Fahrenheit 451
Imaginem um mundo onde ter um livro é um crime e onde a função dos bombeiros é queimá-los. Onde “pensar” e “imaginar” são vistos como coisas inúteis. Onde todas as pessoas são iguais, vêm os mesmos programas na tv e onde todos têm a ilusão de serem felizes.A história apresenta-nos o bombeiro Guy Montag, que, tal como todos os outros, tem a ilusão de ser feliz. Até que conhece a jovem Clarisse, que é uma rapariga diferente de todas as outras pessoas, que pensa por ela própria e que gosta de observar as pequenas maravilhas da natureza. Clarisse é o pretexto para acordar a semente de liberdade que Montag tinha dentro de si. e que o vai levar numa cruzada contra o sistema implantado, cujo estereótipo de cidadão se materializa, por exemplo, na sua esposa Mildred, mais uma ovelha no rebanho, completamente fútil e desinteressada.
Paralelismos com os dias de hoje? Muitos! Mas aqui vou dar voz a um excerto de uma excelente crítica de Jorge Candeias a este livro, que representa na perfeição aquilo que penso:
Fahrenheit 451 é um livro que começa a tornar-se antigo, e pelos padrões da FC é decididamente velho. Mas lê-lo no Portugal de hoje é arrepiante. Basta ligar o botão do telecomando e olhar cinco minutos para aquilo que a televisão nos apresenta todos os dias, para o lixo televisivo que invade milhões de lares diariamente, neste país e nos demais, para aquela imensa promoção da ignorância e da estupidez, disfarçada do pragmatismo capitalista que busca apenas o lucro. Depois de ler, hoje em dia, este velho livro de Bradbury, é impossível não vermos à nossa volta os milhões de Mildreds que enchem as nossas ruas, demasiado fracas para enfrentar a complexidade do mundo que as rodeia, refugiando-se em telenovelas, concursos, big-brothers e demais programas de vida falsificada em directo, futebóis e telejornais de um jornalismo que, no lugar de informar, as mais das vezes desinforma.
E os livros não são queimados, mas são deixados a ganhar pó nas prateleiras das livrarias, com excepções que muitas vezes são, também elas, veículos promotores de ignorância e incultura, fazendo dos livros mais um dos instrumentos ao serviço dos “bombeiros” do mundo real, instrumentos bem mais subtis que os usados no mundo inventado por Bradbury. Sim, Bradbury não previu o futuro nos seus mínimos detalhes, mas apesar disso Fahrenheit 451 é um terrível espelho dos tempos que vivemos. Um livro intemporal. Um livro que fica.
Um conselho: leiam este livro!! – Célia M.
9/10 – Excelente
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Parece-me um livro bastante interessante pela visão crítica que nos apresenta da realidade que nos rodeia. Aceitamos tudo, vemos tudo tal como nos dizem que é, mas poucos se preocupam o que é, de facto, A realidade. Excelente crítica!
Mais uma vez, excelente critica. Já tinha dado uma olhadela ao livro (tenho em casa toda a colecção do público mas ainda não os li todos) e paraceu-me bastante interessante. Depois do que escreveste hoje acho que em breve lhe pegarei. De facto, a realidade dos nossos dias é, infelizmente, esta. A Humanidade tornou-se um rebanho deslocando-se e agindo segundo a vontade de uns quantos (poucos) “pastores”, sem contestar, sem reflectir, sem questionar e, sobretudo, sem vontade de ver aquilo em que se transformou.
Alice, aconselho vivamente. Ainda por cima, é um livro que se lê num instantinho porque só tem cerca de 150 páginas. É caso para dizer: poucas páginas, mas muito conteúdo.
Li-o ainda nova, talvez ainda um pouco verde para o absorver na íntegra, mas adoro-o. Está entre os meus melhores livros lidos de sempre. E já na altura acheio fantástico.
Acho-o mesmo muito interessante e com uma mensagem tão intensa que me fascina.
Gostei do que escreveste sobre o livro.
Queria frisar (porque não tenho a certeza que todos tenham percebido) que o texto que está a itálico não é de minha autoria
Fiquei muito curioso em relação a este livro. Vamos ver se o encontro.
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes
Sem dúvida, despertaram-me a atenção… vou tentar ler este livro num futuro próximo
Filipe, a minha edição é a da imagem, da colecção Mil Folhas do Público. Mas julgo ser relativamente fácil de encontrar, bem mais que o “Admirável Mundo Novo” ou “A Laranja Mecânica”, cujas últimas edições estão esgotadas.
Mais um para adicionar à Lista
Olá! Vimos frequentemente ao vosso blog pelo comum interesse da leitura. Somos alunos do 12º ano de escolaridade e na disciplina de Área de Projecto estamos a desenvolver curiosamente (ou não) o tema da leitura e da sua importância. Temos um blog e viemos assim divulgá-lo, esperando sugestões não só para o blog mas também para várias iniciativas que possamos eventualmente organizar de acordo com o projecto.
Obrigada.
Boas leituras!
Projecto /Lê/
Os meus parabéns pela ideia do projecto! Quem senão os jovens poderá perpetuar o interesse pelos livros e por tudo o que os rodeia? Irei seguir o vosso blog com atenção
Li este livro já há alguns anos e achei-o fantástico, melhor ainda que o 1984 que é do mesmo autor. Lembro-me que na altura me foi recomendado por um professor na faculdade com quem falávamos de leituras diversas vezes. Realmente é um livro que deve ser lido por qualquer amante de literatura, mesmo que não gostem assim tanto do género literário em que ele se encontra inserido.
Maria, só uma pequena correcção: 1984 é do George Orwell enquanto que este Fahrenheit 451 é do Ray Bradbury. Independentemente disso, são 2 grandes livros
Excelente crítica, e deu-me a vontade de o ler (talvez o faça). De facto, a sociedade está muito apegada aos estereótipos… temos que nos largar…
tiago
Também já li este livro há uns anos, quando saiu na colecção Mil Folhas. Pequeno (de páginas, só), mas muito interessante, e não só para quem gosta de livros e não tem dúvidas sobre a sua importância. E é uma distopia, tal como Admirável Mundo Novo e 1984, outros dois grandes livros (ainda não li Laranja Mecânica). E muitas pontes se podem estabelecer entre eles, mas todos valem por si.
E vais muito bem lançada no teu desafio de leitura!
Bem, até fiquei com comichão na ponta dos dedos!!!
Claramente indispensável!!!
PS- Tu andas imparável… 15 dias e já tantos livros lidos!!!
)
(Espero que tenhas dormido um bocadito pelo caminho!
Sim, durmo e muito bem!
E o quarto está para ser terminado hoje
Dos 4 livros referidos apenas não li o ” A Laranja Mecânica” e todos eles são clássicos que, em certas alturas da nossa vida, deveríamos ler obrigatoriamente. E procurar que os outros o lêem, é isso que a Canochinha e o Jorge Candeias fazem. com as suas criticas. Já agora da mesma autora ” A morte é um acto solitário” é um livro sem comparação, para pior, do que este. ” o homem ilustrado” é bom mas não consegue atingir a genialidade, e a visão, deste.
Como sempre aguçaste-me o apetite… deve ser muito bom este livro!!
já agora, e como estamos a falar de ficção cientifica e o blog é muito lido, alguém me pode ajudar numa questão que tenho à muito tempo: será que existe uma edição em livro de uma das melhores, a minha favorita, séries de ficção cientifica: ” o Planeta dos Macacos” ? alguém sabe de alguma edição ?
Fiz uma pesquisa e encontrei este link: http://www.alfarrabista.com/E/1027241/Livro/O%20Planeta%20dos%20Macacos/C%C3%ADrculo%20de%20Leitores
Ajudei?
Ajudaste-me pois. Obrigado, agora tenho ver se corro um ou outro alfarrabista para ver se o encontro. Mas, pelo menos, agora sei o nome, obrigado.já agora aqui fica o conselho a todos de verem os maravilhosos filmes.
Por acaso nunca li este livro, mas conheço bem a história porque foi feito um filme, por sinal excelente, baseado na mesma obra, realizado por François Truffaut.´
É sempre um bom complemento
Não é por nada, mas tenho a sensação que este ano vou correr os clássicos (quase) todos.
Aguçaste-me a curiosidade
aqui está uma das minhas maiores faltas a nível literário!!!
Infelizmente nunca o li e tanto que já ouvi falar dele…
Tenho mesmo de o ler!!
Fiquem bem
Li esse livro há precisamente um ano. Veio na hora certa, em meio uma crise de uma professora da área de humanas… O livro nos mostra, além de vários aspectos já citados, como o conhecimento técnico e instrumental nos deixa em falta com muitas reflexões.
Realmente é um livro extremamente válido.
Recomendo um livro brasileiro que segue a linha das distopias: “Não verás país nenhum” de Ignácio de Loyola Brandão
Parece-me ser um bom livro =9 Eu adorei 1984, e também gostei muito de ler Admirável Mundo Novo, foram livros muito bons, por isso este deve ser uma delícia! Lê-lo-ei este ano quase de certeza!