Estou a Ler



goodreads.com

Arquivo

Classificações
5 - Adorei
4 - Gostei Bastante
3 - Gostei
2 - OK
1 - Não Gostei/Não Terminei
Creative Commons License This blog by Estante de Livros is licensed under a Creative Commons Atribuição-Não a Obras Derivadas 2.5 Portugal License.

Visitas desde 20/07/2007

Como um Romance

Thursday, May 7, 2009 Post de Estante de Livros
Autor: Daniel Pennac
Editor: Edições ASA
Páginas: 166
ISBN: 9789724112008
Tradutor: Francisco Paiva Boléo

Sinopse
É sobejamente conhecido o desgosto com que os pais preocupados com a formação dos filhos costumam registar a inapetência destes para a leitura. Daniel Pennac, romancista, professor e pai de família, descreve neste ensaio cheio de humor, todas as perplexidades que usualmente assaltam os diversos intervenientes neste processo de conflitos surdos, temores, bloqueios e teimosias.
Acima de tudo, conforme se sublinha no presente livro, a leitura tem de ser um prazer e os leitores de hoje devem usufruir de alguns direitos inalienáveis.
Como Um Romance é assim uma obra profundamente original, onde, de uma forma ao mesmo tempo divertida e muito séria, se aborda aquela que é porventura a questão central de que dependem o destino do livro e da cultura tal como a temos entendido tradicionalmente.

Opinião
Numa das minhas incursões à Feira do Livro de Lisboa deste ano, aproveitei para trazer este livrinho, que me tinha despertado o interesse não só por ter gostado imenso do “Mágoas da Escola”, mas também porque se trata de um livro que fala de livros e da paixão pela leitura. A curiosidade era tanta que acabei por lê-lo no dia que o comprei :)

É um livro pequeno, que se lê depressa, mas recheado de conteúdo. Nesta pequena dissertação, Daniel Pennac fala-nos da tarefa de incutir o gosto pela leitura nos mais jovens, tanto a nível de pais como de professores. Faz várias considerações a nível das leituras obrigatórias na escola: em como, mais do que escolher obras adequadas, se deve pensar muito bem na forma e nos objectivos com que elas são lidas. Se a ideia é incentivar os jovens a ler, porque não tentar fazer com que os jovens se interessem realmente pelo que estão a ler? Claro que falar é fácil e a análise da obra é fundamental, mas pode transformar-se num prazer em vez de ser uma tortura. Daniel Pennac fala-nos de algumas das suas experiências, em que, após a reticência inicial dos seus alunos face a leituras obrigatórias, a leitura do próprio livro em voz alta na aula (um dos exemplos é do Perfume, de Patrick Süskind), fez com que a maioria deles se interessasse de tal forma que se sentiam impelidos a arranjar o livro para saber como terminava a história., antes de a leitura em aula terminar. Decerto não é uma fórmula mágica que funciona com todos, nem será a única solução, mas é de facto uma boa ideia.

O papel dos pais é igualmente importante: mais do que querer que os filhos leiam à força, devem, acima de tudo, disponibilizar-lhes os livros para que, se a necessidade surgir dentro deles, os tenham ali à mão.

Para além disso, Daniel Pennac enumera e explica os seus famosos Direitos Inalienáveis do Leitor. Deixo aqui também algumas citações que recolhi ao longo do livro. Gostei imenso!

O verbo ler não suporta o imperativo. É uma aversão que compartilha com outros: o verbo «amar»… o verbo «sonhar»…

Reler não é repetir, é renovar constantemente um infatigável amor.

A leitura não resulta da organização do tempo social, ela é como um amor, uma maneira de ser. A questão que se coloca não é saber se tenho ou não tempo para ler (tempo esse que, aliás, ninguém me dará), mas sim se tenho ou não prazer em ser leitor.

Poucos objectos suscitam, como o livro, um sentimento de propriedade absoluta. Quando nos caem nas mãos, tornam-se nossos escravos – escravos, sim, porque são feitos de matéria viva, mas escravos que ninguém pensaria sequer libertar, pois são folhas mortas. [...] Fazemos passar os livros pelas piores provações. Mas é o modo como os outros o maltratam que nos magoa.

Célia M.

8/10 – Muito Bom






Posts relacionados:

  1. Mágoas da Escola
  2. A Possibilidade de uma Ilha
  3. Hotel Memória
  4. Como Ser Bom
  5. Siddhartha

11 Responses to “Como um Romance”

  1. Livros em 2ª Mão says:

    Parece interessante e gostei especialmente das citações! ;)

  2. Tempestade says:

    Comprei no mês passado, mas ainda não tive tempo de ler!
    Beijos Tempestuosos!

  3. Julianna Steffens says:

    Nossa acabei de ler sobre este livro em outro blog, e fiquei com vontade de ler, e logo em seguida entrei aqui, agora estou morrendo de vontade de ler. Tenho que me informar se já lançaram aqui no Brasil.

  4. Cristina Bernardes says:

    Este livro é realmente muito bom!

  5. Menphis says:

    Este livro, assim como a critica dele, deu-me vontade de ler, deve ser muito interessante. deve ser daqueles livros que não se dão nada por eles, mas no fundo, é uma obra interessantíssima.

  6. Carla Martins says:

    Muito legal, hein?

    Adorei as citações!

  7. Maggie says:

    Este é um livro que soube que existia há uns anos, se não me engano no meu ano de formação pedagógica para professora e, desde então, recorro a ele uma e outra vez, sempre que me confronto com frustrações como professora de Português. É que de facto ler “não suporta o imperativo”. Mas este lesse uma e outra vez, “como um romance” e descobrem-se sempre novas leituras.

  8. Joana Pinto says:

    Este livro é uma referência para mim, por tudo o que ensinou e pelos seus “mandamentos” dos direitos do leitor.
    É muito bom e recomendo-o a todos!

  9. Eugénia says:

    Pois esta obra aborda, de forma insólita, o universo dos livros e da leitura. Leva-nos, enquanto pais e educadores, a refletir sobre a forma apropriada – ou não – de insentivar os nossos juvens para a leitura; permite-nos obter instrumentos que nos levam a aguaçr-lhes o apetite pelos livros! Embora com uns anitos este livro é daqueles de, de vez em quando, sabe bem reler…

    Boas leituras
    Eugénia

  10. Maggie says:

    Peço desculpa pelo erro no meu comentário anterior, mas acabei de dar por ele, por isso rectifico onde se lê “Mas este lesse uma e outra vez” deve ler-se “Mas este LÊ-SE uma e outra vez”.

    Mais uma vez as minhas desculpas.

  11. Miss Alcor says:

    Que lindo!!!
    Adorei o “reler não é repetir, mas renovas constantemente um infatigável amor”. Simplesmente maravilhoso!


Leave a Reply