O Jardim dos Segredos
Autor: Kate Morton
Título Original: The Forgotten Garden (2008)
Editora: Porto Editora
Páginas: 552
ISBN: 9789720041722
Tradutor: Cristina Correia
Sinopse
Uma criança perdida: em 1913 uma criança é encontrada só, num barco que se dirigia à Austrália. Uma mulher misteriosa prometera tomar conta dela, mas desapareceu sem deixar rasto.
Um terrível segredo: no seu 21.º aniversário, Nell Andrews descobre algo que mudará a sua vida para sempre. Décadas depois, embarca em busca da verdade, numa demanda que a conduz até à costa da Cornualha e à bela e misteriosa Mansão Blackhurst.
Uma herança misteriosa: aquando do falecimento de Nell, a neta, Cassandra, depara-se com uma herança surpreendente. A Casa da Falésia e o seu jardim abandonado são famosos nas redondezas pelos segredos que ocultam – segredos sobre a família Mountrachet e a sua governanta, Eliza Makepeace, uma escritora de obscuros contos de fadas. É aqui que Cassandra irá por fim desvelar a verdade sobre a família e resolver o mistério de uma pequena criança perdida.
Opinião
Desde que li O Segredo da Casa de Riverton, livro que gostei muito, que tinha curiosidade para ler mais desta autora e poder confirmar a excelente impressão que esse livro me tinha deixado. Este O Jardim dos Segredos foi publicado em 2008 e chega agora a Portugal através da Porto Editora. Caso desejem, podem ver este vídeo onde a própria autora resume a história do livro.
Esta história começa em 1913, com uma criança inglesa de quatro anos, sozinha num barco rumo à Austrália. Com ela, Nell apenas leva uma pequena mala branca que contém, entre outras coisas, um livro de contos para crianças da autoria de Eliza Makepeace. É à volta deste mistério que todo o livro se vai desenrolar, alternando perspectivas do período 1900-1913, que inclui o relato dos acontecimentos que antecederam a viagem de Nell; 1975, quando o pai adoptivo de Nell morre, lhe dá a mala, e ela parte rumo a Inglaterra para tentar descobrir as suas origens; e 2005, quando Nell morre, deixa uma casa em Inglaterra à sua neta Cassandra e esta decide fazer a mesma viagem de Nell e descobrir finalmente aquilo que a sua avó não conseguiu descobrir. Dentro das perspectivas temporais, temos também perspectivas de várias personagens, que vão completando o puzzle que nos permitirá descortinar a imagem final. Para além de tudo isto, o livro inclui também três contos infantis, que faziam parte do livro de Nell e que, para além de serem histórias mágicas, funcionam como metáforas para a história que estamos a ler.
A estrutura que Kate Morton escolheu para o seu livro é arriscada: os constantes saltos temporais na história, juntamente com os vários fios e segredos que vão sendo desenredados, facilmente poderiam transformar-se numa grande confusão se estivéssemos perante um escritor mediano. Mas a verdade é que a autora consegue entrelaçar tudo tão bem que a estrutura de que vos falo acaba por ser uma mais valia e também já uma imagem de marca da autora. Não posso dizer que foi tudo completamente imprevisível, porque a partir de determinada altura não é muito difícil adivinhar o principal, mas muitas são as surpresas que vamos encontrando ao longo do caminho.
O livro acaba por transformar-se num dilema de leitura: por um lado, a curiosidade por descobrir a verdadeira origem de Nell é muito grande, levando o leitor a querer virar páginas atrás de páginas rumo ao seu final; por outro, é inevitável sentirmos vontade de fazer uma leitura mais pausada de modo a saborear todos os momentos quase poéticos com que a autora nos presenteia e que merecem ser devidamente apreciados. Kate Morton escreve muitíssimo bem e, apesar de ainda só ter lido dois livros dela, posso dizer que é já uma das minhas escritoras preferidas. Este é daqueles livros que marcam e que ficam na nossa memória bem depois de o termos terminado. Porque, no meio de tantas outras coisas, os livros também devem fazer-nos sonhar.
Resta-me terminar dizendo que a autora se encontra de momento a escrever o livro The Distant Hours, que tem publicação prevista para Novembro deste ano. Depois é esperar ansiosamente pela tradução. – Célia M.
9/10 – Excelente
Posts relacionados:



Ora aqui está um livro para as minhas futuras leituras.
Já tinha curiosidade e com esta crítica irei ler, de certeza (:
Excelente??

Ai mais um para a lista
Fiquei curiosa com este livro e agora com a tua opinião ainda mais. Vou colocar na wish list
Um abraço
Está já ali guardado na estante para ser lido. Tenho os dois dela, mas, infelizmente, outros têm vindo na fila primeiro. O que é engraçado é que comprei ambos baseados nas tuas críticas, que foram sempre magnificas e apelativas.
Dizes muito bem canochinha, o entrelaçar das épocas temporais, dos segredos e de tudo mais é brutal, ainda bem que a autora consegue fazê-lo sem nos dar um nó no cérebro, pelo contrário, só nos faz virar página após página cada vez com mais curiosidade.
Canochinha, dos dois livros da autora qual te agradou mais?
Gostei mais deste. Apesar de não ser difícil responder à tua pergunta, devo dizer que “O Segredo da Casa de Riverton” é igualmente um excelente livro, dentro do mesmo género. A questão é que o enredo deste livro cativou-me mais
O livro pareceu-me bastante interessante. Fiquei muito curiosa em dar-lhe uma vista de olhos. A ver se consigo arranjá-lo.=)
Adorei a escrita desta autora que tanto prazer me deu em transpor para a nossa língua. Em relação à imprevisibilidade de que falas, estou em crer que a autora tinha essa consciência, o interesse está na forma como os acontecimentos se vão ligando e deslindando.
(No comentário anterior, queria dizer “previsibilidade”, claro.)
Poison Ivy,
Concordo contigo, acho que a autora fez da história exactamente aquilo que quis. Talvez esteja a ser um pouco exigente (:P ), mas o facto de ter adivinhado uma parte importante da história retirou aquele “impacto” que provavelmente me teria feito gostar ainda mais do livro. De qualquer modo, acho que o melhor do tudo é precisamente a forma como a história é contada: muito bom!
Célia
Olá:
Sem dúvida, a leitura deste livro é um prazer quase divinal. Agora, tenho que ler o seu livro inaugural.
Boas leituras!