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[Opinião] Verão, de J.M. Coetzee

Autor: J. M. Coetzee
Título Original: Summertime (2009)
Editora: Dom Quixote
Páginas: 279
ISBN: 99789722039864
Tradutor: J. Teixeira de Aguilar
Origem: Comprado

Sinopse: Um jovem biógrafo inglês trabalha num livro sobre o falecido escritor John Coetzee. O seu projecto é concentrar-se nos anos entre 1972 e 1977, época em que Coetzee, então na casa dos 30, compartilhava com o pai viúvo uma degradada casa rural nos arredores da Cidade do Cabo. Trata-se, segundo o biógrafo depreende, do período em que aquele estava «a apalpar terreno como escritor». Sem nunca ter conhecido pessoalmente Coetzee, abalança-se a uma série de entrevistas a pessoas que foram importantes para ele: uma mulher casada com quem teve um caso, a sua prima preferida, Margot, uma bailarina brasileira cuja filha teve aulas de Inglês com ele, e velhos amigos e colegas. A partir dos seus testemunhos surge um retrato do jovem Coetzee como um indivíduo desajeitado e livresco, dotado de pouco talento para se abrir com os outros. No seio da família é visto como um forasteiro, alguém que tentou fugir da tribo e que agora voltou, mais contido. Na África do Sul da época, a sua obstinação em fazer trabalhos braçais, o cabelo e a barba crescidos e os boatos segundo os quais escreve poesia, não suscitam outra coisa que não a desconfiança. Ora comovente, ora francamente divertido, “Verão” mostra-nos um grande escritor em pleno aquecimento para o seu trabalho. “Verão” completa a trilogia de memórias ficcionadas que se iniciou com Boyhood e Youth.

Opinião: Coetzee é, definitivamente, um dos meus escritores preferidos. A cada livro que leio, mais admiro a sua escrita simples, mas não simplista, bela, cuidada e a sua capacidade de nos mostrar a vida como ela é. A minha curiosidade em conhecer a fundo a sua obra é imensa e não irei descansar enquanto isso não acontecer. O autor sul-africano conquistou-me logo com os primeiros livros que li, não mais me desiludindo nos livros posteriores.

“Verão” é um livro bastante diferente daqueles que já li: consiste em dois capítulos de “cadernos de apontamentos”, que são fragmentos de um diário de ideias, de histórias, de acontecimentos que o autor John Coetzee deixou aquando da sua morte.

No meio destes capítulos, encontramos entrevistas com cinco pessoas cujas vidas se relacionaram intimamente com John Coetzee. Aí descobrimos algumas das suas qualidades e defeitos, somos levados, ou melhor, convidados a definir a personagem Coetzee através das histórias, algumas delas bem interessantes que essas personagens nos contam.

O livro é uma falsa biografia do autor John Coetzee, mais concretamente no período de 1972 a 1977, também sendo uma tentativa de perceber o homem por detrás do escritor, a sua relação com o pai, os seus casos amorosos, a sua tentativa de ser um escritor a sério, etc.

Apesar de não ter uma história tão apaixonante como as outros que li, este é um livro interessante, se bem que seja mais para os seguidores da sua obra do que para simples curiosos que queriam conhecer a sua escrita. – Ricardo

Classificação: 8/10 – Muito Bom


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.