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[Opinião] Drácula, o Morto-Vivo, de Dacre Stoker e Ian Holt

Autor: Dacre Stoker e Ian Holt
Título Original: Dracula: the Un-dead (2009)
Editora: Planeta
Páginas: 480
ISBN: 9789896570453
Tradutor: Ana Catarina Neto
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Passaram vinte e cinco anos desde que o pequeno grupo de heróis se uniu para destruir Drácula, no seu castelo na Transilvânia. Entretanto, Jonathan e Mina Harker criaram o filho, Quincey, que se tornou um jovem promissor, ainda que por vezes ingénuo, à medida que o outrora feliz casamento dos pais se ia deteriorando numa relação amarga. O doutor Seward – no passado, um médico eminente – vive agora no tormento da paranóia e da dependência de drogas. Arthur Holmwood, o intrépido guerreiro e elegante noivo de Lucy, deixou-se consumir pelo ódio e pelo remorso. Por fim, Van Helsing, o líder do destemido grupo, um homem doente e envelhecido, enfrenta o seu derradeiro inimigo: a morte. Drácula, de Bram Stoker, deu-nos a conhecer estas personagens.

Drácula, o Morto-vivo é uma continuação do romance de Bram Stoker de grande riqueza histórica e ritmo vertiginoso, que consegue ser tão assustador como o original, mostrando-se amplamente capaz de ressuscitar as suas atmosferas. A sequela percorre fios do enredo, presentes nas notas que Bram compilou durante a pesquisa e a escrita de Drácula, que não foram aproveitados na versão final, e recupera personagens que não sobreviveram aos seus esboços iniciais. Baseando-se, ainda, numa aturada investigação do príncipe Drácula histórico, da Roménia, e de outras figuras de renome, Drácula, o Morto-vivo é um livro fascinante e cheio de suspense, que encantará tanto os admiradores da obra-prima de Stoker, como os fãs mais recentes de Drácula – aqueles que se cruzarão, pela primeira vez, com o vampiro criado por Stoker.

Opinião: Após ter lido Drácula, de Bram Stoker, no Verão passado, foi com grande curiosidade que peguei neste livro, a sua sequela oficial. O livro foi escrito em parceria por Dacre Stoker, descendente de Bram Stoker, e Ian Holt, um argumentista e estudioso da obra original.

Nesta história, vamos encontrar as personagens nossas conhecidas 25 anos depois dos eventos que levaram ao culminar de Drácula. Uma nova ameaça, personificada na personagem da lendária condessa sanguinária Isabel Báthory (que ficou conhecida por, no século XV, tomar banho no sangue de virgens com o objectivo de prolongar a sua juventude), irá fazer com que o grupo que teve de enfrentar Drácula, desta vez com o filho de Mina e Jonathan incluído, volte a ter de lutar contra o Mal. Para além de irem buscar esta personagem histórica, os autores decidiram ainda introduzir no enredo o “fantasma” de  Jack, o Estripador, para adensar o mistério e servir de móbil às acções do detective Cotford (personagem abandonada por Bram Stoker, aquando da escrita de Drácula), encarregado de investigar os crimes cometidos pela condessa.

Gostei da recriação da Londres do início do século XX, e nota-se que a criação do background desta história foi alvo de uma pesquisa detalhada. É um livro claramente escrito no século XXI, e isto é ainda mais notório se o compararmos com o clássico de Bram Stoker. A opção de contar a história através de cartas e diários das personagens principais é aqui abandonada, optando-se por capítulos curtos e bastante dinâmicos, que acabam por tornar a leitura rápida e praticamente sem tempos mortos. A escrita, não sendo nada de extraordinário, adapta-se bastante bem a este ritmo.

Para os fãs da obra original, esperem grandes reviravoltas nas personagens já vossas conhecidas. Mas não são só as personagens que se alteram, também a história conhece agora várias revelações inesperadas. Achei original e bem conseguida a forma que os autores encontraram para o fazer, mantendo a integridade da história original, mas dando-lhe um rumo muito próprio. Notei também a preocupação em explicar alguns factos que tinham ficado no ar na obra original e “remendar” algumas das suas incoerências. O que tive mais dificuldade em aceitar foi a alteração da natureza das personagens (e de uma em particular), que, na minha opinião, acaba por desvirtuar a intenção original de Bram Stoker.

Apesar de louvar a intenção dos autores por terem escrito esta história com o objectivo de reavivarem o interesse na obra original, não posso deixar de achar que o timing não é inocente – toda a gente sabe a euforia que se vive actualmente em redor das histórias de vampiros. Ainda assim, creio que este livro vale muito mais a pena do que muitos dos livros de vampiros que se têm vindo a publicar, e por isso recomendo a sua leitura a quem gosta da temática. 

Classificação: 7/10 – Bom

Livro n.º 7 de 2010


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.