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[Opinião] O Oito, de Katherine Neville

Autor: Katherine Neville
Título Original: The Eight (1988)
Série: The Eight #1
Editora: Porto Editora
Páginas: 632
ISBN: 9789720040824
Tradutores: Miguel Castro Caldas e Sara Santos
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Conta a lenda que os Mouros ofereceram a Carlos Magno um tabuleiro de xadrez que continha a chave para dominar o mundo.
Sul de França, 1790. No auge da Revolução Francesa, o lendário tabuleiro de xadrez de Carlos Magno, oculto há mais de um milénio nas profundezas da Abadia de Montglane, corre o risco de ser descoberto. As suas peças encerram um intricado enigma e quem o decifrar terá acesso a uma antiga fórmula alquímica que lhe concederá um poder ilimitado. Para mantê-las fora do alcance de mãos erradas, as noviças Mireille e Valentine deverão espalhá-las pelos quatro cantos do mundo.
Dois séculos depois, Catherine Velis, uma jovem perita informática, é enviada para a Argélia com o objectivo de desenvolver um software para a OPEP. Nas vésperas da sua partida de Nova Iorque, um negociante de antiguidades faz-lhe uma proposta misteriosa: reunir as peças de um antigo xadrez. Cat vê-se assim envolvida na busca do lendário jogo de xadrez e torna-se numa das peças desta partida milenar, jogada ao longo dos séculos por reis e artistas, políticos e matemáticos, músicos e filósofos, libertinos e o próprio clero. Quem está de que lado? De quem será o próximo lance?
Passado e presente entrecruzam-se magistralmente neste thriller excepcional de uma autora de culto em todo o mundo, considerada a grande precursora dos romances de Dan Brown.

Opinião: Durante o reinado de Carlos Magno, um misterioso e valioso tabuleiro de xadrez chega às mãos do rei. O tabuleiro parece conter um qualquer segredo muito importante, e diz-se que se tornará perigoso caso caia nas mãos erradas. Sabendo disso, Carlos Magno decide esconder o tabuleiro e as suas peças na Abadia de Montglane, facto que seria guardado em segredo pela abadessa responsável ao longo de quase mil anos. As convulsões derivadas da Revolução Francesa começam a pôr a Abadia em perigo e a abadessa decide espalhar as peças, enviando as suas freiras e noviças para diferentes locais. Duas delas, Mireille e Valentine, irão ser particularmente importantes e é a sua história que seguimos na secção do livro dedicada aos acontecimentos desta época.

Entrelaçados com estes capítulos, acompanhamos Catherine Velis, uma jovem informática nos anos 70 do século XX, que, por problemas no trabalho, se vê subitamente obrigada a rumar à Argélia, e irá, a pedido de um amigo, tentar encontrar por lá as peças de um antigo e valioso tabuleiro de xadrez. Ao mesmo tempo, Catherine vê-se envolvida numa série de peripécias, incluindo pessoas a aparecerem mortas e personagens misterioras que aparecem no seu caminho e parecem comunicar com ela em código. Catherine, tal como o leitor, não consegue perceber muito bem que relação tem com todos estes factos, aspecto que só é revelado bem para a frente na história.

Posso dizer que gostei um pouco mais da linha temporal do séc. XVIII, pois para além de estarmos perante um retrato bastante satisfatório dos acontecimentos que rodearam a Revolução Francesa e com várias personagens famosas, como por exemplo Napoleão, Robespierre ou Rousseau, a história em volta das noviças Valentine Mireille é mais interessante e cativante. A história de Catherine Velis cativou-me principalmente pela presença do misterioso Alexander Solarin, que infelizmente aparece muito menos vezes do que eu gostaria. Nesta secção, senti ainda que houve algumas partes que poderiam ter sido dispensadas a bem do dinamismo e interesse da história. No que diz respeito ao entrelaçamento das duas histórias, algumas vezes senti que estava a ler histórias distintas, mais do que dois pedaços da mesma história, ocorridos em épocas diferentes – e, no fundo, é disso que se trata.

Este livro fez-me lembrar, em parte, um outro que li há pouco tempo, O Labirinto da Rosa, porque demonstra muita ambição e o final, apesar de estar mais à altura que o do livro que referi, não deixou de me parecer pouco satisfatório. Ainda assim é uma leitura dinâmica, apesar de algumas partes dispensáveis, e que apresenta uma história recomendada aos fãs de thrillers, um page-turner apesar das suas mais de 600 páginas. De momento, poderá não ser encarado com a mesma sensação de novidade com que foi recebido em 1988, pelo surgimento de posteriores fenómenos semelhantes (Dan Brown, etc.), mas ainda assim não o considero datado. Este livro tem uma sequela, O Fogo, que será lançado pela Porto Editora em Setembro deste ano. 

Classificação: 7/10 – Bom

Livro n.º 45 de 2010


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.