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[Opinião] Helena de Tróia, de Margaret George

Autor: Margaret George
Título Original: Helen of Troy (2006)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 368 + 352
ISBN:9789898032768/9789898032812
Tradutor: Isabel Penteado
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Filha de um deus, mulher de um rei, prémio da guerra mais sangrenta da Antiguidade, Helena de Tróia inspira artistas há milénios. E Margaret George dá nova vida ao grande conto homérico pondo Helena a narrar a própria história. Através dos seus olhos e da sua voz, vivemos a descoberta da jovem Helena sobre a sua origem divina e beleza avassaladora. Pouco mais do que uma menina, Helena casa-se com Menelau, rei de Esparta, e dá-lhe uma filha. Aos vinte anos de idade, a mulher mais bela do mundo estava resignada com um casamento desapaixonado – até encontrar o atraente príncipe troiano, Páris. E quando os apaixonados fogem para Tróia, guerra, assassínio e tragédia tornam-se inevitáveis. Em Helena de Tróia, Margaret George capturou uma lenda intemporal num conto hipnotizante acerca de uma mulher cuja vida estava destinada a criar conflito… e a destruir civilizações.

Opinião: Margaret George é uma escritora de romances históricos que tem especial pendor para retratar figuras femininas da Antiguidade. Depois de Maria Madalena e de Cleópatra (de cujas Memórias li e gostei muito do 1.º volume), surge agora a vez da mitológica Helena de Tróia. Mitológica porque, até hoje, a sua existência, bem como da famosa guerra de Tróia, não está historicamente provada, estando o seu mito principalmente presente na Ilíada e na Odisseia de Homero.

Nestes dois livros, que constituem as duas metades do original, Margaret George propõe-se recontar a história sob o ponto de vista de Helena, mantendo os detalhes históricos possíveis (como explica no Posfácio) e recuperando a mitologia que envolve a Guerra de Tróia e o que lhe deu origem. A autora explica também que as histórias desta época foram grandemente influenciadas pela presença dos Deuses, que aqui continuam a dar o ar de sua graça, mas de forma mais ténue.

Conhecemos Helena desde criança, atravessamos com ela o seu crescimento como filha do Rei de Esparta e o seu casamento precoce com Menelau, após uma cerimónia de escolha do seu futuro marido sem precendentes para a época. A verdade é que a beleza de Helena tinha muita fama, e parecia que a jovem tinha sido tocada pelos Deuses. Já depois de casada e mãe de uma filha, Helena e o seu marido recebem em Esparta uma delegação troiana, constituída por Eneias e Páris, o jovem filho do rei troiano, Príamo. Tocada pela deusa Afrodite, Helena apaixona-se por Páris, este corresponde, e fogem os dois em segredo para Tróia.

Agamémnon, irmão de Menelau, vê esta situação como a oportunidade perfeita de saciar a sua sede de guerra e, com base num juramento que todos os pretendentes a marido de Helena haviam feito na altura em que esta escolheu Menelau, junta um exército de proporções épicas para conquistar e destruir Tróia. 

Estes livros descrevem em bastante pormenor todo o percurso de Helena após ter fugido com Páris para Tróia, e a guerra que a utilizou como pretexto para conquistar uma cidade muito cobiçada pela sua riqueza e importância estratégica. Uma guerra impiedosa, que foi levando os heróis da Antiguidade e teve como mote o destino inevitável, os humanos como instrumentos dos Deuses e a presença sempre macabra da morte. A primeira metade do livro foca-se mais em Helena, nos seus anseios, motivações e paixões; na segunda, Tróia é a grande protagonista e Helena os olhos que nos permitem vê-la. Penso que, de um modo geral, foi conseguido um bom equilíbrio entre as duas abordagens e interessará tanto a quem procura um bom romance histórico como a quem gosta de ler uma boa história. Apesar de nem sempre ter achado o amor entre Helena e Páris completamente convincente, gostei muito da “voz” da personagem principal, e de conhecer (ou voltar a conhecer) tantas personagens que fazem parte do nosso imaginário colectivo. Recomendo! 

Classificação: 8/10 – Muito Bom

Livros n.º 59 e 61 de 2010


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.