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[Opinião] Bute Daí, Zé!, de Filomena Marona Beja

Autor: Filomena Marona Beja
Editora: Sextante
Páginas: 256
ISBN: 9789896760120

 

Sinopse: Lisboa, nas últimas décadas do século. Clama-se pelo direito à opinião. À Liberdade. 25 de Abril: solta-se a Utopia. Todos na rua, a cantar. Fim de Festa. Sobe a violência social. Cruza-se com racismo. Com agressão política. «Vais ficar assim, caído ao fundo de um beco?» «Bute daí, Zé!»

 

Opinião: A Revolução dos Cravos é um dos marcos históricos recentes na nossa história que mais me fascina, e por esse motivo conheço com relativa profundidade personagens, factos, motivações que rodeiam os acontecimentos que tiveram lugar a 25 Abril de ’74. Foi por isso com alguma curiosidade que parti para esta leitura, cujo enredo decorre e é influenciado pelo contexto tumultuoso desse período; também senti curiosidade por experimentar uma autora portuguesa da qual confesso nunca ter ouvido falar antes de este livro me chegar às mãos.

 

Bute Daí, Zé! segue a vida de vários jovens marcados, de uma ou outra forma, pelas diferenças sociais (muitas vezes, radicais) que marcaram o antes e o depois do 25 de Abril. Um deles José Carvalho, ou Zé da Messa, um dos políticos mais influentes do PSR (Partido Social Revolucionário), cuja morte, em 1989, às mãos de um skinhead, é também um dos acontecimentos centrais deste livro – apesar de ser o que lhe dá o seu fim.

 

Penso que a autora consegue criar bem o ambiente pós-Revolução, com todos os extremismos que o marcaram. No entanto, Filomena Marona Beja tem uma forma de escrita muito peculiar – ou pelo menos neste livro é isso que demonstra. Frases curtas, muitas vezes misturando ideias, personagens e situações de uma forma vertiginosa pareceram-me, inicialmente, uma forma original de contar uma história, mas depressa este estilo se tornou cansativo para mim e fez-me perder a concentração na história, pelo que foi frequente ter de voltar um pouco atrás para tentar perceber o que estava a acontecer. Quase como se as minhas tentativas para montar este “puzzle” se tivessem revelado infrutíferas, com pena minha.

 

Resumindo, achei a história interessante, na maioria do tempo, mas não me consegui adaptar como desejaria ao estilo da autora.



Classificação: 5/10 – Razoável

Livro n.º 28 de 2010


Sobre Célia