A Laranja Mecânica
Autor: Anthony BurgessTítulo Original: A Clockwork Orange (1962)
Editor: Bibliotex Editor (colecção DN “Os Livros do Cinema”)
Páginas: 222
ISBN: 8496180506
Tradutor: José Luandino Vieira
Sinopse
Alex, o “humilde narrador” deste romance, é o produto de uma civilização em que a violência se transformou num hábito, numa parte integrante da sociedade. Os adolescentes que, como Alex, cresceram rodeados por essa violência, juntam-se em grupos e aterrorizam uma Londres do futuro, atacando os seus cidadãos ao acaso, roubando e violando, ou brigando entre si. Um dia, Alex é traído pelos seus “drucos” e preso pelos “milicens”. Na prisão, Alex vê-se confrontado com um tipo de violência diferente, uma violência institucionalizada, legalizada, e torna-se objecto de um “tratamento” que o condiciona a repudiar qualquer tipo de violência…
Escrito em “nadescente”, a língua que Burgess inventou para as suas personagens, A Laranja Mecânica é um livro sobre o livre arbítrio. Burgess apresenta aos leitores um dilema central da existência humana: “O que é que define um homem bom? É nom o homem que escolhe o bem ou aquele a quem o bem é imposto? Não será o homem que escolhe o mal de alguma forma melhor do que aquele que faz o bem porque não tem escolha?”
Opinião
Este foi um dos livros que me recomendaram dentro do lote das melhores distopias literárias (nas quais se incluem 1984 e Fahrenheit 451), pelo que a vontade de o ler era grande. Não é um livro muito fácil de encontrar: nas livrarias encontra-se esgotado e eventualmente poderá ser comprado nalgum alfarrabista. Para além da edição que possuo, existe ainda uma das Edições 70 e saiu também numa das colecções da RBA (ambas com a mesma tradução).
A história de A Laranja Mecânica decorre numa sociedade com reminiscências futuristas, na qual a violência está na ordem do dia. O livro é relatado na primeira pessoa por Alex, um adolescente que, com o seu grupo de amigos, se dedica a roubar, agredir pessoas e a levar a cabo toda a espécie de actos violentos, aparentemente sem grandes consequências. Nesta sociedade, os jovens utilizam o calão “nadescente” e é desta forma que o livro está escrito. Várias palavras são substituídas por palavras que nunca vimos e, por isso, o início do livro não é propriamente fácil de interiorizar. Contudo, passado o impacto inicial com a ajuda do glossário, rapidamente entramos no ritmo da história e o nosso cérebro assimila as associações entre as novas palavras e o seu significado.
Depois de tantos actos de violência, um dos assaltos corre mal e Alex é apanhado pela polícia e colocado na prisão. Decorridos 2 anos dessa data, Alex será a primeira cobaia do novo “Projecto Ludovico”, que tem por objectivo mitigar o uso da violência por parte do ser humano, através de métodos algo duvidosos, incluindo o visionamento repetido de imagens violentas, que provocam mal-estar ao sujeito, inibindo-o de cometer actos violentos no futuro sob pena de voltar a sentir esse insuportável mal-estar. No fundo, acaba por ser uma conversão forçada ao bem, que consiste na questão fundamental deste livro, e que continua bastante actual: deverá a prática do bem sobrepôr-se à liberdade de escolha? Até que ponto devem as entidades responsáveis interferir na liberdade dos indivíduos? Foi um livro de que gostei bastante, não só pelas questões morais que levanta, mas também pela originalidade da forma como é narrado. A nível pessoal, gostei mais das duas distopias que referi acima, mas esta não deixa de valer muito a pena uma leitura.
Nota final para a excelente tradução de José Luandino Vieira, que teve de inventar todo um novo vocabulário e praticamente “reescrever” esta história. — Célia M.
8/10 — Muito Bom
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Começando pelo fim, António Luandino Vieira é um grande escritor angolano cujas obras aconselho, fiquei surpreendido por ter sido ele a traduzir este livro. depois, parabéns pela critica consegues acicatar ainda mais a minha curiosidade em relação a este livro.
” A Laranja Mecânica”, assim como o filme, é daqueles livros cuja vontade de ler já tenho à bastante tempo, e confirmo a dificuldade que tenho de o adquirir.
já agora, dentro desse género, aconselho-te ” Admirável Mundo Novo ” de Huxley, aposto que irias adorar.
Menphis, acho que querias dizer José Luandino Vieira
Depois, conto ver o filme em breve porque toda a gente me diz que é muito bom.
Por fim, o “Admirável Mundo Novo” é das 4 distopias principais a que me falta ler (também não é muito fácil de encontrar). Ah, e também já me recomendaram o “Nós”, do Yeygeny Zamyatin, que dizem ter influenciado o “1984” do Orwell e também o “Admirável Mundo Novo”.
Sabia que ias gostar. Ao início, estranha-se, toda aquela linguagem nova, mas depois torna-se um vício. E tem tanto em que pensar…
Aproveito para subscrever a recomendação do Menphis. Admirável Mundo Novo é um livro brilhante, e se gostaste da Laranja Mecânica, parece-me que ias gostar desse.
Sim, José Luandino Vieira, enganei-me, é o que faz estar a escrever e a olhar de soslaio para o chefe para ele ver que não estou a fazer o trabalho LOL
mas, é o escritor que falei anteriormente.
Quanto ao“Nós”, desconhecia por completo essa obra, mas vou pesquisar.
Parabens pelo desafio cumprido
Obrigada!
Adorei seu texto, fiquei super curiosa pra ler!
Beijos
E Parabéns pois chegaste à meta que tinhas traçado inicialmente! Mas eu sabia que ias ler mais do que isso, porque tiveste sempre um ritmo constante que o fazia adivinhar!
Dessas quatro distopias de que falas não li esta, precisamente, pois ainda não consegui encontrar… Mas quero muito lê-lo! Na altura deixei escapar esse livro que saia com o jornal, enfim… Mas vou procurar nas Edições 70, então.
Quanto ao Luandino: é um senhor dentro da literatura angolana. Não muito fácil, sobretudo numa fase não inicial da sua obra, mas que vale a pena descobrir, aos bocadinhos…
tulisses, obrigada pelos parabéns!
Quanto a este livro, julgo que se procurares em alfarrabistas o consegues encontrar
Acho que vou enveredar por estes livros distópicos. Parecem muito diferentes e levantam questões no domínio dos valores e da moral. Faz nos bem reflectir sobre essas coisas.
O que me parece mais dificil é encontrar o livro. Não conheço alfarrabistas e fora de lisboa ainda deve ser mais dificil encontrar. Pode ser que tenha sorte!
Já agora, parabens pela meta cumprida. Ainda vais ler mais 25 até ao final deste ano!
B., eu já li 3 distopias (que me lembre) e gostei bastante de todas, especialmente pelas questões morais que levantam.
Há alguns alfarrabistas online, procura e pode ser que tenhas sorte.
Quanto ao meu desafio, sim… agora quero ver se consigo chegar aos 100
O meu irmão sempre falou do filme, que é o seu filme predilecto, mas nem nunca vi o filme, nem li o livro.
Canochinha, não ponho em questão não conseguires chegar aos cem =P Já estás lá!
Gostei muito de ler a tua opinião, e de facto já li duas páginas e notei logo o calão que o autor cria.
No entanto, é verdade que esperava uma opinião mais entusiasta (para mim, um 8 é sempre muito próximo de um 7, muito próximo).
Continuo, ainda assim, à espera de encontrar um grande livro (embora ache realmente que nunca nenhum chegará aos calcanhares de 1984…).
Eu tenho a edição das Edições 70, e vou ser mais directo do que tu: não é um livro muito fácil de encontrar, é antes um livro dificílimo de encontrar. O que eu tive de percorrer foi demais O.O
Aconselho-te então pegares em “Admirável Mundo Novo”, acho que se calhar vais gostar mais desse! O tema é diferente, e na minha opinião tem uma vertente mais futurista e científica que te vai agradar. E a conclusão é mais uma vez impressionante.
Espero pela tua opinião!
Nestas “distopias” podemos acrescentar o “Fahrenheit 451″, não?
já neste blogue foi comentado e é realmente muito bom!
Nestas “distopias” podemos acrescentar o “Fahrenheit 451″, não?
já neste blogue foi comentado e é realmente muito bom!
tulisses, se reparares eu falei do Fahrenheit 451 no meu post
Muito bom!
Exacto, foi isso que referi…
Viva !
Efetivamente, interessante saber que o autor de “Luuanda” ou de “Nós os do Makulusu” tenha traduzido esta obra.
E Viva o Porto !