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O Monte dos Vendavais

Thursday, April 8, 2010 Post de Célia

Autor: Emily Brontë
Título Original: Wuthering Heights (1847)
Editora: Europa-América
Páginas: 258
ISBN:9789721014923
Tradutor: Maria Franco e Cabral do Nascimento

Sinopse
A acção deste clássico da literatura inglesa decorre num ambiente rude e agreste, tendo como paisagem os montes de Yorkshire, onde Emily Brontë viveu durante muitos anos.
Por isso, o trágico drama de O Monte dos Ventos Uivantes atinge o cume de uma autobiografia em que a infância e adolescência de Emily, carregadas por uma imaginação fantástica, desempenham lugar de relevo no desenrolar desta história. A paixão de Catherine e o amor de Heathcliff assinalam de forma flagrante o fio romanesco desta obra.
Emily Brontë criou uma obra que é, sem dúvida, a expressão mais genuína, profunda e ambiguamente sofrida da alma inglesa.

Opinião
O Monte dos Vendavais (também publicado por cá com o título O Monte dos Ventos Uivantes ou O Alto dos Vendavais) é daquele tipo de livros que, pela sua fama e inúmeras adaptações ao cinema, já fazem parte do imaginário colectivo, mesmo para quem ainda não teve oportunidade de o ler. A minha oportunidade surgiu agora, numa leitura conjunta espontânea que decorreu no nosso fórum.

Esta foi a única obra escrita por Emily Brontë, e a sua primeira publicação em 1847 foi feita sob o pseudónimo Ellis Bell. Emily é uma das três irmãs Brontë, para além de Charlotte e Anne, ambas também autoras de obras reconhecidas pelo público e crítica (por exemplo, Jane Eyre e Agnes Grey, respectivamente). Muitas vezes apresentada como a história de amor entre Heathcliff e Catherine, O Monte dos Vendavais é, na minha opinião e acima de tudo, uma história marcada pela vingança, pelo ódio e pela obsessão.

Tudo começa em 1801, com a chegada do Sr. Lockwood à Herdade dos Tordos, para passar uma temporada nos ares do campo. Lockwood dirige-se então à propriedade do Monte dos Vendavais, onde residia o seu senhoria, o Sr. Heathcliff, a fim de se dar a conhecer e tratar com ele assuntos relativos ao aluguer da casa. Ao chegar lá, é confrontado com uma casa pouco acolhedora, pessoas muito pouco simpáticas e hospitaleiras e, acima de tudo, estranhamente misteriosas. Tanto Lockwood como o leitor são confrontados com este ambiente hostil, e a noite que lá passa permite que comecemos a tomar contacto com alguns pequenos detalhes que deixam entrever uma história no passado cheia de desgraças.

Quando regressa à Herdade dos Tordos, e por se encontrar a convalescer, Lockwood pede à governanta Nelly Dean que lhe conte o que sabe sobre Heathcliff, e é pela sua voz que o leitor é levado ao passado e conhece a estranha e negra história de Catherine Earnshaw e Heathcliff, cuja influência se estendeu aos seus descendentes. Precisamente por “ouvirmos” a história contada por uma terceira pessoa, existem sempre detalhes que desconhecemos, especialmente no que diz respeito às motivações por detrás dos actos das personagens principais, que apenas podemos adivinhar.

Já por diversas vezes tenho dito que as expectativas são o pior inimigo no que às leituras diz respeito, tal como na vida. Eu não sei ao certo o que esperava deste livro, mas sei que era muito diferente do que encontrei: um ambiente negro e deprimente, personagens marcadas pelo exacerbamento da insanidade e do orgulho, que, ao invés de lutarem pela sua felicidade, apenas provocam destruição e infortúnio nas pessoas que amam. Todo este ambiente domina o livro e é acompanhado pelos elementos e pela paisagem que rodeia as personagens, diria que de uma forma magistral. De facto, foi precisamente a forma como a autora transmite esta envolvência e opressão o aspecto que achei mais bem conseguido neste livro.

Quanto às personagens e ao enredo, tenho de confessar que não me consegui identificar com as primeiras e não posso dizer que tenha gostado particularmente do segundo. Suponho que isto tem a ver com estados de espírito, personalidade e as particularidades únicas que fascinam cada leitor, permitindo que, perante o mesmo livro, uns adorem e outros detestem. Não fiquei em nenhum desses dois extremos com este livro e posso dizer que compreendo, de certo modo, o fascínio e atracção que este livro possa exercer sob determinados leitores, mas comigo não funcionou muito bem, porque não é o tipo de histórias que mais me cativa.

Uma última nota para a edição que li, um livro de bolso da Europa-América. Não tenho grandes reparos a fazer à tradução e também não encontrei muitas gralhas, mas definitivamente a letra minúscula não facilita a leitura. Se estiverem interessados no livro, comprem outra edição. – Célia M.

7/10 – Bom

Livro n.º 30 de 2010


11 Responses to “O Monte dos Vendavais”

  1. Jacqueline' says:

    Eu fui das pessoas que adoraram as personagens, o facto de, como dizes, a história ser marcada pelo ódio e obsessão, e claro, achei muito interessante o ambiente daquele local. E penso que é por estas razões que se tornou tão conhecido, afinal de contas, a história tem, pelo menos para mim, algo de singular e único, pois é bem diferente dos outros que li da época. Talvez seja por isso que está entre os meus livros preferidos!

    No entanto, percebo perfeitamente o teu ponto de vista, aliás, é sempre bom ouvir opiniões diferentes.

  2. Ricardo Cardoso says:

    De facto, as edições da Europa-América são interessantes, mas podem ser aborrecidas em livros de maior dimensão e com letras minúsculas, eu gosto dessas edições mas em livros mais breves, e é uma chamada de atenção bastante pertinente que a Célia põe, porque eu próprio já comprei outras edições de livros porque a edição da Europa-América quase me obrigava a não avançar na história.

    Quanto ao livro, também tenho algumas expectativas a este livro, penso que elas existem porque este livro é um clássico, embora nem todos valham a pena ler, clássico é sempre uma referência, poderá não ser para nós, e isso cabe-nos distinguir mas apenas acontecerá quando o lermos, neste caso, nunca li nada desta autora, apesar dos imensos elogios já lidos, incluindo de António Lobo Antunes.

  3. Adeselna says:

    Adorei a personagem do Heathcliff. É bastante trágica e apesar de muita gente poder odiá-lo, devido à sua malvadez, suscitou-me bastante pena, vê-lo despojado do seu amor. Para a época e até para agora gostei de ver uma personagem masculina que tanto sofre, mas em vez de parecer idiota e chorar e lamentar a sua sorte, alimenta-se da raiva. A profundidade do Heathcliff é o que, na minha opinião, dá brilho ao livro. Li no original, nas edições de bolso da Penguin que também tem sensivelmente o mesmo tamanho de letra. Mas fiquei tão viciada na leitura que acabei em dois dias.
    Existe uma edição mais recente do livro, publicado pela Presença, se calhar com uma tradução melhor e uma componente gráfica melhorada. Custa mais (14€), mas para quem tem dificuldade em ler tamanhos tão pequenos, vale a pena :)

  4. Diana says:

    Ainda hoje passei pelo livro na fnac e fiquei a pensar “tenho que ler este livro outra vez…” Acho que lhe vou dar outra oportunidade lá mais para a frente.

  5. tonsdeazul says:

    Partilho da opinião da Adeselna. “O Monte dos Vendavais” não teria a mesma magnificência e nem a mesma beleza se não houvesse na sua história um personagem tão contraditório nos sentimentos que provoca no leitor e tão trágico por optar por uma vida tão conturbada, como é o Heathcliff.
    Toda a envolvência descritiva da obra enquadrada-se, sem dúvida, com este amor tempestuoso!

    Desde os meus tempos de adolescente que não adquiro livros das edições da Europa-América! Neste de Emily Brontë optei pela edição da Presença, porque gostei imenso da capa. :)

  6. Paula says:

    ADORREI este livro :)
    Um abraço

  7. Joao says:

    Este livro é fantástico! Um livro intemporal que será sempre uma referência! Muito me estranha que não lhe tenha agradado. Cumprimentos e aproveito para dar os parabéns pelo blog

  8. Rita says:

    eu adoro este livro e está entre os meus favoritos.
    Não me identifico muito com nenhuma das personagens mas sem dúvida que fiquei tanto temerosa como apaixonada pelo amor que há entre a Cathy e o Heathcliff. É uma história de ódio, vingança mas ao mesmo uma história entre duas personagens que são almas-gémeas e que se amam muito. Heathcliff apesar do abandono de Cathy, dos maltratos e da morte dela nunca a esqueceu e sempre a amou chegando mesmo a exigir ao coveiro que o enterrasse ao lado do que sobrava da Cathy (fiquei toda arrepiada!).
    O livro é maravilhoso e gostei tb muito do filme mas não há nada como ler e deixar a nossa imaginação trabalhar!

  9. Barroca says:

    Um dos meus livros favoritos!

    Um grande clássico que prova que nem sempre as histórias bonitas e com mensagens de esperança são aquelas que merecem ser lidas e recomendadas; o ser humano não é apenas luz, é também escuridão, loucura, tristeza.

  10. Nuno says:

    Dos melhores que já li até hoje. Marcou-me!

  11. Ana Azenha says:

    Identifico-me totalmente com a opinião da Célia. Achei o livro muito deprimente e as personagens muito rancorosas, cheias de ódio e infelicidade. Não me cativou nem um bocadinho… tenho pena, pois sendo um clássico tão aclamado tinha imaginado que gostaria mais.


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