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[Opinião] Como Ser Bom, de Nick Hornby

Autor: Nick Hornby
Título Original: How To Be Good (2001)
Editora: Editorial Teorema
Páginas: 316
ISBN: 9789726954880
Tradutor: Miranda das Neves
Origem: Empréstimo

Sinopse: Movendo-se no universo a que já nos habituou, da classe média a viver, como ele, no norte de Londres, Hornby faz neste seu novo romance uma análise à sobrevivência de um casamento moderno. A personagem principal, um jornalista que assina uma crónica corrosiva onde diz mal de tudo e de todos e que tem por sugestivo título “O Homem Mais Furibundo de Holloway”, transforma-se da noite para o dia quando a sua mulher ameaça separar-se dele. A partir daí, David deixa para trás o seu cinismo e torna-se um homem diferente, bom e carinhoso. Essa transformação, relatada no livro pela mulher, é o centro desta “boa” história.

Opinião: Um belo dia, uma conversa ao telefone de Katie com o seu marido David, que começa pelo mais trivial dos assuntos, acaba com a manifestação da vontade de esta de pedir o divórcio. Depois de vários anos de vida em comum, com dois filhos pelo meio, Katie já não reconhece a pessoa com quem vive – um homem que se tornou sarcástico e azedo -, tem um amante e não acredita realmente que haja outra saída. No entanto, a firmeza da sua decisão rapidamente cai por terra e o casal entra numa fase de indecisão, em que cada um deles tenta perceber se o divórcio é realmente a melhor decisão e se as suas diferenças são irreconciliáveis.

Ouvir Kate dizer-lhe que queria o divórcio parece ter servido para despertar David de uma espécie de letargia. Há anos que trabalhava a partir de casa, escrevendo uma coluna para um jornal mas sempre com a secreta esperança de um dia conseguir terminar o seu livro e tornar-se num escritor reconhecido. David sofre também de frequentes problemas de dores nas costas e, numa dessas crises, decide contactar um curandeiro chamado Boas Notícias, que miraculosamente consegue tratá-lo. Esta invulgar personagem entra na vida da família e é o ponto de partida para David reconhecer a pessoa em que se tornou e começar a tentar empreender iniciativas que pensa poderem contribuir para fazer algo de bom pela sociedade e, ao mesmo, tempo torná-lo numa melhor pessoa. David tenta perceber como ser bom, e consequentemente, recuperar a sua estabilidade emocional.

O livro é narrado na primeira pessoa pela voz de Katie, num tom levemente humorístico que consegue, na maioria das vezes, disfarçar o tom algo pesado e deprimente que a história encerra. De facto, é uma questão pertinente, a de perceber o momento em que já não é possível voltar atrás num casamento. O divórcio pode não ser um drama, mas não é isso que acontece na maioria das vezes e normalmente deixa marcas na pessoa que o atravessa, feridas que normalmente saram mas que deixam sempre cicatriz. Pior ainda quando existem crianças pelo meio.

O início do livro leva-nos a pensar que a questão do divórcio será o tema central do mesmo e que iremos acompanhar as personagens principais numa viagem de descoberta de si próprias e de onde reside a sua felicidade. No entanto, a partir de determinado ponto, o livro foca-se essencialmente no estado da sociedade em que vivemos, no materialismo e consumismo e naquilo que podemos fazer para melhorar o estado das coisas. As iniciativas de David para se tornar uma melhor pessoa são algo extremadas, o que acaba por lhes conferir uma sensação de irrealidade. O desvio do foco da atenção dos problemas familiares para esta demanda por se tornar uma pessoa melhor diminuiu o meu interesse no livro. Apesar de achar o voluntariado um tema bastante actual, estava mais interessada na dinâmica familiar e não tenho a certeza que os dois focos principais deste livro tenham sido bem interligados. Outra coisa que não consegui foi ligar-me às personagens, por não me ter conseguido identificar com os seus problemas e dilemas.

De uma forma geral, é um livro que se lê muito bem, devido à prosa fluida e cativante, e que julgo poder interessar a leitores com vontade de ler sobre estas temáticas. Apesar de ter ficado um pouco desiludida com o desenrolar da história, espero ainda poder voltar a este autor. 

Classificação: 2/5 – OK

Livro n.º 72 de 2010


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.