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[Opinião] Firmin, de Sam Savage

Autor: Sam Savage
Ilustrações: Fernando Krahn
Título Original: Firmin (2006)
Editor: Planeta
Tradutora: Sofia Gomes
Nº de páginas:155
ISBN: 978-989-657-001-9
Origem: Comprado

Sinopse: Nascido na cave da Pembroke Books, uma livraria da Boston dos anos 60, Firmin aprendeu a ler devorando as páginas de um livro. Mas uma ratazana culta é uma ratazana solitária.
Marginalizado pela família, procura a amizade do seu herói, o livreiro, e de um escritor fracassado. À medida que Firmin desenvolve uma fome insaciável pelos livros, a sua emoção e os seus medos tornam-se humanos. É uma alma delicada presa num corpo de ratazana e essa é a sua tragédia.
Num estilo ora sarcástico ora enternecedor, Firmin é uma história sobre a condição humana em que a paixão pela literatura, a solidão e a amizade, a imaginação e a realidade, fazem parte de um mundo que acarinhava os seus cinemas de reprise, os seus personagens únicos e a glória amarelada das suas livrarias. Firmin é divertido e trágico. Como todos nós.

Opinião: Firmin é um livro delicioso. Delicioso no sentido de nos sentirmos encantados com a história de um rato que devora livros e que tem uma enorme compaixão pelos outros, e delicioso porque é de livros deliciosos que ele trata.

Firmin é o filho mais novo, de uma família de ratos com 11 filhos, que moram todos juntos num alfarrabista, até que um dia toda a sua família decide ir embora. Desprezado por toda a gente, Firmin, fugindo a todas as humilhações que sofreu por ser o mais novo e o mais franzino, prefere ficar a continuar a viver no lugar onde nasceu, porque, entretanto, se apaixonou por uma coisa da qual sente muita falta: pelos livros.

A paixão surge quando ele, num dia menos abastado de comida, começa por saborear os livros do alfarrabista, mas a sua enorme curiosidade leva-o a ler algumas partes e a interessar-se pelas histórias e pelas aventuras que aqueles livros lhe dão a conhecer, e ainda por cima os livros são alimentos bem saborosos, por isso tinha todas razões para continuar a viver.

A história ainda gira sobre a sua vontade de querer comunicar com os Humanos, com o dono da alfarrabista e com um escritor famoso, e dos sonhos de um dia ser Fred Astaire, mas estar a dizer algo mais desta história era desvendar segredos que merecem serem descobertas aquando da leitura desta obra enternecedora.

Não sendo, propriamente, um livro para crianças, por isso julgo que o livro estar arrumado na estante da literatura infantil acaba por ser um engano, é um livro que fala, além do amor aos livros, arrisco a dizer, mais do que amor aos livros, de solidão, sobretudo de solidão, de compaixão, de amizade, de companheirismo e do amor pelo próximo.

Por último, não posso deixar de referir as belíssimas ilustrações que vem nas suas páginas, ilustrações essas que, se o livro for comprado na FNAC, são oferecidas em formato de postal, escusado será dizer que esses postais estão em destaque na minha estante de livros. – Ricardo

Classificação: 9/10 – Excelente


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.