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[Opinião] O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë

Autor: Emily Brontë
Título Original: Wuthering Heights (1847)
Editora: Europa-América
Páginas: 258
ISBN:9789721014923
Tradutor: Maria Franco e Cabral do Nascimento
Origem: Comprado

Sinopse: A acção deste clássico da literatura inglesa decorre num ambiente rude e agreste, tendo como paisagem os montes de Yorkshire, onde Emily Brontë viveu durante muitos anos.
Por isso, o trágico drama de O Monte dos Ventos Uivantes atinge o cume de uma autobiografia em que a infância e adolescência de Emily, carregadas por uma imaginação fantástica, desempenham lugar de relevo no desenrolar desta história. A paixão de Catherine e o amor de Heathcliff assinalam de forma flagrante o fio romanesco desta obra.
Emily Brontë criou uma obra que é, sem dúvida, a expressão mais genuína, profunda e ambiguamente sofrida da alma inglesa.

Opinião: O Monte dos Vendavais (também publicado por cá com o título O Monte dos Ventos Uivantes ou O Alto dos Vendavais) é daquele tipo de livros que, pela sua fama e inúmeras adaptações ao cinema, já fazem parte do imaginário colectivo, mesmo para quem ainda não teve oportunidade de o ler. A minha oportunidade surgiu agora, numa leitura conjunta espontânea que decorreu no nosso fórum.

Esta foi a única obra escrita por Emily Brontë, e a sua primeira publicação em 1847 foi feita sob o pseudónimo Ellis Bell. Emily é uma das três irmãs Brontë, para além de Charlotte e Anne, ambas também autoras de obras reconhecidas pelo público e crítica (por exemplo, Jane Eyre e Agnes Grey, respectivamente). Muitas vezes apresentada como a história de amor entre Heathcliff e Catherine, O Monte dos Vendavais é, na minha opinião e acima de tudo, uma história marcada pela vingança, pelo ódio e pela obsessão.

Tudo começa em 1801, com a chegada do Sr. Lockwood à Herdade dos Tordos, para passar uma temporada nos ares do campo. Lockwood dirige-se então à propriedade do Monte dos Vendavais, onde residia o seu senhoria, o Sr. Heathcliff, a fim de se dar a conhecer e tratar com ele assuntos relativos ao aluguer da casa. Ao chegar lá, é confrontado com uma casa pouco acolhedora, pessoas muito pouco simpáticas e hospitaleiras e, acima de tudo, estranhamente misteriosas. Tanto Lockwood como o leitor são confrontados com este ambiente hostil, e a noite que lá passa permite que comecemos a tomar contacto com alguns pequenos detalhes que deixam entrever uma história no passado cheia de desgraças.

Quando regressa à Herdade dos Tordos, e por se encontrar a convalescer, Lockwood pede à governanta Nelly Dean que lhe conte o que sabe sobre Heathcliff, e é pela sua voz que o leitor é levado ao passado e conhece a estranha e negra história de Catherine Earnshaw e Heathcliff, cuja influência se estendeu aos seus descendentes. Precisamente por “ouvirmos” a história contada por uma terceira pessoa, existem sempre detalhes que desconhecemos, especialmente no que diz respeito às motivações por detrás dos actos das personagens principais, que apenas podemos adivinhar.

Já por diversas vezes tenho dito que as expectativas são o pior inimigo no que às leituras diz respeito, tal como na vida. Eu não sei ao certo o que esperava deste livro, mas sei que era muito diferente do que encontrei: um ambiente negro e deprimente, personagens marcadas pelo exacerbamento da insanidade e do orgulho, que, ao invés de lutarem pela sua felicidade, apenas provocam destruição e infortúnio nas pessoas que amam. Todo este ambiente domina o livro e é acompanhado pelos elementos e pela paisagem que rodeia as personagens, diria que de uma forma magistral. De facto, foi precisamente a forma como a autora transmite esta envolvência e opressão o aspecto que achei mais bem conseguido neste livro.

Quanto às personagens e ao enredo, tenho de confessar que não me consegui identificar com as primeiras e não posso dizer que tenha gostado particularmente do segundo. Suponho que isto tem a ver com estados de espírito, personalidade e as particularidades únicas que fascinam cada leitor, permitindo que, perante o mesmo livro, uns adorem e outros detestem. Não fiquei em nenhum desses dois extremos com este livro e posso dizer que compreendo, de certo modo, o fascínio e atracção que este livro possa exercer sob determinados leitores, mas comigo não funcionou muito bem, porque não é o tipo de histórias que mais me cativa.

Uma última nota para a edição que li, um livro de bolso da Europa-América. Não tenho grandes reparos a fazer à tradução e também não encontrei muitas gralhas, mas definitivamente a letra minúscula não facilita a leitura. Se estiverem interessados no livro, comprem outra edição.

Classificação: 7/10 – Bom

Livro n.º 30 de 2010


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.