensamente ricas do Brasil, nomeadamente a da família Silva, a Boavista. É nela que conhecemos a protagonista Vitória e nela se revela também Léon, o seu grande amor. Ao longo da obra, o caminho destas personagens vai-se cruzando, bem como as suas ideias e ideais. De um lado, Vitória, enquanto menina rica, defende os fazendeiros e a exploração de escravos em nome da prosperidade económica da sua família; de outro, León, um vanguardista do séc. XIX, luta pela abolição da escravatura e por melhores condições socio-económicas para os escravos. Contudo, ao longo da estória, descobrem que têm muito em comum e, consequentemente, surge, entre eles, uma relação amor-ódio, cujas aventuras e desventuras vamos conhecendo.

 

A vivência tumultuosa entre Vitória e León é, sem dúvida, o grande motor da trama, a qual, no entanto, não se esgota neles. A autora criou um forte e diversificado núcleo de personagens e soube tirar proveito delas, tornando-as representativas de uma forma de pensar ou uma classe social do Brasil do século XIX. A ligação e, sobretudo a compreensão, do leitor com as personagens torna-se, por isso, fácil, partilhando momentos de amor, de corrupção, de beatitude, de arrogância, de desprezo, de dor e de simpatia.

 

De forma igualmente consistente e cativante, explorou a autora o enquadramento histórico da acção. São abordados temas como a escravatura, que, por si só, interessa e motiva discussão social, as novidades tecnológicas de Edison & Ca, assim como são apresentadas personagens brasileiras conhecidas, como, por exemplo, Chiquinha Gonzaga. Junta-se a tudo isto uma escrita simples e rica em descrições e pormenores que levam o leitor a viajar até aos vários cenários.

 

No início, existem algumas expressões abrasileiradas, mas, felizmente, estas escasseiam, pelo que a leitura não é perturbada. O ambiente, os cheiros, as roupas, tudo é transmitido de forma bastante vivida e colorida, o que torna o leitor um espectador presente na acção e o faz deixar-se levar pelas sensações… – Cristina

4/5 – Gostei Bastante


3 Responses to “[Opinião] A Fragrância da Flor do Café, de Ana Veloso”

  1. WhiteLady3 says:

    Não gostei particularmente deste livro. Apesar de ter gostado do enquadramento histórico, achei o romance mal conseguido. :/

  2. cristina says:

    WL, o romance em si não tem nada de novo, mas mantém-nos agarrados. Eu não simpatizei muito com a Vitória em alguns momentos, mas, no computo geral, acho que ambos os intervenientes são mt interessantes de explorar/perceber.

  3. jen7waters says:

    Muito bom este título:)


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