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[Opinião] O Crepúsculo de Avalon, de Anna Elliott

Autor: Anna Elliott
Título Original: Twilight of Avalon (2009)
Série: Twilight of Avalon #1
Editora: Planeta
Páginas: 440
ISBN: 9789896570484
Tradutor: Carlos Pereira
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Ela é uma sacerdotisa, uma contadora de histórias, uma guerreira e uma rainha sem trono. Nas sombras da Bretanha do rei Artur, uma mulher conhece a verdade que poderia salvar um reino das mãos de um tirano…
Ressentimentos antigos, velhas feridas e a busca pelo poder imperam na corte da rainha recém-viúva Isolda. Mas passou uma geração após a queda de Camelot e Isolda chora o seu marido morto, o rei Constantino, um homem que ela sabe em segredo ter sido assassinado pelo perverso lorde Marche – o homem que acabou por assumir o título de Rei Supremo. Embora as suas aptidões enquanto curandeira sejam reconhecidas por todo o reino, no seguimento da morte de Constantino surgem acusações de feitiçaria e bruxaria.
Um dos poucos aliados de Isolda é Tristão, um prisioneiro com um passado solitário e conturbado. Nem saxão, nem bretão, Tristão não é atingido pelos esquemas políticos, rumores e acusações que rodeiam a bela rainha. Juntos escapam e enquanto o seu companheirismo muda de amizade para amor, têm de encontrar uma maneira de provar o que sabem ser a verdade – que as manobras de Marche ameaçam não só as suas vidas mas a soberania do reino britânico.

Opinião: O facto de um livro ter na capa uma pintura de John William Waterhouse é meio caminho andado para me chamar a atenção. Apesar de a edição original de O Crepúsculo de Avalon ter na capa a genial Boreas, também ficámos muito bem servidos com a Ophelia escolhida para a capa portuguesa. Aproveito para deixar o convite a visitarem a galeria de obras deste pintor, através dos links que deixei.

O Crepúsculo de Avalon é a obra de estreia da americana Anna Elliott, uma amante de ficção histórica e dos mitos arturianos. Como devem saber, estes mitos já foram tema de inúmeros livros, com as mais diversas variações e perspectivas na história. Duas das principais referências (para mim, pelo menos) são “As Brumas de Avalon” e “As Crónicas do Senhor da Guerra”, de Marion Zimmer Bradley e Bernard Cornwell, respectivamente. Mas ao contrário destes dois, “O Crepúsculo de Avalon” não se centra na famosa personagem de Artur, mas antes em Isolda, que é aqui apresentada como descendente de Artur e Morgana. Normalmente, Isolda é associada a Tristão, e esses nomes conhecia, mas não conhecia a sua história (ou pelo menos a que é comummente contada) e este livro foi um ponto de partida para a investigar. A verdade é que o livro apresenta uma perspectiva algo diferente da lenda conhecida, o que, tendo em conta a fiabilidade e disparidade de informação histórica disponível, não choca e permite aos autores a liberdade criativa para darem à história o rumo que melhor se adequa ao livro que pretendem escrever.

Este livro tem início sete anos após a morte do lendário Rei Artur e vai encontrar Isolda a chorar a morte do Rei Supremo que lhe sucedeu, e seu marido, Constantino. Com os saxões a ameaçarem constantemente a Bretanha, o próximo Rei Supremo terá de ser rapidamente encontrado sob pena de as forças bretãs ficarem sem liderança e, por isso, mais frágeis. Mas a escolha do próximo líder não é fácil, por causa da ambição pessoal de várias personagens, especialmente de Marche, que não olha a meios para atingir fins. Isolda parece ser a única que o vê claramente, mas terá dificuldades para fazer com que acreditem nela, pois é considerada bruxa por muitos.

Gostei bastante deste livro. Acho que a autora conseguiu imprimir o seu cunho pessoal à história, através de uma escrita muito agradável, e contá-la de uma forma que prende o leitor, sem nunca o cansar. Nota-se a preocupação em não catalogar as personagens como “boas” ou “más”, mas, por outro lado, pintá-las de vários tons. O enredo apresenta algumas surpresas inesperadas, especialmente no final, o que aumenta ainda mais o interesse da história. É daqueles livros para se ir saboreando, porque também ele se vai revelando lentamente, a cada folhear de página. De facto, pegar numa história contada e recontada tantas vezes e, ainda assim, conseguir cativar o leitor não é tarefa fácil, mas considero que Anna Elliott o fez muitíssimo bem.

Resta-me dizer que o final está em aberto porque este é o primeiro volume de uma prevista trilogia. Os segundo e terceiro volumes, Dark Moon of Avalon e Sunrise of Avalon, têm datas de publicação prevista no original para Maio de 2010 e Maio de 2011, respectivamente. Aguardo ansiosamente a sua publicação e tradução para português, para continuar a seguir esta história maravilhosa. 

Classificação: 8/10 – Muito Bom

Livro n.º 2 de 2010


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.