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Opinião: A Baía dos Tigres | Pedro Rosa Mendes

Autor: Pedro Rosa Mendes
Editora: Dom Quixote (bolso)
Páginas: 442
ISBN: 9722025120
Origem: Comprado

Sinopse: Pedro Rosa Mendes, repórter galardoado do “Público”, partiu em Junho de 1997, com uma bolsa de criação literária do Centro Nacional de Cultura, mochila às costas, máquina fotográfica e gravador, para uma viagem de Namibe, ao sul de Angola, onde se situa a Baía dos Tigres, a Quelimane, Moçambique, atravessando o continente Africano de costa a costa, à semelhança de Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, por picadas, rios e caminhos de ferro. Regressaria três meses e meio depois desta viagem, carregado de histórias bastantes diferentes das que aqueles exploradores certamente encontraram. Histórias de ódio e de horror, de crueldade, num continente onde uma guerra sem fim à vista, tem vindo a aniquilar cada vez mais gente. Em mais de quatrocentas páginas, “Baía dos Tigres” é um relato dessas histórias, como diz Alexandra Lucas Coelho no suplemento Leituras, do “Público”, «barroco, denso, infernal. Fino, claro, transparente. Como acontece aos homens ser.

Opinião: Não sei porquê, mas mais no Verão do que noutra altura do ano existe uma certa tendência para ler livros de viagens. Sou um admirador de livros de viagens, durante todo o ano, que me possam dar a conhecer o outro lado de um país, principalmente dos seus costumes, das suas tradições, das suas terras, da sua História, do seu povo, enfim, que me possam mostrar uma radiografia diferente daquelas que estamos habituados a ler em folhetos turísticos.

A Baía dos Tigres é um livro de viagens diferente de todos os que li. Fala sobre o lado negro de um país e de uma sociedade que ainda está(va) a aprender a (sobre)viver dentro de uma democracia desde a sua independência.

Pedro Rosa Mendes é um correspondente do jornal Público que traçou, no ano de 1997, o objectivo de atravessar uma parte de Angola, da capital Luanda até Quelimane, para conhecer melhor a realidade desta ex-colónia portuguesa. Nessa sua passagem, assiste a uma sociedade corrupta pela luta do poder, assim como a retratos negros de Angola. Embora seja um livro com 13 anos, poderemos compreender melhor o que é/foi este país que tem tanta riqueza como pobreza, certamente com actualidade, embora com mais paz e menos guerra.

O livro, em jeito de diário, lê-se com a mesma voracidade como se estivesse a ler uma reportagem extensa. Aqui assistimos a alguns relatos de horror, próprios de um país em permanente Guerra Civil, não procurando esconder factos cruéis e duros, mas contados com cuidados na escrita.

O trabalho infantil, o tráfico dos diamantes, a “masculinidade “ da sociedade angolana, a escravatura encoberta, assim como a beleza do pôr-do-sol angolano e das terras, o povo sempre disponível, são algumas das coisas que podemos conhecer aqui.

Um livro bem escrito, que terminamos com a sensação de querer conhecer melhor a obra posterior deste jornalista que se tornou escritor. – Ricardo

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.