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[Opinião] Apanhado pela Tempestade, de Norman Ollestad

Autor: Norman Ollestad
Título Original: Crazy for the Storm – A Memoir of Survival (2009) 
Editora: Editorial Presença
Páginas: 269
ISBN: 9789722343176
Tradutor: Maria João Freire de Andrade
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Numa manhã de Fevereiro de 1979, contava Norman Ollestad apenas onze anos, o pequeno avião onde seguia com o pai, a namorada deste e o piloto a caminho de uma cerimónia de entrega de um prémio de esqui colidiu contra as montanhas San Bernardino no meio de um intenso nevoeiro. O seu pai e o piloto tiveram morte imediata, e Sandra, a namorada do pai, estava ferida, pelo que só dependia de Norman encontrar forma de serem socorridos. Norman desceu 2607 metros, sem equipamento nem auxílio, exposto à neve, ao gelo, ao vento e à neblina traiçoeira, guiado apenas pelas memórias da sua infância. Um relato emocionante de um sobrevivente que é também uma história sobre uma relação inspiradora e tensa entre pai e filho.

Opinião: Há já algum tempo que Apanhado pela Tempestade, de Norman Ollestad, estava na minha lista, mas, infelizmente, só agora tive oportunidade de o ler. E o melhor elogio que lhe posso fazer é que me demorei de mais. Esta obra autobiográfica é um verdadeiro exemplo de superação e uma bela homenagem ao pai do autor. Segundo consta, esta obra será adaptada para cinema e merece-o.

Apanhado pela Tempestade começa por contar o foco da estória, partindo-se depois para a descoberta do protagonista, Norman Ollestad, e do círculo familiar e de amizades que o rodeiam. Ao longo da obra, o autor intervalou a sua história/memórias com a descrição dos momentos que sucederam a trágica viagem de avião em que se viu envolvido, juntamente com o seu pai. Esta constante mudança de planos permite-nos conhecer melhor o autor e faz com que o seu relato pareça simples, menos pesado e um retrato de imagens que lhe voltam à cabeça, como flashes.

Ao longo da obra, acompanhamos muitas das aventuras de Norman e o seu pai, louco pela adrenalina. Nem sempre as suas formas de estar se adaptam, mas, ainda assim, a relação pai-filho que nos retratam é forte e unida. Por isso mesmo, depois, diante dos trágicos acontecimentos, o leitor emociona-se pela forma como o protagonista lida com a perda e tenta superar a tragédia, sobrevivendo. A cada retrato, o leitor é confrontado com a pequenez da condição humana, o que suscita, interiormente, várias questões.

A forma simples e descontraída, pontilhada por descrições sofridas e realistas, como Norman Ollestad relata a sua tragédia retiram algum dramatismo à obra, tornando-a, por isso, mais cativante. Mais do que partilhar uma trágica memória da sua vida, o autor pretende transmitir um exemplo de sobrevivência, de força, de querer e, sobretudo, expressar o seu amor pelo pai. Naturalmente, as emoções estão à flor da pele, sendo que cada capítulo da tragédia é uma caixinha de surpresas. A história é triste, sim, mas, acima de tudo, este livro é uma verdadeira lição de vida. Recomendo. – Cristina

Classificação: 7/10 – Bom


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.