E Se Eu Gostasse Muito De Morrer
Autor: Rui Cardoso Martins
Editora: Edições D. Quixote (2006)
Páginas: 216
ISBN: 9789722031707
Sinopse
Na confusão do mundo, um rapaz sobe a rua. O Interior é igual em toda a parte.
Mas hoje vai mudar. Ele traz um segredo terrível no bolso do kispo.
Faz calor na província dos suicidas. Dá vontade de rir: uma cidade em que até o coveiro se mata... São estatísticas, tudo em números.
Na Internet, há sexo e doidos japoneses e americanos para conversar em directo. No campo, granadas e ervas venenosas. No prédio, um jovem assassino toca órgão.
O space-shuttle leva cortiça do Alentejo para o Espaço. O Bispo viu o maior massacre da guerra de África e calou-se.
Mas hoje vai responder. Os factos verdadeiros são os piores.
O amor do rapaz rebentou. Que responsabilidades temos quando nada fizemos?
Em que fado parámos, onde fica Portugal?
Opinião
Foi através das suas crónicas no jornal “Público” que conheci o escritor Rui Cardoso Martins, crónicas essas que são verdadeiras, e curiosas, histórias de vidas que me fizeram ter uma certa admiração pela forma de escrever deste autor português, como se fosse um contador de histórias da vida real.
Embora a palavra “ romance” esteja incluída na capa, penso que “ E se eu gostasse muito de morrer”, poderá será também visto como um livro de contos. Apesar de existir uma história principal, a história do rapaz de alcunha “ Cruzeta” que tem explosivos dentro do seu kispo e que não sabe o que irá fazer, fazendo assim uma retrospectiva da sua vida, existem outras histórias que gravitam à sua volta.
O Alentejo é o local onde se passam as histórias deste livro, mas poderia ser na nossa cidade, mesmo no meio no nosso lugar, histórias onde a morte e a vida estão separadas através de uma linha frágil podem acontecer em todo o lado.
A sua prosa é fluida, bem clara, prazerosa, acessível, mas de um extrema elegância, ficamos envolvidos pelo desenvolvimento da história, ou melhor, das histórias, que nos parecem puxar para dentro do livro.
Por vezes, fez-me lembrar, e quero crer que tenha sido uma grande inspiração para o autor, Mário Zambujal e o seu maravilhoso livro “Crónica de bons malandros”, mas estes “malandros” vindos do Alentejo têm humor negro, brincando com a morte, enquanto os “malandros” de Zambujal eram mais no sentido de serem bonacheirões e ingenuamente divertidos. Estes são mais conflituosos e lidam de perto com a morte. Um livro bem escrito de um autor que retrata muito bem o mundo que habita. - Ricardo
8/10 - Muito Bom
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A sinopse arrepiou-me, a crítica deixou-me curioso para ler pelo menos uma das pequenas histórias desse autor, no Jornal Público. Para experimentar. Obrigado pela sugestão