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[Opinião] A Virgem das Amêndoas, de Marina Fiorato

Autor: Marina Fiorato
Título Original: The Madonna of the Almonds (2007)
Editora: Porto Editora
Páginas: 288
ISBN: 9789720042859
Tradutor: Isabel Alves
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Na Itália do século XVI, o jovem pintor Bernardino Luini, discípulo favorito do mestre Leonardo da Vinci, é encarregado de pintar um fresco religioso na igreja de Saronno, uma pequena localidade nas colinas da Lombardia. Ao entrar na igreja, a sua atenção é captada pela beleza e pela melancolia da jovem Simonetta, viúva de um poderoso senhor feudal morto em combate. Sozinha e a ver a sua fortuna desaparecer até não restar nada mais a não ser as amendoeiras da sua villa, Simonetta acede a posar como modelo para Luini, que a imortalizará para sempre nos frescos da igreja como a Virgem di Saronno. À medida que o trabalho progride, artista e modelo apaixonam-se, selando o sentimento com um beijo que escandalizará a Igreja. À genialidade com que Bernardino imortalizará a sua musa, Simonetta retribui com a criação da sua própria obra de arte: um licor especial fabricado com o fruto das suas amendoeiras. O licor ficará conhecido, até aos dias de hoje, como o famoso Amaretto di Saronno. Contudo, antes de ambos completarem as suas obras, a relação é fortemente abalada por um acontecimento que porá em perigo aquele amor. E as suas vidas. Uma inesquecível história de paixão e arte que se desenrola tendo como pano de fundo uma Itália Renascentista, onde a intriga, os escândalos, a guerra e a intolerância religiosa imperavam no dia a dia.

Opinião: A Virgem das Amêndoas é um romance histórico, cuja acção decorre na Itália do século XVI, no auge da criação artística renascentista.

Uma das personagens principais deste livro é Bernardino Luini, um pintor do círculo de Leonardo da Vinci que por volta de 1525, ano em que esta história se inicia, se desloca a Saronno (Lombardia) para pintar um fresco na Igreja de Santa Maria dei Miracoli. Lá encontra Simonetta, uma bela e jovem viúva, que se encontra em apuros financeiros e que, como tal, aceita servir de modelo à Virgem que Bernardino pintará no seu fresco. Com o passar do tempo, os dois acabam por se apaixonar, mas as pressões sociais irão dificultar a concretização do seu amor.

Mas esta não é a única história de amor neste livro. Paralelamente, acompanhamos Amaria e a sua avó Nonna, duas mulheres de origens humildes que encontram um homem na floresta, sem memória e completamente destroçado fisicamente, que apelidam de Selvaggio. As duas, especialmente Amaria, irão ajudá-lo a recuperar a sua sanidade física e mental, mas ao mesmo tempo temem que recupere a memória e as abandone.

Não é difícil para o leitor adivinhar que estas duas histórias se encontram, de algum modo, relacionadas, e que a qualquer momento as suas personagens irão cruzar-se. Também não é difícil adivinhar em que sentido isso poderá acontecer e foi precisamente esta previsibilidade que não permitiu que tivesse disfrutado ainda mais desta leitura. De resto, gostei de “conhecer” o pintor Bernardino Luini e foi uma boa oportunidade para pesquisar mais sobre a sua vida e obra. Interessantes foram também as descrições da elaboração do licor Amaretto, e um pouco mais de pesquisa permitiu-me descobrir que a lenda da sua criação é precisamente a história que serve de ponto de partida a este livro.

Com ficção e factos históricos bem doseados e uma escrita competente, é um romance de leitura bastante agradável e que proporciona bons momentos de leitura. Recomendo.

Classificação: 7/10 – Bom

Livro n.º 29 de 2010


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.