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Submundo | Don DeLillo

Autor: Don DeLillo
Título Original: Underworld (1997)
Editora: Sextante
Páginas: 848
ISBN:9789896760144
Tradutor: Paulo Faria
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Submundo é a crónica de vidas ordinárias inseridas no último meio século da história americana. No imenso palco do romance, elas cruzam-se com figuras que marcaram a época – J. Edgar Hoover, Frank Sinatra, entre outras. DeLillo faz surgir uma obra de arte deslumbrante do outro lado, obscuro e escondido, da humanidade contemporânea.

Opinião: Se aos romances fossem atribuídas nacionalidades, Submundo, de Don DeLillo, seria, de certeza, um americano. É sobre os EUA, e tudo em seu redor, de que se trata este monumental livro, sobre a sua história recente (principalmente a partir da Guerra Fria até aos nossos dias), os seus costumes (os antigos, os modernos, os que não se perderam, os que o tempo viu nascer), o seu povo e as suas paixões. É a cultura americana que é detalhadamente descrita nas suas páginas.

E tudo começa num jogo decisivo de basebol, onde os Giants ganham aos Dodjers, num dia politicamente histórico, o dia do lançamento de uma bomba atómica sobre os japoneses, acabando por a bola do “home-run” decisivo ganhar uma importância central em toda a história.

Conhecemos Klara Sax e Nick Shay como personagens principais, mas vamos conhecendo variadas personagens, umas mais conhecidas que outras, como J. Hoover ou Frank Sinatra, passando por belas descrições da música dos Rolling Stones e algumas marcas de tabaco conhecidas, isto sem passar por cima de factos históricos dos EUA. O livro traça um perfil geral da sociedade norte-americana, como se fosse uma radiografia minuciosa, e de toda a sua influência no mundo.

Como é normal num livro com esta dimensão, por vezes o leitor pode-se sentir perdido, ou um pouco aborrecido, pela “não–acção” da história, ou seja, é um livro, permitem-me a expressão, em “combustão” lenta, embora fiquemos envolvidos na “teia” daquela(s) história(s) logo desde a primeira página.

A escrita de DeLillo é cativante, muito directa, detalhada, bastante cinematográfica. Uma palavra de apreço para a excepcional tradução de Paulo Faria que, segundo me parece, conseguiu fazer compreender a mensagem do livro aos seus leitores. É uma obra que é, sem dúvida, aconselhável, desde que o leitor tenha a mente aberta e paciência para enfrentar uma dura, mas saborosa por alguns capítulos de puro deleite literário, luta com 840 páginas. – Ricardo

Classificação: 8/10 – Muito Bom


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.