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[Opinião] O Labirinto da Rosa, de Titania Hardie

Autor: Titania Hardie
Título Original: The Rose Labyrinth (2008)
Editor: Editorial Presença
Páginas: 436
ISBN: 9789722341721
Tradutor: Manuela Madureira
Origem: Recebido para crítica
Sinopse: O Labirinto da Rosa é um romance de estreia de uma riqueza surpreendente que tem no centro da sua trama uma herança enigmática que remonta à época Tudor. John Dee, matemático, astrónomo e conselheiro da rainha Isabel I, deixou escondida uma série de documentos seus por considerar que a humanidade não se encontrava preparada para compreender o que neles estava escrito. As sucessivas gerações de descendentes souberam guardar o segredo da sua localização à espera do momento certo para revelar tais conhecimentos ao mundo. Agora esse momento parece ter finalmente chegado! Um romance soberbo, um verdadeiro labirinto literário, com traços do romance histórico, do romance de aventura e do thriller, e referências vastíssimas que vão dos conhecimentos esotéricos egípcios, templários e renascentistas à história do Islão, ao Cristianismo, ao paganismo ou à astrologia.

Opinião: Desde o início do século XVII, vários objectos contendo um segredo importante, sob a forma de enigma, passaram de geração em geração, pela linhagem feminina, até que Will os recebe da mãe porque esta não teve filhas. No entanto, algumas pessoas menos bem-intencionadas desejam obter esses objectos, por pensarem que estes são fundamentais para a concretização de profecias relacionadas com fundamentalismos religiosos.

O livro é uma espécie de “caça ao tesouro”, em que as personagens vão decifrando enigmas e conseguindo pistas de modo a descobrirem o segredo escondido há séculos. Juntamente com o enredo principal, encontramos uma série de informações relacionadas com John Dee, conselheiro da rainha Isabel I, e estudioso de métodos científicos e ciências ocultas. No entanto, e apesar do elevado manancial de informação, o que para mim acabou por ser mais interessante foi o desenvolvimento da história das personagens principais e das suas relações, o que inclui uma grande surpresa no primeiro quarto do livro. Para além disso, o livro apresenta também perspectivas interessantes acerca da chamada “memória celular”, um fenómeno que consiste em que os receptores de órgãos transplantados “herdarem” informação da pessoa que os doou (ainda por provar cientificamente a carecer de unanimidade na comunidade científica).

Apesar de ter sido uma boa leitura, confesso que fiquei um pouco desiludida com o final e com a resolução do mistério. Acho que não esteve à altura do resto do livro e não consegui evitar um certa sensação de final precipitado.

Uma última referência para a edição cuidadosa deste livro (inclui uma espécie de caderno, contendo vários dos enigmas do livro) e para a boa tradução de Manuela Madureira, num texto que suspeito não ter sido muito fácil, mas que foi muito bem transposto para a nossa língua, com a inclusão de várias notas de rodapé que ajudam à compreensão da história. 

Classificação: 7/10 – Bom


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.