Balanço de 2009
Nunca tinha lido tanto como em 2009. Ao longo de 12 meses, foram 113 livros que me passaram pelas mãos e cercade 35.000 páginas lidas, o que dá uma média de cerca de 96 páginas por dia. O desafio a que me propus em Novembro de 2008, de ler 75 livros em 2009, foi ultrapassado e sinto-me contente por isso. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, não coloquei este desafio a mim própria para poder dizer que li x livros, para fazer número, acabando por não apreciar devidamente as leituras. Cada um tem o seu próprio ritmo de leitura, apreende o que lê de forma diferente e a própria gestão do tempo que dedica às leituras é feita de forma muito particular. Ao longo de 2009, raro foi o dia em que não abri um livro para ler e fi-lo, de cada uma das vezes, com o maior prazer. O desafio foi uma excelente ferramenta de disciplina e motivação para as minhas leituras.
Foi um ano muito variado em termos de leituras, no que respeita a géneros. Continuei, como sempre, a prestar especial atenção ao género fantástico, mas enveredei por caminhos menos usuais, como o Policial (através da grande Agatha Christie) ou a Ficção Científica. Os livros que li foram, na generalidade, bons (a média de notas que dei ronda os 7,5), mas houve algumas desilusões.
À semelhança do que fiz para 2008, pretendia elaborar um Top 10 das minhas leituras preferidas de 2009. E fi-lo, mas no final comecei a listar as menções honrosas, e já eram tantas que cheguei à conclusão que deveria fazer antes um Top 20.
1 - North and South, Elizabeth Gaskell
Pela genialidade da escrita da autora, que reflecte como um espelho as emoções das suas personagens, pelo enredo que agarra o leitor, pelas questões sociais e pela contextualização de uma Inglaterra da Revolução Industrial.
2 - Rebecca, Daphne du Maurier
Um livro que se vai insinuando de mansinho na mente do leitor, até o manter completamente agarrado. Cheio de suspense e com um twist lendário, é um triunfo de escrita e de excelente composição de personagens (relembro a inesquecível Mrs. Danvers).
3 - Revolutionary Road, Richard Yates
Um retrato realista, e um pouco deprimente, da família americana modelo da década de 50, este livro fala da eterna tentativa do ser humano de se enquadrar na sociedade, deixando muitas vezes o seu verdadeiro eu para segundo plano. Não se recomenda a sua leitura de ânimo leve, mas a recompensa final, também pela genialidade da escrita de Yates, é certa. (não está na imagem porque está emprestado)
4 – O Quarto Mágico, Sarah Addison Allen
Um livro recente de uma autora recente. Não é uma obra-prima de escrita ou de enredo, mas vale pelos pequenos detalhes que aquecem o coração. Porque nem sempre são os grandes clássicos ou os livros consagrados que nos deixam satisfeitos ao virar a última página de um livro.
5 - A Ofensa, Ricardo Menéndez Sálmon
Um livro que se lê num par de horas, mas que deixa uma marca muito mais duradoura. É uma viagem ao interior da alma do ser humano e um voto de confiança na existência da bondade do ser humano. Ricardo Menéndez Salmón escreve magnificamente.
6 - Poison Study, Maria V. Snyder
Recomendado pela White Lady, foi a melhor leitura no campo do fantástico em 2009. Uma história cativante, com personagens muito interessantes, que nos faz virar página atrás de página até à sua conclusão. Pena que os 2 volumes seguintes da trilogia não estejam à altura.
7 - O Mundo Invisível, Shamim Sarif
Uma história que, essencialmente, faz o leitor pensar. A intolerância, o racismo, a homossexualidade são temas presentes, que conjugados com a habilidade da autora em descrever sentimentos, compõem uma história digna de ser lida.
8 – Fahrenheit 451, Ray Bradbury
A segunda distopia que li, depois de Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, de George Orwell. Apesar de não me ter cativado tanto como a obra-prima de Orwell, é ainda assim um excelente livro que fala na tão actual “estupidificação” das massas através do que passa na TV e na importância de pensarmos por nós próprios.
9 - A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao, Junot Díaz
Um livro extremamente original, contado num tom humorístico, com as suas profusas notas de rodapé, que nos ajudam a compreender mais a República Dominicana e as suas gentes. A solidão e o destino são temas sempre presentes.
10 - A Guerra é para os Velhos, John Scalzi
Uma excelente descoberta num género que não domino, a Ficção Científica. Proporcionou-me um grande prazer de leitura e a vontade de explorar melhor o género.
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11 – A Vida em Surdina, David Lodge
12 - O Tigre Branco, Aravind Adiga
13 - A Quinta dos Animais, George Orwell
14 - Os Apanhadores de Conchas, Rosamunde Pilcher
15 - A Doçura da Chuva, Deborah Smith
16 - O Leitor, Bernhard Schlink
17 - Por Favor Não Matem a Cotovia, Harper Lee
18 - O Homem Pintado, Peter V. Brett
19 - O Nome do Vento, Patrick Rothfuss
20 - As Obras-Primas de T.S. Spivet, Reif Larsen
Esta lista é, obviamente, subjectiva, e a sua ordenação reflecte não a qualidade objectiva dos livros que li em 2009, mas a medida em que estes me proporcionaram prazer na sua leitura. Não posso deixar de referir o facto de os três primeiros lugares pertencerem a outros tantos clássicos, o que reforça a minha vontade de ao longo de 2010 emprestar algum do meu tempo à leitura de outros que tenho por aqui.
Para além dos livros presentes neste top, quero também destacar duas séries que tenho vindo a seguir e que me proporcionaram excelentes momentos de leitura: a Saga do Sangue Fresco, da Charlaine Harris, e a Saga do Assassino, da Robin Hobb. Ambas terão novos livros já este mês.
Como desilusão do ano, tenho de eleger A História de Edgar Sawtelle, de David Wroblewski, pela pobre execução apesar do potencial da história.
Desafios para 2010:
– Ler pelo menos 100 livros;
– Igualar ou ultrapassar o número de livros de autores portugueses lidos em 2009 (oito);
– Ler, pelo menos, 10 clássicos (considerarei clássicos livros escritos há mais de 50 anos).
Por fim, e no que ao blog diz respeito, quero agradecer o apoio de várias editoras ao blog Estante de Livros, concretizado na disponibilização de exemplares de livros para passatempos e para críticas, e também pelo facto de, cada vez mais, depositarem nos blogs literários a confiança da divulgação literária, que se vai ausentando progressivamente dos meios de comunicação tradicionais.
Boas leituras para 2010!
Célia M.
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Gostei da lista, há aí muita coisa qe quero ler.
Há mais de um ano que sigo a ESTANTE DE LIVROS e esta, assim como o GOODREADS, também contribuiram para que 2009 fosse um ano muito fértil em Leituras.
Um bem haja por isso.
Votos de um Bom Ano, com muitos livros.
Seguindo o teu exemplo, também tinha traçado objectivos literários para 2009. O meu era mais modesto. Propunha-me a ler pelo menos 12 livros (1 por mês), mas depois de ter decidido que devia ler todos os dias antes de ir para cama, consegui ler 25.
Da tua lista, li O Tigre Branco, adorei, e neste momento estou a ler A Ofensa (ainda vou nas primeiras páginas) .
Parabéns e que em 2010 leias não 100, mas 114 livros (sempre a superar oa anos anteriores).
Mary,
Tu és um bom exemplo da boa influência desta história dos desafios
Eu gostei muito d’”A Ofensa”, é um livro excelente. Espero que gostes!
Célia
No inicio do ano de 2009 também me tinha proposto um numero de livros que gostaria de ler: 25. Li 44 e penso que 90% terão sido de criticas, opiniões e comentários que li no blog/forum! Muito obrigada, BOM ANO de 2010 e continuação do excelente trabalho!
Ana Marilia
Ana,
Fico mesmo contente por teres gostado das nossas sugestões
Espero que continuemos a poder dar outras, que continuem a agradar.
Célia
O “Rebecca” é um dos meus livros favoritos. Adoro aquele início… também porque o meu imaginário delira com casas abandonadas. Mas a casa ter uma história, um nome tão musical… e a imagem da governanta sempre austera a espreitar em todos os cantos. Adoro. Também li este ano o “Revolutionary Road” e foi daqueles livros que gostei mas que me revoltaram imenso. De vez em quando ainda me vem à cabeça. E não pode ter havido melhor adaptação ao cinema…
Rita, também vi o filme (até o comentei por aqui) e de facto a adaptação está excelente. Também a adaptação de “Rebecca” (filme de Hitchcock) é excelente
Célia
Nossa, o mais legal é ver que vc contou tudoooo o que leu!!! Hihihiih
Eu li muito em 2009 também, mas não sei ao certo quantos livros, nem quantas páginas e muito menos a média por dia. Mas, pelos meus cálculos, não passou de 50 livros….se bem que tá ótimo, tendo em vista que só leio enquanto estou no metrô, indo ou voltando do trabalho.
Beijinhos!
Tal como no ano passado me deixei seguir um pouco pelos livros que colocaste nos primeiros lugares, este ano farei o mesmo. North and South não me escapa para 2010.
Bom trabalho, Célia.
Não me canso de elogiar a Estante de Livros e o teu trabalho e empenho na divulgação dos livros e da leitura.
Desejo-vos tudo de bom para 2010 e vou ficar a acompanhar-vos com toda a atenção.
Sandra S.
Das tuas escolhas apenas li o maravilhoso livro da Ray Bradury e tenho aqui o teu do Richard Yates para ler, que vai ser já a seguir, quando terminar o Cortázar.
Parabéns pelo novo Blogue!
Está excelente…
Que bom que já se pode comentar.
Em relação ao teu top 10, não li nenhum dos teus livros, mas pretendo ler alguns neste novo ano.
Um abraço!
Como escrevi no meu blogue, inspirado pelo teu desafio, também fiz o meu. Dos livros que referes, gostei particularmente de Revolutionary Road e Fahrenheit 451 (já tinha lido há uns anos). Li 120 livros, mas li menos páginas do que tu. Este não conto ler tantos, infelizmente os motivos profissionais são superiores, mas continuarei a ler como um danado. Literatura africana voltará a ser o prato forte (encontrar corpus/tema para uma tese de d.), mas também quero ler alguns nomes obrigatórios da literatura portuguesa que me esperam já há algum tempo… e novidades, de vez em quando, que também são precisas
Bom desafio, boas leituras!
Isso dá quase 10 livros por mês. Ou 2,5 livros por semana. Como é que é possível?
Tanto é possível, que se verificou
E já agora, há várias pessoas que passam bem do meu número.
Acho mesmo muito difícil. A não ser que não estudes nem trabalhes. Acho que só o professor Marcelo te deve passar as palhetas.
Cátia,
Surpreendentemente, trabalho!
Se não queres acreditar que li a quantidade de livros que li, não é problema meu. Era muito rebuscado não os ter lido e, ainda assim, ter escrito opiniões sobre todos eles, LOL
Isso das opiniões não era muito dificil. A internet é um poço de opiniões. De qualquer forma desculpa lá qualquer coisinha. É realmente surpreendente trabalhares e teres tempo para ler isso tudo. A não ser que metade dos livros fossem estórias da anita.
Ah, sim. Aliás, tanto é como dizes que já detectei um caso em que copiaram o que escrevi. Mas não, eu para além de trabalhar e de ler tanto, ainda consigo arranjar tempo para escrever as minhas próprias opiniões, porque acho que o plágio é uma coisa feinha; revela pouca imaginação e falta de personalidade. Essa tua insinuação chega quase a ser ofensiva. E por aqui me fico.
Tens razão. Concordo. Também já li coisas repetidas em blogs diferentes. Nunca disse que o fazias. Disse só que não era dificil. Desculpa lá, já vi que és uma pessoa sensível. Não voltarei a partilhar a minha opinião. Mas continuo a achar surpreendente teres tempo para tudo. Enfim!
o tempo consegue-se, de muitas maneiras. Eu li menos que a Célia (antiga Canochinha – ainda não me habituei), em quentidade geralm digamos assim, mas também trabalhei e estudei durante esse ano. Tudo se consegue gerir, embora alguma coisa tenha de ficar menos bem… no meu caso, não consigo escrever comentários como os que aqui são feitos…