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[Opinião] A Aia da Rainha, de Barbara Kyle

Autor: Barbara Kyle
Título Original: The Queen’s Lady / A Dangerous Temptation (1994)
Série: Tornleigh #1
Editora: Planeta
Páginas: 560
ISBN: 9789896570583
Tradutor: Maria José Figueiredo
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Na melhor tradição de Philippa Gregory, chega-nos agora um apaixonante romance histórico situado no tempo de Henrique VIII. Londres, 1527. Casar ou servir: Para Honor Larke, a escolha é clara: Pouco disposta a morrer de tédio como esposa obediente, ela deixa a casa do seu tutor, o brilhante sir Thomas More, e torna-se aia da rainha Catarina de Aragão. Um cargo onde aprenderá muita coisa, dado que terá de conviver com o orgulho, a paixão, a ganância, e ainda a consciência de um rei, que anseia desesperadamente pelo divórcio, a fim de poder casar-se com a ousada Ana Bolena. Honor aia e fiel amiga de Catarina de Aragão não pode compactuar com o ultraje que é feito à rainha e voluntaria-se para ser portadora de cartas desta para os seus aliados. No meio desta intriga palaciana Honor fica subitamente na posse de um segredo que pode destruir um reino e a sua futura rainha…

Opinião: A Aia da Rainha é um romance histórico que conta a história de Honor Larke, uma jovem que, após ter ficado sem família, se torna protegida do famoso Thomas More e, mais tarde, ascende ao cargo de aia da rainha Catarina de Aragão na altura em que Henrique VIII começou a luta com a Igreja para conseguir o divórcio e casar com Ana Bolena. Este livro é o primeiro da série Tornleigh e, segundo a informação na badana do livro, o segundo, A Filha do Rei, irá ser publicado em breve por cá. O terceiro, The Queen’s Captive, tem publicação prevista para Agosto deste ano, no original.

O título do livro é um pouco enganador, uma vez que só numa primeira fase a história se centra nas funções de Honor como aia de Catarina de Aragão, até que começa a ser dado mais destaque às iniciativas de Honor para salvar os hereges de serem condenados à morte, com a ajuda de Richard Tornleigh, um mercador que disponibiliza os seus barcos para transportar essas pessoas, às escondidas, para outros países. Aliás, toda a história (mais que conhecida) de como Henrique VIII se quis “livrar” da sua primeira esposa e do seu relacionamento com Ana Bolena, é apenas um enredo secundário cujos desenvolvimentos vamos seguindo amiúde ao longo do livro, mais como contexto histórico.

Como disse, Honor leva a cabo diversas iniciativas para salvar as pessoas que eram condenadas por heresia, para o que bastavam coisas tão simples como transportar traduções inglesas da Bíblia, da autoria de William Tyndale, que a Igreja considerava desvirtuar o sentido das palavras originais (curioso que, como a autora refere na nota final, tenha sido precisamente esta tradução a servir de base a uma tradução posterior autorizada pela Igreja). O livro dedica grandes secções às ideias religiosas correntes no século XVI em Inglaterra (e um pouco por toda a Europa), mas de uma forma sempre interessante e pouco fastidiosa. A personagem principal tem vários diálogos bastante eloquentes com Thomas More ou com Erasmo de Roterdão, por exemplo, que ajudam o leitor a familiarizar-se com as ideias religiosas vigentes na época.

Para além disso, o livro contém aventura, romance e intriga q.b., que me manteve quase sempre agarrada à história e com vontade de saber o que ia acontecer. Gostei do facto de a autora ter escolhido não dar tanto destaque a Henrique VIII e afins, até porque quem se interessa por este período histórico já leu certamente outros livros em que a sua história é mais desenvolvida (por exemplo, Duas Irmãs, um Rei, de Phillipa Gregory). Portanto, acho que acaba por ser uma abordagem diferente, mas que gostei bastante. Tenho apenas a apontar algumas partes do enredo que julgo que poderiam ter sido suprimidas a bem da fluidez da narrativa.

Termino esta opinião com algo que acho valer a pena destacar, especialmente num livro com tantas páginas: não encontrei uma única gralha nesta tradução, e já nem me lembro do último livro em que isto aconteceu. Os meus parabéns à tradutora e ao responsável pela revisão. 

Classificação: 8/10 – Muito Bom

Livro n.º 16 de 2010


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.