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[Opinião] O Museu da Inocência, de Orhan Pamuk

Autor: Orhan Pamuk
Título Original: Masumiyet Müzesi (2008)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 646
ISBN: 9789722343558
Tradutor: Miguel Romeira
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: O Museu da Inocência é uma história de amor, passada em Istambul, entre a Primavera de 1975 e os últimos anos do século XX, e conta a história da paixão obsessiva do herdeiro de uma família rica, Kemal, por uma prima afastada, Füsun, de um meio social menos favorecido. Mas Kemal está noivo da filha de uma das famílias da elite istambulense. Entretanto, Kemal começa a coleccionar objectos pessoais e outros que lhe fazem lembrar a sua amada. Esses objectos são simultaneamente um fetiche e uma crónica da sua felicidade e das mágoas, um mapa de sinais de todos os sítios onde estiveram juntos. Com o tempo, a compulsão do coleccionador acabará por dar origem a verdadeiro museu, que também permite explorar uma Istambul meio ocidental e meio tradicional, a sua emergente modernidade e a sua vastíssima história e cultura.

Opinião: Orhan Pamuk escreveu um livro que é um verdadeiro monumento, quer pelo seu tamanho (são 646 páginas, divididas em 83 capítulos com direito a títulos, à moda antiga), quer pelo tema em si, sendo uma antologia à memória de uma vida e de uma cidade apaixonante.

É de memórias que se fala aqui, e graças à sua memória prodigiosa o escritor turco retrata o passado de Kemal, a personagem central, que se confunde com as recordações de uma cidade, Istambul, que se moderniza e se transforma completamente à medida que a história vai avançando no tempo, tudo isto sempre com uma linguagem cuidada e bastante rica em longas descrições.

A história parece ser apenas mais uma cópia de muitas histórias já descritas na história da Literatura. É relativamente simples: Kemal é um turco que se prepara para casar com uma das mulheres mais conceituadas da elite turca, quando um dia se cruza, inadvertidamente, com Füsun, uma sua prima afastada, originando uma verdadeira paixão, primeiro correspondida, posteriormente desprezada e, por fim, trágica à boa maneira das histórias de Pamuk.

Essa paixão, à medida que ambos se afastam, acaba por se tornar numa verdadeira obsessão para Kemal, que tem a ideia de coleccionar todos os objectos que lhe fazem lembrar a sua amada, desde fios de cabelos, a beatas de cigarro, mais concretamente a 4213 beatas de cigarro fumados por Füsun, ou então frascos de perfume ou simplesmente cinzeiros em que ela apenas tocou, transformando uma casa num verdadeiro museu, espelho da sua obsessão pela mulher que conquistou o seu coração.

A justificação para tamanha obsessão está na página 397 deste livro, “O poder de um objecto jaz indubitavelmente nas memórias que guarda em si, e também nas vicissitudes da nossa imaginação e das nossas memórias”.

O que torna este livro de Pamuk num dos livros mais intensos que já li é a beleza das descrições, quer do seu amor, quer da cidade de Istambul. O escritor turco demonstra um extremo cuidado nas palavras, não fugindo a lugares-comuns, mas dando-nos uma visão de como o amor, seja ele correspondido ou não, se poderá tornar numa enorme obsessão, mas também no motor principal para que uma pessoa viva.

Por último, li que “O Museu da Inocência” poderia mesmo tornar-se realidade, desejando o autor criar um museu onde pudesse reunir toda a história de Istambul e onde as pessoas pudessem imaginar uma história de amor como a de Kemal e Fusün. Esperemos que, se um dia esse museu abrir, o espírito da sua obsessão por Füsun seja tão bem aclamado como é neste maravilhoso livro. – Ricardo

Classificação: 9/10 – Excelente

 


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.