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Nocturno Chileno

Wednesday, March 17, 2010 Post de Estante de Livros

Autor: Roberto Bolaño
Título Original: Nocturno de Chile (2000)
Editora: Gótica
Páginas: 150
ISBN: 9727920470
Tradutor: Rui Lagartinho e Sofia Castro Rodrigues

Sinopse
Sebastián Urrutia Lacroix, sacerdote e crítico literário, membro da Opus Dei e poeta medíocre, relembra numa única noite de febre alta os momentos mais importantes da sua vida, convencido de que vai morrer, embora à medida que a noite avança a febre vai baixando e o delírio atenua-se com o aparecimento de monstros gélidos…

 

Opinião
Impulsionado por uma tremenda operação de marketing, Roberto Bolaño está na moda em Portugal, as edições dos seus livros têm estado em destaque nas livrarias, mas principalmente na blogosfera, parecendo que toda a gente apenas só conhece Bolaño. Mas depois de ler “Nocturno Chileno”, e de já ter lido “Estrela Distante”, talvez compreenda o porquê de todo o entusiasmo pela obra do chileno. A sua obra, pelo menos os livros que li, merece toda a atenção por parte dos leitores, pelo menos, igual à de muitos outros autores que estão nos top’s de leitura.

“Nocturno Chileno” é uma espécie de conto longo, onde Bolaño nos convida a entrar nos seus labirintos. Apesar de ser apenas um capítulo, são várias as estórias que lemos nas suas breves páginas.

Penso que seja nesse ponto que se encontra o brilho das suas obras, o chileno tem uma particularidade que me parece fascinante: ele desenrola a estória principal em outras “sub-estórias”. Passamos de uma para outra sem nos apercebemos, o que dá uma sensação de que entrarmos num labirinto em que abrimos várias portas, sempre à procura de ficarmos surpreendidos. Isso cria também uma sensação viciante pela procura daquilo que vamos encontrar na página seguinte; sentimos, sem existir qualquer referência a isso, que algo de muito marcante irá acontecer.

A estória principal gira à volta de Sebastián Lacroix, um sacerdote, poeta e crítico literário que, quando confrontado pela sua morte evidente, faz uma pequena biografia, contada sempre na primeira pessoa, sobre alguns episódios mais marcantes e bizarros da sua preenchida vida.

Tem, como já referi, várias outras sub-personagens que vão entrando no livro, desde poetas, críticos literários, (neste livro existem várias referência sobre Literatura), padres, e até uma estória (para mim a melhor de todas e aquela que tenho pena de não ser mais desenvolvida) em que Lacroix dá a Pinochet lições de marxismo.

Um livro breve, mas de tal intensidade e tal beleza que não posso deixar de aconselhar a todos. Quanto ao autor, certamente, irei voltar às suas obras muito brevemente. – Ricardo

9/10 – Excelente






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6 Responses to “Nocturno Chileno”

  1. Carriço says:

    Pondo de parte o hype criado em torno de Bolaño, resta salientar o essencial: é realmente um escritor de mão cheia. 2666 é um turbilhão, onde toda a humanidade é metida entre capas, e O Terceiro Reich está a ser uma leitura em contra-relógio, animada por um crescente interesse. Há sempre inquietação, desespero…
    Já faz parte dos autores preferidos, sem dúvida.

  2. Ricardo Cardoso says:

    Acho que esse hype também faz com que algumas pessoas fujam à sua obra,o que para mim até acho normal, eu, por exemplo, fujo de todas as obras de vampiros e afins, assim como imitações rascas de Dan Browns ( se até fujo do original quanto mais das imitações) .

    Mas penso que um dia elas lá chegarão, porque as obras de qualidade ficam sempre e irão compreender que Bolaño não é apenas uma questão de simples moda ou marketing eficaz da editora.

  3. Ricardo Cardoso says:

    já agora, e para um melhor complemento da minha ideia, e para que não corra o risco de não ser bem compreendido, para que não pensem que só aquilo que eu leio é que vale, também digo que as obras de vampiros e afins que tenham qualidade eu, mais tarde ou mais cedo, possa chegar até elas. Por essas razões, compreendo o porquê das pessoas não quererem ler agora Bolaño e querem deixar a “poeira assentar”.

  4. Fico preocupado quando dizes que ele é pelo meno tão bom como os outros escritores de top das livrarias!

    Seja como for devo dizer que não conheço o autor. Estou curioso relativamente ao 2666 que devo ler em breve. Vou procurar partir para estas leituras sem preconceito!

    Cumprimentos,
    Filipe de Arede Nunes

  5. Ricardo Cardoso says:

    Eu quando digo que é pelo menos igual é porque não quero ser preconceituoso para com os outros. Mas na minha opinião, mete no bolso todos os outros que estão no top.

  6. Ricardo,

    Provavelmente induzi-te em erro. Eu é que tenho preconceito para com os outros escritores do top!

    Cumprimentos,
    Filipe de Arede Nunes


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