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[Opinião] Outras Cores, de Orhan Pamuk

Autor: Orhan Pamuk
Título Original: Öteki Renkler – Seçme Yazılar ve bir Hikâye (1999)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 424
ISBN: 9789722341127
Tradutor: Miguel Romeira
Origem: Comprado 

Sinopse: Outras Cores, o livro que Pamuk publicou após ter recebido o Prémio Nobel de Literatura em 2006, recolhe um vasto leque de textos de grande interesse: apontamentos da vida pessoal do autor e das suas complexas relações familiares, dos seus primeiros contactos com a sociedade ocidental e ensaios sobre cultura e análise política, incluindo o recente e mediático caso com a justiça turca. O livro inclui ainda uma short story da sua autoria, uma entrevista dada à Paris Interview e a conferência o Prémio Nobel, intitulada «A Mala do Meu Pai». Outras Cores, uma obra secretamente iluminada pelas palavras deste arquitecto que preferiu ser romancista, lê-se com deslumbramento.
Opinião: Nunca tinha lido nenhuma obra do Prémio Nobel da Literatura 2006, o turco Orhan Pamuk, mas se o livro Outras Cores tivesse como objectivo fazer nascer no leitor a curiosidade em ler os seus romances, então o objectivo foi plenamente conseguido.

Não sei se é a melhor maneira começar por esta obra, mas o certo é que quando começar a desbravar os seus romances, quero crer que os irei compreender melhor, até porque ele, numa certa altura, explica algumas passagens deles. Isso também quer dizer que este livro, ou pelo menos a parte onde ele fala das suas obras, será relido naquela mesma altura em que eu esteja a ler alguma das suas obras mundialmente conhecidas. O problema vai ser decidir-me por onde deverei começar, “Neve” e “O meu nome é Vermelho” foram aquelas que mais me aguçaram a curiosidade. Aceitam-se sugestões.

Não sendo uma especialidade deste autor, que é um reconhecido romancista, este livro é um ensaio de fragmentos, escritos, crónicas, arte e dos costumes e tradições da sua Turquia natal, da relação com a família, da vida e de livros.

Na primeira parte, Pamuk fala de si e de algumas histórias relacionadas consigo mas, principalmente, da admiração pelo seu pai, que lhe transmitiu o amor aos livros, do fascínio pela cidade de Istambul (de facto, fala com tanto prazer que até me deixou com água na boca para ir um dia visitar aquele cidade turca) e do amor à sua filha.

Na segunda parte, Pamuk fala do seu amor aos livros, e a alguns escritores que tanto o influenciaram, seja como romancista ou como homem, tais como Borges, Kafka, mas principalmente Thomas Mann e Dostoiévski (penso que já é tempo de eu próprio descobrir este autor).

Enquanto na terceira parte, Pamuk fala, sobretudo, de assuntos políticos, que passa pela integração da Turquia na Europa, como num julgamento, que viria a ser considerado inocente, que teve por causa o “crime” de desrespeitar os costumes da Turquia, na quarta parte são os seus romances que merecem destaque, algumas pequenas “explicações” para a compreensão dos mesmos desde as influências, até como se sentiu ao escrevê-los.

Na quinta parte, Pamuk juntou alguns fragmentos de histórias deliciosas e contos, sendo muito interessante, e curioso para nós ocidentais, a descoberta do mundo Ocidental, dos costumes europeus e americanos, quando ele era criança.

O livro fecha com uma longa e interessante entrevista, um conto inédito e um texto que foi a conferência aquando da atribuição do Prémio Nobel com o título “A mala do meu pai”.

Contendo crónicas bastante interessantes, conseguimos aprender, e admirar, tanto a cultura turca embora ele também não se coíba de a criticar, sentindo-se muita honestidade no amor e admiração que Pamuk tem a Istambul, ao pai, filhos e aos livros, tanto aos que escreve como aos que lê.

Fiquei com imensa curiosidade em conhecer a sua vertente mais conceituada, a de romancista, um autor que, imagino, seja um romancista na linha de um Salman Rushdie que eu tanto adoro. Para quem gosta de ler ensaios, ou crónicas sobre a vida é um livro bastante aconselhável, até por aquilo que aprendemos por uma cultura, também ela, com coisas fabulosas. – Ricardo

Classificação: 9/10 – Excelente


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.