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[Opinião] Mar de Papoilas, de Amitav Ghosh

Autor: Amitav Ghosh
Título Original: Sea of Poppies (2008)
Série: Trilogia Ibis #1
Editor: Editorial Presença
Páginas: 456
ISBN: 9789722341349
Tradutor: Marta Mendonça
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Ambientado na Índia do século XIX, este romance histórico desenrola-se nas vésperas da primeira Guerra do Ópio. No coração da saga está um navio de escravos: o Ibis, que recruta indianos para as plantações de cana-de-açúcar mas principalmente para o transporte de ópio para os consumidores chineses. Com uma tripulação constituída por uma mistura heterogénea de marinheiros, passageiros clandestinos, trabalhadores asiáticos e condenados, Ibis terá como destino uma longa e tumultuosa viagem pelo oceano Índico. Considerado “avassalador” pelo ‘The Guardian’, não lhe poupam elogios como o ‘The Observer’: «Uma saga de extraordinária riqueza… com muita acção e aventura à la Dumas, mas com momentos de grande profundidade à maneira de Tolstoi – e um toque de sentimento como em Dickens.». Autor de “bestsellers” internacionais, The Hindu considera o “Mar de Papoilas” o trabalho mais bem conseguido do autor: «Ghosh escreveu vários romances notáveis, mas “Mar de Papoilas” é indiscutivelmente o melhor.»

Opinião: Mar de Papoilas, do indiano Amitav Ghosh, foi um dos nomeados para o último Booker Prize, mas acabou por perder o prémio para o também indiano Aravind Adiga com o seu O Tigre Branco (já comentados aqui e aqui). Este é também o primeiro livro de uma trilogia já anunciada, o que explica as várias pontas soltas que o final nos apresenta.

Este livro transporta-nos a meados do século XIX, numa Índia cheia de contrastes, ainda dominada pela Grã-Bretanha, e que se prepara para entrar nas famosas Guerras do Ópio, que opuseram a Grã-Bretanha à China. Para quem não sabe, estas guerras foram desencadeadas devido à proibição do governo chinês das importações de ópio (produto extraído das papoilas e causador de grande dependência), que era o principal gerador de lucro das exportações da Grã-Bretanha para a China.

O ópio é, também, um dos eixos centrais deste livro, uma vez que influencia grandemente uma boa parte das suas personagens. E é de um mosaico variado de personagens que este livro vive: desde o início, vamos conhecendo várias personagens, desde a indiana Deeti que vive da exploração de campos de papoilas, a Neel, um rajá que irá cair em desgraça, passando por Zachary, que depois de uma longa viagem chega a Índia com maiores responsabilidades no barco que o trouxe, e por Paulette, uma jovem branca que anseia por grandes feitos. Para além destas, são introduzidas várias outras personagens que, adivinhamos, estão destinadas a influenciarem a vida umas das outras.

O livro contém bastantes palavras nas línguas nativas indianas (especialmente o bhojpuri), o que confere um tom mais real a narrativa e aos diálogos, mas há várias palavras que não se compreendem apenas pelo contexto, o que obriga a consultas frequentes ao glossário. Apesar disso, fico contente por existir um glossário, uma vez que, segundo as minhas pesquisas, o original não contém glossário.

Estamos perante um livro que foi, de forma óbvia, alvo de uma extensa pesquisa, em que se consegue um excelente retrato de época, de um país e dos seus costumes. Apesar disso, o livro contém algumas partes mais paradas e descritivas, pelo que nem sempre o achei suficientemente cativante. Mas, de uma forma geral, tanto a história como as personagens são bastante interessantes. Fiquei interessada para querer ler a continuação.

Uma nota final para a excelente tradução de Marta Mendonça, certamente dificultada pela profusão das tais palavras nativas, e que incluiu várias notas bastante relevantes para a leitura. 

Classificação: 7/10 – Bom


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.