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[Opinião] Flashforward – Presságio do Futuro, de Robert J. Sawyer

Autor: Robert J. Sawyer
Título Original: Flashforward (1999)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 288
ISBN: 9789896371913
Tradutor: Susana Serrão
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: O que faria se tivesse um vislumbre trágico do seu próprio futuro? Tentaria mudar as coisas, ou aceitaria que o futuro é imutável? Em Flashforward – Presságio do Futuro, é iniciada uma experiência científica que conduz ao inesperado: o mundo inteiro cai inconsciente por instantes e todas as mentes são projectadas vinte anos no futuro. Quando a humanidade desperta, o caos impera por todo o lado: carros arruinados, cirurgias falhadas, quedas, destruição em massa e um elevado número de mortes. Mas esse é apenas o início. Passado o choque das visões, cada indivíduo tenta desesperadamente evitar ou assegurar o seu próprio futuro vislumbrado… Expondo as perspectivas de várias personagens, Robert J. Sawyer realiza uma brilhante reflexão filosófica sobre viagens no tempo, consciência, destino e o que significa ser humano.

Opinião: Imaginem que estavam muito bem no vosso cantinho e de repente têm uma espécie de desmaio, que dura cerca de 2 minutos, no qual têm uma visão de vós próprios, daqui a 21 anos, num determinado momento do tempo. Interessante, não é? É precisamente este o ponto de partida deste livro do escritor de ficção científica, Robert J. Sawyer, que serviu de base à série com o mesmo nome.

Antes de falar do livro propriamente dito, deixem-me falar-vos um pouco do motivo que o trouxe à ribalta: a série televisiva. Actualmente na primeira temporada, a série é bastante diferente do livro: pega na ideia-base, o flashforward, mas ao invés de 21 anos, o flashforward situa-se apenas a 6 meses de distância; para além disso, as personagens e o contexto da história é completamente diferente (americanizada, pois claro) e, apesar de na série ainda não se saber quais os motivos que originaram o fenónemo, já se adivinha um rumo bem diferente daquele que o livro toma.

No livro, o flashforward é fruto de uma experiência científica, no CERN (Suíça), quando se tentava observar o bosão de Higgs (nem de propósito, ainda ontem se conseguiram avanços muito importantes nesta matéria, numa experiência levada a cabo no CERN – esperei, em vão, ter um flashforward… mas nada 😉 ). As duas personagens principais deste livro são dois dos cientistas que participavam nesta experiência: Lloyd Simcoe e Theo Procopides. O primeiro tem uma visão dele próprio com uma mulher desconhecida, com a qual é casado no futuro, quando no presente se encontra noivo da cientista japonesa Michiko; Theo não tem visão absolutamente nenhuma e tudo aponta para que, na data em que todas as outras pessoas tiveram as suas visões, coincidentes ao segundo, esteja morto. Lloyd luta para perceber como poderá algum dia separar-se de Michiko e Theo empreende uma pesquisa que o permita descobrir mais detalhes sobre a sua suposta morte.

No decorrer do livro, temos oportunidade de nos deparar com várias questões: valerá a curiosidade de saber o que o futuro nos reserva as consequências que daí podem advir? O livro prova-nos que, se esse vislumbre do futuro nos poderia dar alento e esperança, também poderia arruinar os nossos sonhos. Outra das questões centrais deste livro é destino: será que o nosso futuro é inalterável? Ou será que o nosso livre-arbítrio é quem comanda?

Achei a ideia deste livro, o seu ponto de partida, simplesmente genial. Gostei das questões que levanta, das dúvidas que as personagens encaram. Gostei dos pequenos detalhes, como o facto de alguém ter visto que em 2030 a América teria um presidente afro-americano (sendo o livro escrito em 1999, o autor não sabia que Barack Obama iria vencer as eleições 9 anos decorridos). Gostei do relato das notícias, no início de cada capítulo, que davam conta das consequências para a sociedade em geral da junção das visões de várias pessoas – empresas falidas, oportunidades de negócio… O que não apreciei particularmente foi o final: acho que não está à altura do resto do livro, mas também há que reconhecer que, partindo de uma ideia tão interessante, com tantas questões pelo meio, concluir à altura era complicado.

Nota final para a excelente tradução, que se torna mais valiosa pela grande profusão de termos científicos, mais propriamente relacionados com a física. Boa revisão também, não encontrei uma única gralha no livro.

Classificação:
8/10 – Muito Bom

Livro n.º 27 de 2010


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.