Sinopse: «Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado viu que se transformara, durante o sono, numa espécie monstruosa de insecto.»
Com esta frase de abertura, Kafka revela ao homem moderno a sua sinistra condição. Depois de descobrir, ao despertar, que se transformou num enorme insecto, Gregor Samsa torna-se um objecto repugnante, e é obrigado a esconder-se no interior dos seus aposentos. Pouco a pouco, sob pressão das exigências da vida prática, a família ir-lhe-á dando cada vez menos atenção, até que um dia, no termo de um episódio particularmente trágico, a irmã declara que têm de deixar de reconhecer Gregor como um dos seus. A Metamorfose é uma parábola terrível sobre a alienação humana, uma narrativa sobre o absurdo da vida e sobretudo sobre os processos de exclusão, que conserva ainda hoje toda a sua carga revolucionária.
Numa bela manhã, Gregor Samsa acorda transformado num insecto. A sua preocupação começa por ser levantar-se da cama, porque já está atrasado para o trabalho. Com a chegada do seu chefe para saber o motivo da sua demora, Gregor preocupa-se em explicar-lhe que teve uma indisposição, mas que irá recuperar depressa. Quando se apercebe que não irá recuperar, Gregor preocupa-se com a comida, com a família, com a solidão a que o relegam pela sua nova condição… mas nunca chega a questionar-se (e nem sequer a preocupar-se) com o facto de se ter transformado num insecto. E isto acontece porque o objectivo deste pequeno livro, que se lê em pouco mais de uma hora, é fazer-nos pensar no tema da solidão e da exclusão. Mas também, julgo, porque existe uma certa vontade do autor de deixar em aberto a possibilidade de a personagem não se ter transformado realmente num insecto, mas estarmos perante um caso de uma alteração do estado mental (bom tema de discussão!).
Gregor é-nos descrito como um animal completamente grotesco, mas ainda assim não conseguimos evitar sentir simpatia por ele e pela situação que vive. É uma metáfora quase perfeita aos alienados da sociedade, que são rejeitados por aquilo que aparentam e não aceites por aquilo que são. Também vi esta história como a demonstração do egoísmo de que o ser humano é capaz, personificado pela família de Gregor. O final é inquietante e perturbador, mas não deixa de ser perfeito. Leiam! – Célia M.
9/10 – Excelente
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22 Responses
Como sabes, adorei o livro e fiquei com uma vontade enorme de explorar mais da obra de Kafka!
Tal como genialmente deduzes, este livro suscita bastante controvérsia, pois na verdade toda esta metáfora que é A Metamorfose parece confundir as pessoas, já que uns dizem que transmite algo e outros dizem transmitir outra coisa! Merece uma análise profunda
Quanto ao final, tocou-me imenso. Na verdade, e curiosamente, achei bastante significativa o seguimento da família de Gregor! Até parece que um pequeno raio de esperança surge, como se o livro passasse de escuro para verde claro…
Para mim, o cenário de Gregor e da família transmite o cenário da terrível condição humana, desgastada por quem o rodeia, o comportamento humano perante a procura de sobrevivência, e como o resto da sociedade afecta essa progressão. Somos egoístas para cada um de nós, parece-me a mensagem de Kafka, e a diferença simplesmente não é aceite.
Como sempre, gostei de ler a tua opinião
http://p-leituraseopinioes.blogspot.com/2008/10/metamorfose-de-franz-kafka.html
É inaceitável eu ainda não conhecer nenhuma obra de Kafka. Mas esses dias estarão para vir brevemente, até porque já muita gente me está a aconselhar vivamente.
O realismo fantástico de Kafka me encanta. Ou, melhor dizendo, suas histórias do “absurdo”.
Sempre ouvi excelentes críticas sobre este livro e tu vieste confirmar a minha ideia. Parece uma metáfora muito bem conseguida da nossa sociedade e leva-nos a pensar. Espero lê-lo e finalmente descobrir a mente kafkaziana.
Para quem ainda não leu: pessoal, isto lê-se numa hora… Não seja por isso!
Pois é, lê-se muito rápido e é uma leitura fantástica! Já lá vão uns anitos desde que o li, mas lembro-me perfeitamente de ter adorado.
Adoro Kafka e, excepto a obra “América”, já li tudo.
Pessoalmente acho este “A Metamorfose” o seu melhor livro, pelo menos aquele onde nasce a expressão mundo kafkiniano, pois a ficção criada confunde-se, através da metáfora, com a realidade das sociedades, não só actuais, como de sempre.
já li e reli a metamorfose. Sem dúvida que leva a uma reflexão sobre as atitudes.
Este livro de Kakka tem uma excelente história. Aproveita o embalo e lê também “O Processo”.
A história não está completa, mas é também muito boa.
tonsdeazul, também lá li excelentes opiniões sobre “O Processo”… Resta-me comprá-lo!
A obra de Kafka permite-nos tirar conclusões divergentes em função da leitura que fazemos.
O que vejo na Metamorfose é a débil relação que a personagem principal estabelece com a familia e a forma como se sente excluido da mesma à medida em que vai degenerando num ser cada vez mais animalesco e menos humano.
Gostei particularmente desta crítica.
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes
Também adorei este livro.
Não só a escrita de Kafka é fluída e aberta, mas totalmente intoxicante pelas descrições que faz e pelo paralelismo que faz à sociedade de forma tão crua.
A exclusão social causada pela diferença, pela incompreensão e pela intolerância acaba por ser fatal aos ditos “insectos” sobre os quais Kafka disserta.
Absolutamente fascinante.
o que faltou para considerares esta, que todo o entendido faz questão de afirmar ser uma obra-prima, uma obra apenas excelente? Sim, porque livros como este não pode obedecer à mesma escola que ‘outros que, enfim…’
Eduardo, como já disse aqui n vezes, estas classificações são algo de puramente pessoal. Não tenho regras definidas para atribuir estas notas, apenas traduzem aquilo que senti em relação a um livro. Para mim, a fronteira entre o 9 e o 10 é uma coisa irracional, não facilmente explicável.
E mais uma vez também digo que me estou completamente a borrifar para as opiniões dos “entendidos”. Leio o que me apetece e falo do que leio da forma como o senti e não de acordo com as opiniões dos outros ou com o que os outros esperam que eu diga.
Termino dizendo que não sou nenhuma crítica especializada de livros. Sou apenas uma pessoa que gosta de ler e que tem gosto em partilhar as suas opiniões, sejam elas bem ou mal escritas, bem ou mal fundamentadas.
Muito bem, canochinha. Já percebi que não há critério nenhum, e que a haver é um irracional. Está, fico avisado e quem mais quiser.
Eduardo, existe um critério sim: o meu. Cabe a quem lê o que escrevo decidir se o quer ter ou não em conta.
É curioso… já li o livro e não gostei nada!!!
No entanto fui quase obrigada a lê-lo, para uma cadeira da faculdade, portanto é sempre uma situação que não se recomenda a ninguém!
Já percebi que vou terque o ler de novo, desta vez com a verdadeira atenção!
Olá!
Acabei de ler este livro e simplesmente adorei. Mas confesso que posso ser um pouco suspeito porque nunca li nda de Kafak de que não gostasse!
Convido a verem a minha opinião mais detalhada sobre o livro em:
http://conspiracaodasletras.blogspot.com/
Marco, obrigado pela dica! Vou ler a tua opinião
Efectivamente e leitura de um livro dá sempre aso a opiniões distintas, sendo que as classificações que determinado leitor dá a um livro não podem ser mais do que a ponderação do que gostaram ou não do mesmo.
E isso é fantástico, sobretudo porque permite que exista tanta produção e que possamos gostar de coisas diferentes.
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes
“A Metamorfose” de Franz Kafka … metáfora do mundo moderno, na qual encontramos o Ser Humano alienado pela sociedade, marginalizado, vítima de total incomunicação.
Obra agressiva e perturbadora, mas acima de tudo verídica e intemporal, que funciona como um resgate de valores e preceitos.
Canochinha, “O Castelo”, obra do mesmo autor também é excelente !Aconselho vivamente a sua leitura !
Bjinhos
Este livro entrou directamente para o top das minhas preferências!!Há muito tempo que tencionava ler esta história ( até tenha o ebook no pc ) mas só há dias através de uma promoção da Fnac é que comecei a ler o livro. Adorei…concordo com quem disse que a escrita de Kafka é extremamente fluída, na verdade este livro lê-se num ápice. Apesar de Gregor se ter transformado em algo descrito como “repugnante” e “grotesco”, não senti qualquer repugnância pela personagem, bem pelo contrário! Ganhei uma grande empatia por Gregor até ao final da narrativa. Identifiquei-me com aquilo que ele sentia, senti pena por ele, pela forma como foi tratado…enfim, uma magnífica história! Devo dizer que fiquei um pouco espantada com o final. Realmente este livro parece ter muitas interpretações e daria um excelente “debate”. Agora tenciono ler mais algumas obras deste autor!