Home / 6/10 / [Opinião] O Braço Esquerdo de Deus, de Paul Hoffman

[Opinião] O Braço Esquerdo de Deus, de Paul Hoffman

Autor: Paul Hoffman
Título Original: The Left Hand of God (2010)
Série: Thomas Cale #1
Editora: Porto Editora
Páginas: 400
ISBN: 9789720040893
Tradutor: Mário Dias Correia
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: A sua chegada foi profetizada. Dizem que ele destruirá o mundo. Talvez o faça…
“Escutem. O Santuário dos Redentores, em Shotover Scarp, é uma mentira infame, pois lá ninguém encontra santuário e muito menos redenção.”
O Santuário dos Redentores é um lugar vasto e isolado – um lugar sem alegria e esperança. A maior parte dos seus ocupantes foi levada para lá ainda em criança e submetida durante anos ao brutal regime dos Redentores, cuja crueldade e violência têm apenas um objectivo – servir a Única e Verdadeira Fé. Num dos lúgubres e labirínticos corredores do Santuário, um jovem acólito ousa violar as regras e espreitar por uma janela. Terá talvez uns catorze ou quinze anos, não sabe ao certo, ninguém sabe, e há muito que esqueceu o seu nome verdadeiro – agora chamam-lhe Cale.
É um rapaz estranho e reservado, engenhoso e fascinante. Está tão habituado à crueldade que parece imune a ela, até ao dia em que abre a porta errada na altura errada e testemunha um acto tão terrível que a única solução possível é a fuga.
Mas os Redentores querem Cale a qualquer preço, não por causa do segredo que ele sabe mas por outro de que ele nem sequer desconfia.

Opinião: O Braço Esquerdo de Deus, do americano Paul Hoffman, é um dos livros que mais hype causou nos últimos tempos entre os fãs da ficção especulativa. O protagonista desta história é Cale, um jovem que, juntamente com outros rapazes estão num Santuário gerido pelos Redentores, um local repleto de medo, violência e terror – supostamente justificados pelo o objectivo de respeitar a vontade de Deus. Cale e os seus amigos Henri Vago e Kleist descobrem que no Santuário existe mais do que parece à primeira vista, o que acaba por levá-los a empreender uma fuga do recinto e a entrarem num mundo completamente diferente, a cidade de Memphis, governada pelos Materazzi.

Toda a fase inicial do livro, quando Cale ainda se encontra no Santuário, é bastante promissora. O ambiente sombrio e claustrofóbico do local é bem transmitido, e surgem alguns mistérios que deixam o leitor curioso. Pena é que a promessa não se concretiza no resto do livro. Achei que parte de uma premissa muito interessante, mas acaba por cair numa série de lugares-comuns que, não tornando a história propriamente desprovida de interesse, poderão não cativar leitores que já leram vários outros livros cujo enredo não foge muito a este. A personagem principal, Cale, sofre um pouco deste síndrome: de início, pouco se revela ao leitor e conserva uma aura misteriosa que o torna interessante, mas com o decorrer da história, acaba por se transformar no herói relutante que já vimos em tantas e tantas histórias. E ele, tal como a grande maioria das personagens, é abordado de forma algo superficial, o que fez com que o laço que criei com elas não fosse propriamente muito forte.

Fiquei também com a sensação que o autor tentou colocar na sua história elementos que agradassem a vários tipos de leitores porque ora assume um tom marcadamente juvenil, até humorístico, ora estamos perante acontecimentos bastante sérios e negros; assume-se como uma obra de fantasia, mas não encontramos magia ou seres sobrenaturais na história; entrevemos um toque de história alternativa, que nunca se confirma propriamente. O mundo criado pelo autor tem um nível de desenvolvimento razoavelmente detalhado, mas pareceu-me que poderia ter sido melhor aprofundado.

Apesar de tudo isto, não posso dizer que não gostei do livro. Apesar de todos os aspectos menos positivos que apontei, as páginas viram-se muito depressa e torna-se estranhamente viciante. Isto, juntamente com a curiosidade em saber que direcção a história irá tomar – a verdade é que as pistas são escassas – , faz-me ficar com vontade de ler a continuação. 

Classificação: 6/10 – Interessante

Livro n.º 18 de 2010


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.