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[Opinião] O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss

Autor: Patrick Rothfuss
Título Original: The Name of the Wind (2007)
Série: Crónica do Regicida #1
Editora: Gailivro
Páginas: 976
ISBN: 9789895576715
Tradutor: Renato Carreira
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Da infância como membro de uma família unida de nómadas Edema Ruh até à provação dos primeiros dias como aluno de magia numa universidade prestigiada, o humilde estalajadeiro Kvothe relata a história de como um rapaz desfavorecido pelo destino se torna um herói, um bardo, um mago e uma lenda. O primeiro romance de Rothfuss lança uma trilogia relatando não apenas a história da Humanidade, mas também a história de um mundo ameaçado por um mal cuja existência nega de forma desesperada. O autor explora o desenvolvimento de uma personalidade enquanto examina a relação entre a lenda e a sua verdade, a verdade que reside no coração das histórias. Contada de forma elegante e enriquecida com vislumbres de histórias futuras, esta “autobiografia” de um herói rica em detalhes é altamente recomendada para bibliotecas de qualquer tamanho.

Opinião: Nos últimos tempos, este livro foi, muito provavelmente, aquele cuja leitura mais expectativas me criou. Para isso contribuíram as excelentes opiniões de um livro que se insere no meu género preferido, juntamente com o facto de ter, aparentemente, todos os ingredientes que me cativam num livro. Posso dizer que gostei bastante, apesar de não ter sido exactamente o que estava à espera.

No início de “O Nome do Vento”, o leitor encontra um misterioso estalajadeiro que gere o seu estabelecimento num local remoto de um mundo fictício criado para servir de base a este livro. Depois de um Cronista chegar à estalagem “Pedra do Caminho”, Kvothe cede ao pedido de lhe contar a sua história e pede-lhe 3 dias para o fazer. Neste livro, assistimos ao primeiro dia desses relatos.

Sem querer entrar muito na história e estragar a surpresa de vários acontecimentos presentes no livro, posso dizer sucintamente que este livro se centra na juventude de Kvothe, tanto na tribo nómada Edema Ruh, como na sua posterior entrada na Universidade, onde as suas excelentes capacidades lhe permitirão destacar-se rapidamente dos demais e, ao mesmo tempo, meter-se em alguns sarilhos. Esta estadia na Universidade é, parece-me, o factor que leva a que este livro seja comparado por alguns à saga do Harry Potter, mas digo desde já que as semelhanças terminam no facto de termos um jovem a entrar para um instituto de ensino para desenvolver as suas capacidades especiais. O tom é muito mais negro e menos juvenil e a história tem uma estrutura completamente diferente.

O grande destaque desta história é a personagem principal: Kvothe é um jovem muito peculiar e, seja no desenrolar do relato, seja nas secções do presente, é quase impossível o leitor não se sentir intimamente ligado às suas emoções. O livro tem outras personagens interessantes, entre as quais o Mestre Elodin e o amigo de Kvothe no presente, Bast. De facto, agora que penso nisso, concluo que as personagens mais interessantes desta história são, também, as mais misteriosas. Senti um certo distanciamento da grande maioria das restantes personagens, especialmente de Denna, que é bastante importante para Kvothe e, presumo, para o desenvolvimento do resto da história nos 2 volumes seguintes. Espero vir a gostar um pouco mais desta personagem.

Em termos de enredo, posso dizer que foi, numa boa parte do tempo, interessante o suficiente para captar a minha atenção. Mas, num livro com quase 1000 páginas, é bastante difícil conseguir manter sempre a um nível elevado o nível de interesse do leitor. Agora de repente, lembro-me de 2 autores que li recentemente e que, na minha opinião, conseguem isso muito bem: George R.R. Martin e Jacqueline Carey. Neste caso, achei sinceramente que algumas partes do livro poderiam ter sido dispensadas, porque apresentam descrições longas de acontecimentos que pouco acrescentam ao desenrolar da história.

Quanto à escrita de Patrick Rothfuss, numa palavra: adorei! Acho que ele tem um dom e consegue, quando quer, enredar e emocionar o leitor com as suas palavras. Tem secções verdadeiramente maravilhosas, com frases que merecem ser lentamente saboreadas.

Quero ainda dar os parabéns ao tradutor e demais envolvidos no tratamento deste texto, que me pareceu perto da perfeição, sendo ainda mais de louvar tendo em conta edições menos cuidadas publicadas anteriormente por esta editora.

Posto isto, apesar das falhas que apontei, foi um livro que me deu bastante prazer ler. Aguardo ansiosamente a publicação dos restantes dois volumes. 

Classificação: 8/10 – Muito Bom


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.