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Os Leões de Al-Rassan

Monday, February 23, 2009 Post de Estante de Livros
Sinopse: Inspirado na História da Península Ibérica, Os Leões de Al-Rassan é uma épica e comovente história sobre amor, lealdades divididas e aquilo que acontece aos homens e mulheres quando crenças apaixonadas conspiram para refazer – ou destruir – o mundo. Lar de três culturas muito diferentes, Al-Rassan é uma terra de beleza sedutora e história violenta. A paz entre Jaddites, Asharites e Kindath é precária e frágil, mas é precisamente a sombra que separa os povos que acaba por unir três personagens extraordinárias: o orgulhoso Ammar ibn Khairan – poeta, diplomata e soldado, o corajoso Rodrigo Belmonte – famoso líder militar, e a bela e sensual Jehane bet Ishak – física brilhante. Três figuras cuja vida se irá cruzar devido a uma série de eventos marcantes que levam Al-Rassan ao limiar da guerra.

Às vezes é bom ser surpreendida e foi, de facto, isso que aconteceu, quando recebi Os Leões de Al-Rassan, de Guy Gavriel Kay. Não estava (ainda) na minha lista de desejos, mas, assim que li a sinopse, algo me cativou. Agora que acabei de o ler só posso recomendar. Maravilhosamente escrito, com retratos fantásticos de sítios imaginários, transporta-nos para um mundo extraordinário a cada virar de página. A obra do autor é, sem dúvida, para acompanhar.


Numa Península Ibérica medieval dividida e preenchida por três crenças distintas, vive-se uma acalmia precária. A ambição dos senhores Jaditas do Norte choca com o desejo de mais poder dos Asharitas, no Sul. E, no meio destes, vivem os Kindates, odiados por ambos. Al-Rassan é o ponto de discórdia entre Jaditas e Asharitas e o centro de poder que todos desejam conquistar.

Apesar de todos os conflitos religiosos e políticos, surge uma amizade estreita entre um estranho trio de personagens: a médica kindate Jehane; o capitão jadita Rodrigo Belmonte; e o político e poeta asharita Ammar ibn Khairan. As diferenças entre eles, que vamos acompanhando ao longo da leitura, fortalecem a sua amizade. São as suas histórias, dos seus povos e das personagens que os rodeiam que seguimos. O autor deu a estas personagens o dom de verem para além das crenças religiosas, por isso, Jehane, Rodrigo e Ammar estão constantemente a surpreender e a cativar o leitor. Assimilamos os seus medos, o seu sofrimento, os seus desejos, as suas dúvidas e sentimo-nos presentes nas suas vidas.

Confesso que, inicialmente, foi difícil acompanhar a leitura, devido aos vários nomes de personagens e de regiões. Porém, com o tempo, tudo se foi tornando mais claro e, devido à escrita realista e colorida do autor, foi ganhando corpo. De facto, as descrições são um dos pontos fortes desta obra, transportando-nos para zonas belas, cheias de vida e carregadas de um misticismo que nos envolve. Gostei particularmente da forma como o autor descreve os acontecimentos e, depois, volta atrás, redescrevendo-o, permitindo-nos conhecer várias perspectivas e apreender diferentes pormenores. Um constante limbo entre o passado e o presente.

Por o fim estar ainda tão recente, talvez não vos saiba transmitir quanto este livro me tocou. Sugiro que leiam e se deleitem. Vão-se emocionar – como tive de aguentar lágrimas… -, vão viajar por terras distantes, vão conhecer personagens fortes e fantásticas – destaco as femininas – e vão ficar a pensar no mundo que vos rodeia – pessoalmente, criei, sem querer, um paralelismo entre o livro e o conflito israelo-palestiniano. Apesar de existirem várias fases marcantes no livro, foi esta frase que me tocou, por ser tão real e intemporal: “‘O Alvar e a minha querida pessoa, tal como nos encontramos humildemente à sua frente, somos a prova de que homens oriundos de mundos diferentes podem combinar e unificar esses mesmos mundos. De que podemos pegar nas coisas mais requintadas de cada um deles, para formar um novo todo, brilhante e imperecível.’ ” – Cristina


9/10
Excelente







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9 Responses to “Os Leões de Al-Rassan”

  1. Canochinha says:

    O livro é fantástico… Não me canso de o recomendar!

  2. WhiteLady3 says:

    Também adorei essa frase. Este livro, quando acabei de o ler, deixou um buraco, um vazio que só clássicos, como O Conde de Monte Cristo e Os Miseráveis me tinham feito sentir antes. Muito bom, sem dúvida!

  3. Tita says:

    Tenho este livro na minha lista..provavelmente irei compra-lo na próxima encomenda q fizer à SdE ;-)

  4. Cristina says:

    Tita, vale bem a pena. É espectacular e de um encantamento fantástico. Adorei mesmo e conto relê-lo numa fase mais calma da minha vida.

  5. Vitor says:

    Gostava tanto de poder ler tantos livros… eu, por causa da escola, (estou no 11º, ah e tal, há os exames… é uma dos ultimso anos para mostrarmos o que valemos por isso temos MESMO de mostrar do que somos capazes) quase nao tenho tempo para ler… leio é nas ferias. No Natal li 3 livros, estas ferias (carnaval) vou para o 2ºlivro)… lá consegui ler um durante Janeiro LOL. Anyway, isto tudo para dizer que, pelas criticas que li sobre esse livro, o irei adquirir por volta do Verao (que é quando consigo ler mais… ).

    continuem com as leituras ^.^

  6. Livros e Outras Coisas says:

    Porque gosto bastante do vosso trabalho nesta estante, convido-vos a uma breve espreitadela no LOC. Obrigada!

  7. flicka says:

    Mais uma critica tão emocionante que me deu prazer ler! Gosto de histórias em que se destacam as femininas e também sobre as amizades entre pessoas diferentes, no caso deste livro, a amizade é entre três personagens de religiões e povos diferentes, não é? Pois… Então, este livro tem que estar na minha wishlist! ;-)

  8. Mónica says:

    Já tinha ficado convencida pela crítica da Canochinha, tanto que já tinha adquirido o livro, mas acho que este terá de ser, sem dúvida alguma, a minha próxima leitura.

  9. Cristina says:

    flicka, sim, as personagens principais são de regiões e religiões distintas. Os seus caminhos cruzam-se de formas estranhas. O laço forte que se estabelece entre elas leva-nos a pensar quão pouco tolerantes somos ou é a sociedade que nos rodeia.


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