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[Opinião] Sangue-do-Coração, de Juliet Marillier

Autor: Juliet Marillier
Título Original: Heart’s Blood (2009)
Editora: Bertrand
Páginas: 400
ISBN: 9789722521741
Tradutor: Marta Teixeira Pinto
Origem: Comprado

Sinopse: Uma floresta assombrada. Um castelo amaldiçoado. Uma jovem que foge do seu passado e um homem que é mais do que parece ser. Uma história de amor, traição e redenção… Whistling Tor é um lugar de segredos, uma colina arborizada e misteriosa que alberga a fortaleza deteriorada de um chefe tribal cujo nome se pronuncia no distrito em tons de repulsa e de amargura. Há uma maldição que paira sobre a família de Anluan e o seu povo; os bosques escondem uma força perigosa que pronuncia desgraças a cada sussurro. E, no entanto, a fortaleza abandonada é um porto seguro para Caitrin, a jovem escriba inquieta que foge dos seus próprios fantasmas. Apesar do temperamento de Anluan e dos misteriosos segredos guardados nos corredores escuros, este lugar há muito temido providencia o refúgio de que ela tanto precisa. À medida que o tempo passa, Caitrin aprende que há mais por detrás do jovem desfeito e dos estranhos membros do seu lar do que ela pensava. Poderá ser apenas através do amor e da determinação dela que a maldição será desfeita e Anluan e a sua gente libertados…

Opinião: Quem vem seguindo as minhas leituras e conhece um pouco os meus gostos sabe que a Juliet Marillier é uma das minhas escritoras preferidas. Há cerca de 7-8 anos comecei por ler A Filha da Floresta e fiquei tão encantada com o livro que não descansei enquanto não li tudo o que a escritora tinha publicado e, depois disso, comecei a comprar e ler tudo o que saía dela com bastante ansiedade. Se há escritor(a) que me fez ler noite dentro, sonhar com as histórias e as personagens dos seus livros, que já reli várias vezes, foi a Juliet. É por isso que, sempre que pego num livro dela, espero voltar a este espaço de total imersão, de um livro que me conquista e me faz esquecer todos os problemas que me rodeiam. Foi mais uma vez com esta expectativa que parti para a leitura de Sangue-do-Coração, publicado no ano passado, e que ao contrário do que é habitual não faz parte de qualquer série ou trilogia.

Tal como na maioria dos livros desta autora, a história é contada na primeira pessoa. Numa Irlanda medieval, a jovem Caitrin foge aos maus tratos dos parentes que, após a morte do seu pai, assumiram a responsabilidade por ela e pela sua casa, e procura refúgio num local estranho e misterioso, Whistling Tor, onde o chefe tribal Anluan procura um escriba que o possa ajudar a traduzir alguns documentos de família que possam ajudar a combater uma antiga maldição. Anluan é um homem com defeitos físicos e carrega consigo o enorme peso dos erros cometidos pelos seus antepassados, que fizeram com que Whistling Tor se tornasse num local temido e assombrado. A chegada de Caitrin será o ponto de partida para o início de várias mudanças, não só para quem a rodeia mas também para si própria.

Esta escritora tem o dom de contar histórias; nota-se, na forma como coloca as palavras, que gosta de descrever com minúcia os sentimentos das suas personagens, os locais por onde passam, o background histórico. Este livro tem um ambiente mais negro do que é habitual e lida com um tema um pouco diferente (o que achei positivo), mas, no essencial, acaba por ser a mesma história que a autora já outra contou outras vezes, aqui com uma roupagem diferente. Não sei se foi por já ter lido todos os livros desta autora, mas a história e o desenrolar do enredo afiguraram-se-me previsíveis quase na totalidade. Houve coisas que adivinhei cedo (demais) e as que não adivinhei pareceram-me ter um desenlace algo insatisfatório, como por exemplo o desfazer da maldição.

Existe uma diferença entre ler e sentir o que se lê – ao longo deste livro, apenas li. Os sentimentos descritos no livro estavam lá, mas não conseguiram passar para este lado e, tendo em conta a importância que a autora costuma dar à componente “romance” nos seus livros, se esta não funciona para o leitor, como aconteceu comigo, acaba por ser um pouco inglório. Por outro lado, sei que a Juliet teve restrições por parte do seu editor quanto ao número de palavras que poderia utilizar para contar esta história e julgo que isso explica algum desequilíbrio que senti, com algumas secções a arrastarem-se um pouco e outras partes da história a decorrerem depressa demais. Não posso deixar de afirmar aqui que acho triste que uma autora do seu calibre se tenha de sujeitar a este tipo de imposições. E, numa mensagem colocada há pouco tempo no seu Facebook, a Juliet revelou que não sabe quando poderá continuar a escrever As Crónicas de Bridei, uma vez que esta série não vendeu muito bem nos EUA e Reino Unido, pelo que terá de continuar a escrever no universo Sevenwaters. Temo que continuar a mexer num universo tão adorado pelos fãs possa vir a estragar o que de tão bom ele tem.

Depois de tantas críticas, não quero que fiquem a pensar que não gostei do livro, longe disso. Mesmo no seu pior, Juliet Marillier é boa. No entanto, as expectativas são sempre muito altas e com esta autora sinto-me no direito de ser um pouco mais exigente… é impossível disfarçar o sentimento de desilusão com que terminei este livro, que foi até hoje, na minha opinião, o seu livro menos conseguido. 

Classificação: 7/10 – Bom

Livro n.º 56 de 2010


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.