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[Opinião] Os Livros que Devoraram o meu Pai, de Afonso Cruz

Autor: Afonso Cruz
Ano de Publicação: 2010
Editora: Caminho
Páginas: 128
ISBN: 9789722120951
Origem: Comprado

Sinopse: Vivaldo Bonfim é um escriturário entediado que leva romances e novelas para a repartição de finanças onde está empregado. Um dia, enquanto finge trabalhar, perde-se na leitura e desaparece deste mundo. Esta é a sua verdadeira história — contada na primeira pessoa pelo filho, Elias Bonfim, que irá à procura do seu pai, percorrendo clássicos da literatura cheios de assassinos, paixões devastadoras, feras e outros perigos feitos de letras.

Opinião: Outra compra na Feira do Livro à qual não resisti. O livro tinha-me chamado a atenção quando saiu, no início deste ano, pelo curioso título e pela sinopse cativante, a que se juntou o meu gosto especial por livros que falem de livros e da paixão dos leitores por eles.

Num livro que se lê em pouco mais de uma hora, deparamo-nos com uma situação que decerto já aconteceu à maioria dos leitores: perder-se num livro. A diferença é que desta vez acontece no sentido literal, quando Vivaldo Bonfim, que tinha um aborrecido emprego nas Finanças, desaparece para dentro de A Ilha do Dr. Moreau, de H.G. Wells. Tudo isto acontece quando o seu filho, Elias, ainda não tinha nascido, e apenas quando o jovem completa 12 anos toma conhecimento do verdadeiro destino do seu pai. É então que começa a frequentar a biblioteca do sótão do seu pai e a percorrer os seus livros, com a esperança de o vir a encontrar num deles.

Elias entra também na história de diversos livros: para além de A Ilha do Dr. Moreau, acompanhamo-lo por dentro de Crime e Castigo, de Dostoievski ou Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, e deparamo-nos com um curioso entrelaçar entre ficção e realidade, que nos faz pensar na importância que os livros têm como escape para os problemas do dia-a-dia e na forma como muitas vezes esquecemos o mundo real e nos embrenhamos no que estamos a ler de tal forma que não nos apetece largar a história e ficamos tristes quando termina. Fiquei curiosa por conhecer mais deste autor português, que é também ilustrador (excelente, pela amostra), em especial a Enciclopédia da Estória Universal.

Foi um livro que encontrei na secção infantil/juvenil da Caminho na Feira do Livro e que, sem dúvida, será uma excelente leitura para jovens, mas igualmente para adultos. Recomendado especialmente para quem gosta de histórias sobre livros.

Classificação: 8/10 – Muito Bom

Livro n.º 43 de 2010


Sobre Célia

Tenho 35 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.