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[Opinião] A Ilha do Final do Tempo, de Javier González

Autor: Javier González
Título Original: Navigatio (2009)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 320
ISBN: 9789896372095
Tradutor: Sónia Rodrigues
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: A lenda de Boron­dón relata a exis­tên­cia de uma mis­te­ri­osa ilha no Atlân­tico, que apa­rece e desa­pa­rece ao longo dos sécu­los. Esta ilha está car­to­gra­fada por famo­sos nave­gan­tes, e o seu tes­te­mu­nho mais rec­nete é uma foto­gra­fia publi­cada no ano de 1958. Diz quem a viu que é o paraíso na Terra.
Nas ruí­nas da Igreja de uma pacata vila, descobrem-se três objec­tos que haviam sido empa­re­da­dos, tal­vez para nunca mais serem encon­tra­dos: Uma pena, os res­tos mor­tais de um monge, e um manus­crito de nome Navi­ga­tio. Ale­jan­dra, uma bela médica forense encar­re­gada da autóp­sia dos res­tos mor­tais do monge, e o his­to­ri­a­dor Sebas­tian Came­ron, ver-se-ão envol­vi­dos numa inves­ti­ga­ção com­plexa e que pode mudar as suas vidas, a nossa his­tó­ria, e o con­ceito que temos do tempo. Mas terão que repe­tir a len­dá­ria via­gem que os mon­ges rea­li­za­ram há 1500 anos, e des­co­brir que no meio do Oce­ano Atlân­tico, por trás da névoa, se escon­dem as res­pos­tas há mui­tos sécu­los esque­ci­das pelo homem. Na Ilha do Final do Tempo.

Opinião: Durante umas obras na igreja da vila espanhola Castilla, são encontrados emparedados os restos mortais de um monge, juntamente com uma pena e um fio de cabelo, para além de um manuscrito Navigatio. Uma das pessoas envolvidas na análise destes estranhos acontecimentos é uma ex-aluna do historiador americano Sebastian Cameron, o qual, a coberto de ir fazer pesquisa a Espanha para o próximo filme da série Piratas das Caraíbas, aproveita algum do tempo livre para investigar este caso que bastante o intriga.

O estudo do cadáver mumificado e dos objectos que o acompanhavam permite a descoberta de alguns detalhes relevantes que podem explicar a sua presença na igreja (segundo se supõe desde os anos 30 do século XX), para além de colocarem Cameron no caminho da médica forense Alejandra e da jovem Lola, uma estudante de história que se encontra a desenvolver a sua tese sobre a mítica ilha de San Borondón. Enquanto estava a ler o livro, fiz uma breve pesquisa e descobri que esta ilha não era invenção do autor: San Borondón seria a oitava ilha das Canárias, conhecida por aparecer e desaparecer atrás de névoas, deixando toda a gente na dúvida sobre a sua existência e dando origem a várias expedições navais ao longo dos séculos, na senda da sua descoberta. Apesar de aparecer em alguns mapas, desde o século XIII, a sua existência é, obviamente, uma lenda. Javier González pega nesta lenda e alimenta o seu carácter misterioso, atribuindo-lhes características muito peculiares que não detalharei para não desvendar muito da história, mas que a tornavam num autêntico Paraíso na Terra.

O livro acaba por misturar elementos históricos, de thriller e de ficção científica, que se juntam a uma escrita prática e fluida e a um enredo que promete. De facto, é um livro que se lê muito bem do princípio ao fim e que apresenta ao leitor uma grande variedade de pontos de interesse, especialmente a nível histórico, que não permitem que a leitura se torne aborrecida. Proporciona também reflexões interessantes sobre a possibilidade de viajar no tempo, tema profusamente tratado na literatura, mas também noutras formas de arte.

Como pontos menos bons neste livro, por vezes tive a sensação que a narrativa se dispersa um pouco e pareceu-me que peca na interligação de todos os vários fios narrativos do livro. O desenvolvimento das personagens também não é grande, mas num livro deste género penso ser normal isso acontecer, focando-se a narrativa na descrição dos acontecimentos na qual se centra.

De uma forma geral, foi um livro que me agradou, apesar de não ter sido uma leitura particularmente marcante. 

Classificação: 3/5 – Gostei

Livro n.º 73 de 2010


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.