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[Opinião] Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll

Autor: Lewis Carroll
Título Original: Alice’s Adventures in Wonderland (1865)
Editora: Abril/Controljornal (Biblioteca Visão #11)
Páginas: 96
ISBN: 9726116074
Tradutor: Vera Azancot
Origem: Comprado

Sinopse: É um dos mais extraordinários contos de fadas de sempre, onde a imaginação reina como senhora absoluta, o absurdo e o nonsense delirante dominam e onde tudo é possível. O Coelho Branco, o Gato de Cheshire, a Lebre de Março, o Chapeleiro Maluco, a Rainha de Copas…e, claro, Alice…Quem não se lembra das personagens que Lewis Carroll imortalizou e que fazem parte do imaginário de várias gerações?

Opinião: Alice no País das Maravilhas é algo que faz parte do meu imaginário de criança, muito por culpa da excelente série de desenhos animados que estreou na televisão portuguesa em 1987 (mas que suponho deve ter sido repetida mais tarde, uma vez que me lembro de ter mais de 5 anos quando a vi), uma co-produção germano-japonesa de 52 episódios.

Precisamente por estas histórias terem marcado a minha infância, sempre senti algumas reticências em ler o livro que lhes serviu de base com medo que, de certo modo, a magia se desvanecesse. No entanto, pelo facto de ter estreado recentemente mais uma adaptação deste livro, da autoria do realizador Tim Burton, e porque sinto alguma curiosidade pelo filme, decidi-me a pegar no livro que já tinha em casa há algum tempo.

O livro relata uma série de aventuras vividas pela pequena Alice depois de decidir seguir um peculiar coelho para a sua tocar e cair por um buraco que a leva a entrar num país cheio de criaturas e situações bizarras. O referido coelho aparece em várias situações no livro e parece estar sempre atrasado; a Rainha de Copas tem uma vontade contínua de cortar cabeças; o Chapeleiro Maluco, a Lebre de Março e o Arganaz tomam chá juntos; Alice passa o livro todo a beber ou a comer coisas que aumentam ou reduzem o seu tamanho. Muitas outras personagens surgem ao longo do livro, e as situações caricatas sucedem-se a um ritmo alucinante.

É um livro pequeno, rápido de se ler. Muitas vezes catalogado como livro para crianças, sinceramente tenho muitas dificuldades em rotulá-lo como tal. Durante esta leitura, fiz várias vezes o exercício de colocar-me na pele de uma criança e no que pensaria ao ler aquele texto – duvido que gostasse; mesmo quando não o fiz, não me ocorre outra palavra para descrever o que li: estranho. Começando pelas personagens, passando pelo enredo e terminando nos próprios diálogos, nada parece fazer sentido.

Alguma pesquisa que fiz após a leitura do livro ajudou-me a esclarecer alguns aspectos e a perceber a grande quantidade de significados “ocultos” e simbolismos que o autor colocou neste texto, pouco ou nada perceptíveis para quem não tem o devido background sobre a história do livro e o seu autor, e que talvez contribuam para acentuar a estranheza que percorre este livro.

Não posso dizer que tenha gostado deste livro, porque não se enquadra naquilo que mais valorizo na literatura infantil e olhando para ele com olhos adultos foi demasiado nonsense para o meu gosto. Valeu pela marca que deixou no imaginário colectivo e por me ter feito recordar os desenhos animados que tanto gostei de ver em criança. 

Classificação: 5/10 – Razoável

Livro n.º 37 de 2010


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.