Home / 8/10 / [Opinião] A Noiva Bórgia, de Jeanne Kalogridis

[Opinião] A Noiva Bórgia, de Jeanne Kalogridis

Autor: Jeanne Kalogridis
Título Original: The Borgia Bride (2005)
Editora: Difel
Páginas: 512
ISBN:9789722907767
Tradutor: Maria Fátima St. Aubyn
Origem: Comprado

Sinopse: Incesto, envenenamento, traição. Um fabuloso romance histórico que nos transporta ao século XVI e ao coração do consulado da família Bórgia…Uma perigosa sedutora… O seu impiedoso irmão… E uma mulher inteligente e ambiciosa que se interpõe entre ambos.
Sancha de Aragão, uma mulher cheia de vivacidade, chega a Roma recém-casada com um elemento da mal-afamada dinastia Bórgia. Rodeada pela opulência da cidade e pela corrupção política, trava amizade com a deslumbrante e pérfida cunhada, Lucrécia, cujo ciúme é tão lendário quanto a sua beleza. Há quem diga que Lucrécia envenenava as suas rivais, em especial aquelas a quem o seu atraente irmão, César, entregava o coração. Assim, quando Sancha é conquistada pelo charme irresistível de César, tem de esconder este segredo, pois, de outro modo, arriscar-se-ia a perder a vida. Apanhada nas malhas sinistras dos Bórgias, reúne toda a sua coragem e recorre à astúcia para derrotar a família no jogo em que esta é especialista.

Opinião: Como o título indica, este romance histórico de Jeanne Kalogridis incide sobre os Bórgia, família que sempre me fascinou pela suas manhas, jogos de poder e pecados. Andei com este livro debaixo de olho, durante bastante tempo, pelo que as expectativas eram muitas e, no cômputo geral, não me sinto defraudada. Depois de A Família, de Mário Puzo, A Noiva Bórgia revela-se um manual igualmente forte em aspectos históricos verídicos, bem combinados com ficção.

É verdade que o tema Bórgia é transcendente às duas obras referidas acima, mas a diferença está no facto de, em A Noiva Bórgia, sermos confrontados com a perspectiva externa de alguém que, por força do casamento e da política, se uniu à família Bórgia e testemunhou muitos dos seus actos atrozes, Sancha de Aragão. Ela é, de facto, a personagem central da obra e é o seu testemunho que vamos acompanhando. A narrativa centra-se em quinze anos de História (1488-1503), durante os quais vamos conhecendo o percurso desta nobre e a forma como o seu destino se cruza com cada um dos Bórgia: Rodrigo (o Papa Alexandre VI), César, Juan, Lucrécia e Jofre, assim como todas as consequências que daí advêm.

Apesar de ser contada na primeira pessoa, a narrativa nunca se torna monótona, antes pelo contrário, o registo é sempre vivo e fluente, recheado de pontos de interesse nas entrelinhas. Parece que estamos a ouvir alguém confessar-se, ao mesmo tempo que presenciamos os actos mais incríveis e impensáveis, em nome do Poder e da força. Já tinha conhecimento de alguns dos acontecimentos relatados, mas nem por isso deixei de me impressionar. Os jogos de poder e intriga que se criam à volta desta família e a impunidade de que gozou este Papa são inacreditáveis e dão, certamente, azo a vários debates. Daí que a obra revele, igualmente, um pequeno turbilhão de emoções, levando o leitor a aplaudir ou a repudiar determinados actos.

Sancha de Aragão é a figura central da trama, mas há espaço para outras e igualmente interessantes personagens. À autora cabe o mérito de não fazer com que a narrativa se perca na história da família Bórgia, permitindo-nos conhecer outras casas de Itália, como os Sforza, por exemplo, bem como os panoramas políticos Espanhol e Francês da época. Para quem aprecia romances históricos, é um livro a ler, sem dúvida. – Cristina

Classificação: 8/10 – Muito Bom


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.