Outras Cores
Nunca tinha lido nenhuma obra do Prémio Nobel da Literatura 2006, o turco Orhan Pamuk, mas se o livro “Outras Cores” tivesse como objectivo fazer nascer no leitor a curiosidade em ler os seus romances, então o objectivo foi plenamente conseguido.
Não sei se é a melhor maneira começar por esta obra, mas o certo é que quando começar a desbravar os seus romances, quero crer que os irei compreender melhor, até porque ele, numa certa altura, explica algumas passagens deles. Isso também quer dizer que este livro, ou pelo menos a parte onde ele fala das suas obras, será relido naquela mesma altura em que eu esteja a ler alguma das suas obras mundialmente conhecidas. O problema vai ser decidir-me por onde deverei começar, “Neve” e “O meu nome é Vermelho” foram aquelas que mais me aguçaram a curiosidade. Aceitam-se sugestões.
Na primeira parte, Pamuk fala de si e de algumas histórias relacionadas consigo mas, principalmente, da admiração pelo seu pai, que lhe transmitiu o amor aos livros, do fascínio pela cidade de Istambul (de facto, fala com tanto prazer que até me deixou com água na boca para ir um dia visitar aquele cidade turca) e do amor à sua filha.
Na segunda parte, Pamuk fala do seu amor aos livros, e a alguns escritores que tanto o influenciaram, seja como romancista ou como homem, tais como Borges, Kafka, mas principalmente Thomas Mann e Dostoiévski (penso que já é tempo de eu próprio descobrir este autor).
Enquanto na terceira parte, Pamuk fala, sobretudo, de assuntos políticos, que passa pela integração da Turquia na Europa, como num julgamento, que viria a ser considerado inocente, que teve por causa o “crime” de desrespeitar os costumes da Turquia, na quarta parte são os seus romances que merecem destaque, algumas pequenas “explicações” para a compreensão dos mesmos desde as influências, até como se sentiu ao escrevê-los.
Na quinta parte, Pamuk juntou alguns fragmentos de histórias deliciosas e contos, sendo muito interessante, e curioso para nós ocidentais, a descoberta do mundo Ocidental, dos costumes europeus e americanos, quando ele era criança.
O livro fecha com uma longa e interessante entrevista, um conto inédito e um texto que foi a conferência aquando da atribuição do Prémio Nobel com o título “A mala do meu pai”.
Contendo crónicas bastante interessantes, conseguimos aprender, e admirar, tanto a cultura turca embora ele também não se coíba de a criticar, sentindo-se muita honestidade no amor e admiração que Pamuk tem a Istambul, ao pai, filhos e aos livros, tanto aos que escreve como aos que lê.
Fiquei com imensa curiosidade em conhecer a sua vertente mais conceituada, a de romancista, um autor que, imagino, seja um romancista na linha de um Salman Rushdie que eu tanto adoro. Para quem gosta de ler ensaios, ou crónicas sobre a vida é um livro bastante aconselhável, até por aquilo que aprendemos por uma cultura, também ela, com coisas fabulosas. – Ricardo
9/10 – Excelente
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Menphis, QUERO LER ORHAN PAMUL!!!!!
Já tenho cá em casa “A Cidadela Branca”, “Vida Nova” e “Os Jardins da Memória”, estes dois últimos pelos vistos considerados dos melhores da sua obra.
Talvez comece pela Vida Nova. Também to aconselho!
Sem o ter lido, já estou apaixonado. É uma (pequena) questão de tempo até este livro vir parar às minhas mãos!
Estes fragmentos, pequenos ensaios, confissões, parecem ser em tudo fantásticos. Parece-me que Pamuk consegue falar com o leitor sem o aborrecer, mas sim cativando-o!
(já agora, adorava ir a Istambul =D Espero que o autor ainda aguce mais este meu sonho…).
Ainda não li nada deste autor tão conceituado e com tantas boas opiniões.
No verão do ano passado cheguei a comprar o livro “O meu nome é vermelho” mas, e confesso envergonhada, continua na estante à espera de vez.
Por acaso não leste este?
Sandra do blog Vidas Desfolhadas
Parece-me um livro cheio de muitas vivências interessates e que pelos vistos o autor consegue cativar o leitor. Deixaste-me com imensa curiosidade em conhecer a obra deste autor, incluindo este livro. Até porque se tudo correr como planeado vou a Istambul em Junho.
Por isso nada melhor do que ficar a conhecer algo mais desta cidade!
Já ouvi boas críticas a este autor, mas continuo reticente em o ler. Não consigo encontrar explicação, mas creio que, a lê-lo, seria melhor começar por este livro para me ir entrosando no seu ambiente. Óptima crítica
Confesso que sempre estive muito de pé atrás com este escritor, com a ideia pré-concebida que os seus livros não seriam uma leitura muito fácil ou interessante. A tua opinião teve o condão de me fazer não só pensar 2 vezes, como de ficar com vontade de ler qualquer coisa deste escritor. Thanks!
Pedro – Da maneira como ele fala dos seus livros, fiquei mais curioso em conhecer ou ” A Neve” ou o ” O meu nome é Vermelho” a diferença está em querer ler um livro mais politico ou não, e ” A neve ” é mais politico, segundo as suas palavras.
Miar à chuva- É bem provável que comece por esse, parece-me um livro na linha dos do Rushdie.
Tonsdeazul – Ele também escreveu um ensaio só sobre Istambul, quero crer que até será mais interessante para quem visitará aquela cidade lê-lo primeiro.
Cristina – É uma questão de, um dia, tentares para ver se gostas da sua escrita ou não.
Canochinha – Estou a responder “por fora”, ou seja ainda não li nenhum romance dele, tenho ideias que sejam livros para ler com tempo, atenção, mas acima de tudo com prazer. Daqui a algum tempo te direi melhor
Também ainda não li nenhum livro do autor, embora tenha na estante este livro que acabaste de ler e que aguçou o ‘apetite’. Vai ser, com toda a certeza, um dos próximos livros a ler. Nunca estivem Istambul, mas há dois anos fiz um cruzeiro pelas ilhas gregas e que parou igualmente na Turquia, mais propriamente em Éfeso Kusadasi. O povo turco é muito simpático (muito mais do que os gregos) e deixou-me vontade de lá voltar. Pode ser que para a próxima vá mesmo a Istambul.
Muito boa crítica. Escreves muito bem. Parabéns.
Eu li algo sobre O Meu Nome é vermelho e não hesitei. Agradou-me a profusão de narradores, sendo o primeiro, o iluminista morto. Achei a ideia arrojada e original.
É a minha sugestão.
Menphis depois desta tua crítica tinha mesmo de comprar um livro do escritor Orhan Pamuk. Estive indecisa entre “Istambul: Memórias e a cidade” e “A Vida Nova”. Acabei por optar pelo último e já vou a meio do livro que é viciante. Estou a gostar tanto da história, que até já me decidi a ler algo mais do autor.
Tenho que te agradecer o facto de me teres dado a conhecer este escritor.