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[Opinião] A Filha do Regedor, de Andrea Vitali

Autor: Andrea Vitali
Título Original: La Figlia del Podestà (2005)
Editora: Porto Editora
Páginas: 352
ISBN: 9789720041968
Tradutor: Regina Valente
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: 1931. Enquanto a Itália dá os primeiros passos no fascismo, uma pequena cidade situada nas margens do lago de Como está em polvorosa.
Agostino Meccia, o regedor de Bellano, está determinado a implementar na localidade um projecto ambicioso: uma linha de hidroaviões que ligará Como, Lugano e Bellano. O empreendimento dará prestígio à sua administração, atrairá uma multidão de turistas e fará a inveja dos municípios vizinhos. Uma ideia brilhante… não fosse um problema de tesouraria. Porém, contra todas as contestações, Agostino Meccia não se coíbe de exercer o seu poder totalitário, recorrendo aos fundos reservados do município para levar os seus planos avante. Tudo parece estar a correr-lhe de feição, até que as complicações começam a surgir…
Por outro lado, a súbita paixão entre a sua filha, a jovem Renata, e Vittorio, o filho do padeiro Barbieri, ameaça trazer a lume um segredo que porá em causa a honra de ambas as famílias.
Entre escândalos e intrigas, paixões e fraquezas, Andrea Vitali faz desfilar diante do leitor uma miríade de personagens de opereta que compõem este retrato picaresco e absorvente da Itália dos anos 30.

Opinião: Andrea Vitali é um escritor italiano bastante prolífico, tendo começado a sua carreira em 1990 e, desde então, já publicou mais de duas dezenas de livros, sendo que nos últimos anos as suas obras têm sido distinguidas em Itália, através da atribuição de vários prémios. A Filha do Regedor é o primeiro livro de sua autoria publicado em Portugal.

O escritor é originário de Bellano, uma das localidades à beira do Lago Como (norte de Itália) e é precisamente esta localidade que serve de pano de fundo a este livro, cuja história decorre nos anos 30 do séc. XX, em plena ascensão e domínio do regime fascista de Mussolini. O conhecimento do autor sobre esta localidade em particular e sobre a história os seus usos e costumes é particularmente notório, constituindo, desde logo, uma mais-valia.

A família do Regedor (uma espécie de Presidente da Câmara da época) e diversas personagens de Bellano povoam este livro, cada um reclamando para si um pouco do enredo que presenciamos, que tem dois pólos de interesse principais: o despertar para o amor de Renata, a filha do Regedor, e um empreendimento que implementará uma linha de hidroaviões em Bellano. A paixão de Renata fica mesmo, a partir de certa altura, relegada para um segundo plano, focando-se mais o livro nas peripécias rocambolescas da chegada de um avião e do seu piloto a Bellano.

Apesar de ter mais de 300 páginas é um livro que se lê num ápice, pelos capítulos curtos, prosa fluida, laivos humorísticos e pela forma cativante como o autor vai dispondo as histórias das suas personagens ao longo do livro. É também um retrato de época bem conseguido, mas que não é (nem se assume) como um romance histórico no sentido mais estrito do termo; é antes um enredo que realça comportamentos que, apesar de estarem aqui enquadrados por uma época histórica, continuam a ser bastante actuais. Uma leitura leve, várias vezes divertida, mas que nunca perde o interesse. 

Classificação: 7/10 – Bom

Livro n.º 36 de 2010


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.